quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Autismo

Na maior crise financeira das últimas décadas, e ainda antes do máximo impacto social das medidas troiquistas, o protesto está nas ruas mas quase ausente das instituições.

Grande parte da responsabilidade pelo autismo institucional cabe ao PS. Liderado por um Seguro que não cortou com o passado socrático, a abstenção no Orçamento e a solidão dos deputados que o pretendem fiscalizar no Tribunal Constitucional mostram um alheamento inquietante.

Quanto ao Presidente, contribuiu esta semana para cavar o fosso entre os cidadãos e a República com declarações do mais completo autismo social. Todos sabemos que Cavaco Silva ganha dez vezes mais que a média nacional. As suas poupanças, ontem publicadas, devem ultrapassar as de muitos jogadores de futebol de topo. Escusadas eram portanto palavras que o aparentam a um rei indiferente ao sofrimento e às privações do comum dos portugueses.

Acrescente-se porém que Cavaco chegou onde se encontra furtando-se a explicações quando qualquer outro se teria sentido forçado a dá-las. Entre os episódios mais recentes nunca cabalmente explicados há uma célebre excursão do seu assessor de sempre à Avenida de Roma e o papel dos seus amigos num banco falido. Por alguma razão o bolo-rei será o seu símbolo.

Quando nada se espera do Presidente ou do maior partido da oposição, resta aos cidadãos procurar outras formas de fazer ouvir a sua voz.