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sábado, 29 de julho de 2017

«England Lost» (Mick Jagger, 2017)



sexta-feira, 9 de junho de 2017

Notas rápidas sobre as eleições britânicas

Comparando com as eleições anteriores, a variação mais significativa (em termos percentuais - não de mandatos) é o esvaziamento do partido de extrema direita UKIP. O crescimento do UKIP devia-se ao desejo do BREXIT por uma parte do eleitorado. Consumado (pelo menos em referendo) o BREXIT, o voto na extrema direita esfuma-se. A tese (de que os setores mas ferrenhamente europeístas não gostam) de que o crescimento do voto na extrema direita é uma reação popular às políticas não sufragadas impostas por instituições europeias não eleitas ganhou aqui um exemplo. (Em França não é bem assim: embora isso justifique um crescimento da FN, a extrema direita sociológica, por razões históricas, é maior.) Talvez seja sensato não deixar a extrema direita como única alternativa de voto a quem critica essas políticas (como sucede em muitos países - não em Portugal). Mas o melhor mesmo será mudar muitas das políticas da União Europeia.
Pela segunda vez em um ano, um primeiro ministro conservador britânico julga que tem os seus eleitores no bolso. E as eleições demonstram que isso não é verdade. Terão aprendido a lição?
Numa altura em que se fala na crise da esquerda na Europa, um partido socialista com um plano de governo de esquerda obteve mais de 40% dos votos, e permanecerá como uma sombra do próximo governo (cuja estabilidade ainda terá que ser demonstrada). A crise não é da esquerda: é do convencionalmente chamado "centro" político. Da "esquerda" que pratica políticas de direita. Espero que também tenham aprendido esta lição.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

A pulsão de morte

Uma grande parte da esquerda portuguesa à esquerda do PS deseja a «Brexit». Simplificando, o argumento é que a União Europeia não merece ser defendida, e que da saída do Reino Unido só poderá resultar algo de bom.
Pois convém notar que o voto pela saída do Reino Unido será um voto por uma «saída pela direita»: motivada pela rejeição dos imigrantes e dos refugiados, contra a solidariedade económica com a Europa do Sul, contra a existência de instâncias judiciais a nível europeu. Na sexta-feira, e a vencer a saída, a cultura política num dos países chave da cultura política europeia ficará mais à direita do que esteve com Thatcher - e o governo será entregue a Johnson e Farage. Pior, não me parece que as instituições da União Europeia, a aceitarem sem pestanejar a saída de um dos maiores países europeus (o que não é certo), tirem a conclusão de que a União Europeia foi monetarista demais ou insuficientemente solidária. É mais provável que tirem a conclusão contrária, e em particular que a liberdade de circulação deve ser restringida. Haverá menos espaço para uma política progressista e cosmopolita na Europa, dentro ou fora da UE.

Convém considerar também as consequências para Portugal de uma saída do Reino Unido da União Europeia: vivem nos territórios britânicos uns 150 mil emigrantes portugueses. Não serão com certeza todos forçados a voltar imediatamente, mas se existir um efeito dominó com a saída de outros países europeus de Schengen e/ou uma radicalização à direita na França ou noutros países, poderemos estar a olhar para uma nova vaga de retornados.

Nos anos 30, a esquerda marxista não quis, em muitos casos, defender a democracia realmente existente (dita «burguesa»). Arrependeram-se. E afinal a história pode repetir-se: a alternativa à União Europeia pode bem ser a barbárie. Cuidado com o que se deseja.

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Ele não é Charlie, mas não merece ser processado

Parece que se vai tornar comum no Reino Unido: mais um pastor protestante processado em tribunal, e que arrisca seis meses de prisão, por ter dito (num sermão) que o Islão é «satânico» e «pagão». O centro islâmico lá do sítio (o caso passa-se na Irlanda do Norte) achou-se «ofendido». Há precedente de condenação num caso semelhante.

