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domingo, 21 de abril de 2013

Itália: uma colecção de absurdos

A situação política italiana dificilmente poderia ser mais absurda: Bersani ganhou as eleições e demitiu-se; Berlusconi perdeu-as e mantém-se líder (partidário); Monti teve 10% e continua Primeiro Ministro; Napolitano tem 87 anos e foi reeleito Presidente para um mandato que terminará quando tiver 94 anos; e Beppe Grillo diz que o candidato dele não ser eleito Presidente é um «golpe de Estado».

segunda-feira, 4 de março de 2013

O que o fenómeno Grillo nos ensina de positivo

Começo por dizer que não tenho qualquer simpatia por Beppe Grillo, o comediante que convidou membros do movimento neo-nazi a juntarem-se ao seu movimento, que quer acabar com os sindicatos, que tem problema a aceitar as minorias imigrantes, e cuja definição de democracia interna é "ou concordas com os meus princípios ou podes ir embora". Vejo o crescimento do seu movimento (e realmente o movimento pertence-lhe ao ponto de a página oficial estar alojada na página pessoal do comediante) como mais uma deriva populista perigosa nesta Europa sem rumo.
Contudo, este fenómeno relembra-nos sobre como a Democracia Representativa deve funcionar: os cidadãos com posições políticas semelhantes devem unir-se em grupos, formar listas e programas eleitorais, e submeter-se ao voto. É uma pena ver que muitos cidadãos estejam convencidos que existe uma "classe" política à parte, não entendendo que todos podemos "entrar" e "sair".
O aparecimento do MoVimento 5 Estrelas mostrou-nos que até* num país onde a "classe política" é das mais herméticas na Europa, onde a imprensa é das menos politicamente independentes, é possível constituir um novo partido e chegar aos 25%. 
As sondagens portuguesas mostram que os partidos de oposição não estão a captar o descontentamento dos portugueses. Faça-se Democracia.


*ou será que foi "devido a" e não "apesar de"?

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Lá no Forte da Ameixoeira não gostaram de saber desta

O ex-chefe da «secreta» militar italiana foi condenado por um tribunal de Milão a dez anos de prisão. Foi considerado culpado do sequestro, em 2003, de um imã egípcio que foi depois entregue à CIA e torturado no Egipto de Mubarak. Vários subordinados italianos do senhor chefe foram também condenados a penas de prisão. (Os EUA recusaram-se a colaborar com a justiça italiana - 23 dos seus foram condenados in absentia, incluindo o ex-chefe da CIA em Milão, condenado a oito anos de prisão.)

É raro que este género de crimes - os cometidos pelos governos e pelos seus «serviços secretos» - sejam investigados e resultem em condenações. Portanto, um dia bom para os direitos humanos e um grande ponto a favor da justiça italiana.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

O preço do catolicismo em Itália

Segundo a organização laicista italiana UAAR, a ICAR custa ao Estado italiano, anualmente...

€ 6.086.565.703


(seis mil milhões de euros por ano).
Segundo um estudo detalhado publicado neste site, as maiores parcelas são o pagamento estatal a professores de religião (1,5 mil milhões de euros), a colecta através do IRS estatal (um milhar de milhões de euros), e a isenção de IMI (cerca de meio milhar de milhões de euros).

Em tempos de austeridade, dá que pensar. E dá que pensar também quanto seria em Portugal...

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Muitos Anders Breiviks

Em Florença, um fascista matou dois imigrantes senegaleses. Eram vendedores ambulantes num mercado. Conduziu até outro mercado e feriu mais dois. Depois suicidou-se.

Anders Breivik era um «louco isolado», não era? Os nazis alemães que mataram uma dezena de imigrantes também eram.

Quantas vítimas fizeram exactamente os islamofascistas na Europa, em 2011? Ah, esperem, o perigo agora são os anarquistas.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Um advogado de defesa de Breivik

Mario Borghezio, eurodeputado da Liga Norte, assume a respeito do terrorista de Oslo que «algumas das ideias que exprime são boas - retirando a violência - e algumas delas são excelentes». Decididamente, as ideias de Breivik são essencialmente semelhantes às da direita populista anti-imigração (como a English Defence League). E o senhor Borghezio, deputado numa assembleia que também elegemos, tem também um passado de acção directa contra imigrantes (menos violenta, todavia) e de elogios a Mladic, esse «patriota europeu». As ideias políticas de Breivik, descontada a defesa explícita da violência, contam realmente com uns 10% de apoio nos países centrais da Europa.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Berlusconi finito?

