terça-feira, 10 de janeiro de 2012

O Opus Dei a enfiar-nos o barrete

O líder do Opus Dei em Portugal, o cidadão José Rafael Espírito Santo, diz-nos que «só um deputado é do Opus Dei». Quem? Surpresa das surpresas, novidade absoluta, cacha de primeira página: o João Bosco Mota Amaral, que há anos se sabe ser numerário da «Obra», mesmo antes de ser Presidente da Assembleia da República. A sério? Só um em 230? Desculpai-me, mas não acredito. E ministros? Só um também? Ou são logo três?

Meus senhores: queremos uma caça às bruxas, ou não? Ordens iniciáticas activas em Portugal há muitas, para além das maçonarias e do Opus Dei. Assim de repente, vêm-me à cabeça a Ordem de S. Miguel de Ala (monárquica e católica), vários ramos dos Rosa Cruzes (este e este, pelo menos) e até neo-Templários, entre outras. Querem os jornalistas andar a perguntar aos deputados e ministros, um a um, se pertencem a cada uma destas ordens iniciáticas? E aos jornalistas também? E até, como alguns defendem, fazer uma lei a obrigá-los a revelar se são iniciados? Ou só vão atrás dos mações?

Acrescento que, sendo todas legais, há que distinguir muito bem as que fazem eleições (até com várias listas), daquelas que têm um «líder» nomeado por um nomeado pelo Papa. É que há democracia e há hierarquia eclesiástica. E isso faz uma grande diferença, entre outras diferenças que também são relevantes.