Há muitos anos que digo sempre o mesmo sobre estes casos: a liberdade de expressão deve servir para criticar o ateísmo e a religião, os fundamentalistas e os liberais, os democratas e os autoritários. Só em casos muito extremos (apelo à violência e ao crime) é que se pode processar pessoas por meros discursos, por mais insuportáveis, intolerantes ou idiotas que sejam.

sexta-feira, 27 de março de 2015

A liberdade de expressão também é para os homofóbicos e para os islamofóbicos

No Reino Unido, desde o caso Rushdie em diante que a liberdade de expressão vem sendo progressivamente limitada. «Ofender» por intermédio de um mero discurso passou a ser crime contra a ordem pública.

Aconteceu agora um caso extremo: um daqueles pregadores que andam pelas ruas a citar a Bíblia foi multado (200 libras) e obrigado a pagar indemnização e custas (1200 libras). O seu crime? Ter lido em público o Levítico, 20:13: «Quando também um homem se deitar com outro homem como com mulher, ambos fizeram abominação; certamente morrerão; o seu sangue é sobre eles». Note-se que não foi condenado por incitar ao crime (última frase) mas sim por repudiar a homossexualidade (primeira frase). O facto de o idiota em causa ser não apenas homofóbico mas também islamofóbico não ajudou.

Antes que haja comparações com o Charlie Hebdo: o fundamentalista em causa não foi morto a tiro. Foi multado. E não, não gosto do que ele diz. Mas deve ter o direito de dizê-lo, por muito que repugne ouvi-lo.


quinta-feira, 8 de maio de 2014

Desigualdade no Reino Unido

Não é só nos EUA que tem aumentado a desigualdade e diminuído as oportunidades e a mobilidade social - isto é algo que tem acontecido nos países ricos em geral.
O Reino Unido é, a este respeito, um país semelhante a Portugal: menos desigual que os EUA, mas um dos mais desiguais da Europa. Por essa razão e pela elevada qualidade do vídeo, recomendo-o sem reservas:

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Governo britânico abre debate sobre a proibição do véu

Há quase dez anos, a proibição do véu nas escolas francesas era uma coisa estranha, uma mania, quiçá autoritária, só explicável porque «os gauleses são loucos». Os ingleses, diziam-me, esses sim, defendiam a liberdade das pessoas de se vestirem como a cultura e a religião lhes mandava. Passaram os anos, e hoje o governo britânico abriu o debate sobre a proibição do véu nas escolas, pela voz do Ministro da Administração Interna. Ouçamos Jeremy Browne:
  • «Sinto-me instintivamente desconfortável com restrições à liberdade dos indivíduos de seguirem a religião da sua escolha. (...) Mas há um debate genuíno sobre se as raparigas devem sentir uma compulsão para usar um véu quando a sociedade considera as crianças incapazes de expressarem as suas escolhas noutros assuntos como comprar álcool, fumar ou casarem-se.»
Registe-se que, na Europa, o véu está proibido nas escolas francesas e turcas (a alunas e professoras), em escolas de vários Estados alemães (às professoras), e... no Kosovo.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Reino Unido ameaça invadir Equador





 O Governo britânico ameaçou invadir a embaixada do Equador, cujo território está efectivamente sob a soberania do Equador, quebrando quase todos os precedentes diplomáticos, por recear que o Equador conceda asilo político a Julian Assage.

O Governo do Reino Unido ameaça praticar aquilo que é verdadeiramente um acto de guerra, para garantir a extradição para a Suécia de Julian Assange. Vale a pena recordar que acusações justificam todo este zelo, adequadamente descritas nesta notícia do Guardian.

Julian Assange justifica o pedido de asilo recorrendo ao historial de extradições da Suécia para os EUA. Se nos lembrarmos como vários altos responsáveis políticos nos EUA apelaram a que Julian Assange fosse julgado por espionagem, ou considerado terrorista (existiram até apelos ao seu homicídio), devido às acções da wikileaks, e da forma como têm ocorrido detenções indefinidas, sem direito a um julgamento justo, o seu pedido de asilo parece perfeitamente razoável, e há boas razões para acreditar que seria concedido.

Este é um mundo diferente daquele que viveu o escândalo de Watergate considerando heróis aqueles que divulgaram informação que não agradava aos poderosos. Esta enorme diferença na forma de lidar com o jornalismo de investigação representa um risco para a Democracia.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Laicidade explicada

Um vídeo que recomendo sem reservas.
Centra-se na realidade do Reino Unido, mas grande parte do que é dito diz respeito ao princípio da Laicidade em geral.

 

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Agora convenceram-me: os serviços secretos são MESMO indispensáveis

  • «Os serviços secretos britânicos consideraram como séria a possibilidade de uma visita alienígena e uma das funções dos funcionários era monitorizar qualquer ameaça possível vinda do espaço. Milhares de páginas de arquivos documentam como os serviços secretos temiam serem acusados pelo público de não levar a sério os OVNI. (...) Ao todo, são 7.000 documentos sobre quatro décadas de investigações.» (Diário de Notícias)

domingo, 18 de março de 2012

Da falta de liberdade religiosa em Inglaterra

É o líder do partido que ganhou as últimas eleições parlamentares no Reino Unido quem escolhe o líder da igreja anglicana. Não são os «fiéis», em eleições livres e democráticas, como acontece na Suécia. (Também não é aquele esquema dos católicos de esperarem que os nomeados pelo monarca falecido sejam «inspirados» pela pomba.) Os anglicanos não têm liberdade para escolher o seu representante máximo.

[Esquerda Republicana/Diário Ateísta]

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Cacos do Império Britânico: Malvinas



Desde a rendição do general Charles Cornwallis aos exércitos francês e americano em 1781, o Império Britânico não se poupou a esforços para tentar manter a sua hegemonia. Desde o ataque a Toulon em 1793 que visava impedir que os ideiais republicanos se estendessem ao resto da Europa, até à guerra das Malvinas por iniciativa de Thatcher, passando pelo expediente da Commonwealth para manter as ex-colónias em regime light, o Império Britânico luta contra a sua extinção.

Aproveitando a distração concedida pelo governo de Merkel, o único país da UE com colónias no território da própria União (Irlanda do Norte e Gibraltar) voltou a lançar as garras às Malvinas: submarinos nucleares e o próprio Príncipe Guilherme. A família da Rainha que nunca fez um ato de contrição pelos anos de colonialismo de que foi responsável e o primeiro-ministro com tiques de extrema-direita contra os impostos na City, mostram ao mundo ao que andam. Com o Império Britânico não se brinca.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

O Xerife de Nottingham


(foto BBC)

David Cameron recusou-se a aceitar a medida de aplicação de uma taxa de transacções financeiras na UE, aquela que foi talvez a medida mais interessante negociada na cimeira da passada semana. Cameron mostrou-se muito preocupado com o seu impacto na City, cujas actividades contribuem para cerca de 10% do PIB britânico e que representam cerca de 75% das operações financeiras de toda a Europa. Mas a City é também uma das principais responsáveis pelo caos que se instalou na economia mundial desde 2008, é de longe o sítio na Europa onde mais se roubou empresas, cidadãos e estados, e que mais contribuiu para fomentar o desemprego na UE. Apesar de a crise atingir fortemente o Reino Unido (cerca de 450% do PIB de dívida pública+privada), não é por isso que nos últimos anos correctores e quadros de empresas financeiras da City deixaram de apostar milhões em corridas de cavalos e em viaturas de luxo (duas modas da City).
O Xerife de Nottingham não é ingrato, não morde a mão dos cortesãos que o levaram ao poder.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Ocupar a City

A City londrina, o maior sorvedouro de dinheiro da Europa para actividades económicas puramente especulativas e virtuais que não produzem bens ou serviços que melhorem o bem-estar dos cidadãos, será ocupada a partir de sábado (ver página Occupy the London Stock Exchange). É sobretudo ali que a Europa em peso deveria rejeitar uma sociedade submetida ao arbítrio das oligarquias financeiras (respondendo ao Rui Tavares). Os protestos nacionais deveriam concentrar-se em frente às principais bolsas: Frankfurt, Paris, Atenas, Lisboa, etc.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Quarenta anos depois

O governo britânico anunciou hoje que pagará indemnizações às famílias das vítimas do massacre do «Domingo Sangrento», ocorrido em 1972 em Derry/Londonderry. Os familiares das vítimas recusam: os soldados que assassinaram treze civis desarmados nunca passaram um dia que fosse na prisão pelos actos daquele dia. E há quem admire a «democracia» reino-unidense e as «liberdades» locais...

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Pertencer à mesma equipa



Em "To the Castle and Back", Vaclav Havel critica uma despropositada carga da polícia checa sobre jovens manifestantes, num episódio ocorrido já depois do fim da era comunista. Havel lamenta-se que aquela intervenção teve como principal resultado cavar um fosso entre o estado e os jovens, separando-os, fazendo com que uns e outros não sintam que pertencem à mesma equipa.

Conheço mal Londres, mas quando estive em Birmingham foi para mim muito claro que os seus habitantes já não pertenciam à mesma equipa. Já havia gente de costas voltadas, havia o nós e os outros, a fazer lembrar o divórcio entre as cités e a sociedade francesa. A diferença é que em França os guetos foram criados por decreto no tempo de Pompidou e no Reino Unido foi a mão invisível que foi empurrando gente desempregada, gente em situação precária, com os mesmos problemas, para os mesmos bairros.

Depois acabar com os bairros da lata, o próximo passo da Europa deverá ser acabar com os guetos. Misturar ricos e pobres, cultos e menos escolarizados, imigrantes e autóctones, fazer-lhes sentir que as cidades pertencem a todos e que são um espaço de partilha.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Uma questão ao Sérgio Lavos

Ficámos a saber que "esta" não é a revolução do Sérgio. Muito bem; também não é a minha. Pergunto de boa fé e sem malícia ao Sérgio: qual é a revolução dele? Será que tal revolução existe? Nos tempos que correm temos que decidir esta questão: quando a revolução chegar, temos que saber de que lado estamos. E pelo que se vê em diferentes países (a Inglaterra é só o mais recente exemplo) este dia está a chegar. Sérgio: existe "a" revolução ou não? Da minha parte não sei responder a tal pergunta, mas sei que, se existir, não é "o povo" sozinho, espontaneamente, que a faz.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Oslo: a pista inglesa

No seu «compêndio», Anders Breivik refere um «mentor» inglês, designado como «Richard, the Lionhearted». E insinua que a English Defence League poderá ter sido fundada por um dos «patriotas europeus» a ele ligados através da organização neo-templária à qual atribui a sua radicalização ideológica. Estes «Cavaleiros Templários» (não confundir com os outros) já têm mais um membro assumido: um inglês chamado Paul Ray, que nas lides bloguísticas usa o pseudónimo «Lionheart» e que foi fundador da EDL, e diz fazer parte de uma organização neo-templária ferozmente anti-islâmica. Ray nega conhecer Breivik e condena os seus métodos (mas não as ideias, que partilha). E aponta o dedo a Alan Lake, o financiador e estratego por detrás da EDL, como sendo o verdadeiro «Richard». Este último não condena o atentado cometido por Breivik (e nega conhecê-lo). Mas há um vídeo em que defende a «execução» dos que querem implementar a chária na Europa...

Parece-me que é uma questão de tempo até sabermos algo mais.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

«Informaçõezinhas» e jornalistas na mesma cama

Todos sabíamos que Rupert Murdoch é um personagem mafioso (distinguido pelo Papa e tudo). O escândalo do uso de escutas telefónicas para obter informações que saíam no tablóide News of the World (e também noutras folhas da direita britânica, como o The Sun e o Sunday Times) está apenas no início, e que um Primeiro Ministro seja escutado por jornalistas não espanta ninguém que tenha acompanhado a política portuguesa no último par de anos. Mas mesmo estando apenas no início já se descobriu que a distância que vai dos alegadamente «impolutos» serviços «de informações» à imprensa tablóide é mais curta do que uma mesa de pub.