Os pós-ex-fascistas de Gianfranco Fini retiraram-se do governo de Berlusconi, que poderá ser forçado a eleições que dificilmente ganhará. Não é claro o que se seguirá, mas não é impossível o regresso da esquerda ao poder.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Vital Moreira sobre a decisão do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem

Do Público de hoje.
  • «(...) Na verdade, o TEDH defende de forma cristalina que a liberdade de religião não envolve somente o direito de ter uma religião e de observar o seu culto, mas também o direito de não ter religião, sem ingerências do Estado. Ora, para além da violação da laicidade – na medida em que não é compatível com a necessária neutralidade e imparcialidade religiosa do Estado –, a exibição de crucifixos nas escolas públicas também impõe às crianças e aos respectivos progenitores uma preferência oficial em matéria religiosa, que eles não têm de compartilhar. (...) Também o direito à educação segundo as convicções de cada um proíbe a preferência oficial por uma dada religião. Numa escola necessariamente plural em termos religiosos, o único modo de respeitar a liberdade individual de convicção e religião, bem como o direito ao ensino de acordo com as convicções religiosas de todos, é a abstenção de apoio oficial a qualquer religião. Se a liberdade religiosa individual implica por definição diferentes opções (incluindo a de não ter nenhuma religião), a escola oficial não pode tomar partido a favor de uma determinada religião, impondo a exibição dos seus símbolos privativos a todos os alunos. (...)» (Vital Moreira, Público)

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Berlusconi: quando a nudez tapa o resto

Vamos lá a ver se entendi: a economia italiana continua em recessão, a Liga Norte quer expulsar os imigrantes dos jardins públicos (e da Itália, a seguir...), anuncia-se a formação de milícias de sinais contrários, uma ministra faz a saudação fascista em público, e o Berlusconi é «investigado» por snifar coca e contratar profissionais do sexo?

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Resultados nos principais círculos eleitorais

Na Alemanha, os conservadores ganharam (38%), embora perdendo 6.7%; os sociais-democratas conseguiram fazer pior (20.8%) do que o mínimo histórico anterior (21.5% em 2005). Os liberais de direita subiram para 11% (tinham 6% em 2005), e os verdes e a esquerda socialista tiveram ganhos mínimos (ficaram com 12% e 7.5%, respectivamente). Deputados: 42 PPE (-7), 23 PSE (=), 12 ALDE (+5) , 14 verdes (+1), 8 GUE/NDL (+1).

Na França, prevê-se que os conservadores ganhem com 28% (+11%); que os socialistas desçam para 17% (-12%); e que a grande surpresa seja a subida dos ecologistas para os 16% (+9%). Os centristas descerão para 8% (-4%). A extrema-direita lepenista descerá de 10% para 6%, e os soberanistas de direita de 7% para 5%. Pelo contrário, os soberanistas de esquerda sobem de 5% para 6% e os trotsquistas surgem com 5%. Deputados: 30 PPE (+13), 14 PSE (-17), verdes 14 (+8), ALDE 6 (-5), GUE/NDL 4 (+1), extrema direita 3 (-4), etc (são projecções).

No Reino Unido, confirma-se que os trabalhistas lutam pelo terceiro lugar com os liberais de esquerda, atrás dos conservadores e dos soberanistas de direita. Os verdes mantêm dois deputados, e os fascistas do BNP elegem dois pela primeira vez.

Na Itália, Berlusconi e as suas misses têm mais quatro, a Liga do Norte mais quatro (!), os socialistas mantêm (22/23), e os comunistas afundam-se (-7).

Na Espanha há um ligeiro movimento para a direita, na Polónia um movimento muito acentuado para a direita.

O grupo de países que descrevo acima elege mais de metade dos deputados ao parlamento europeu.

Enfim, no geral, as quedas significativas dos socialistas na França, no Reino Unido e na Polónia viram à direita a composição do Parlamento Europeu. É incrível como a esquerda, nos vinte anos que decorreram desde o fim das ditaduras do leste da Europa, não se reconstruiu. Nem a esquerda social-democrata, nem a marxista. A única novidade global é a esquerda ecologista.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Fascistas no poder em Itália?

  • «O ministro da Defesa italiano, Ignacio La Russa, prestou hoje tributo às tropas pró-Nazis, enquanto discursava num evento que assinalou o aniversário da Resistência em Roma à ocupação nazi em 1943. Este é já o segundo membro do partido conservador do primeiro-ministro, Silvio Berlusconi, a mostrar "simpatia" com o fascismo em dois dias. Ontem, o presidente da Câmara Municipal de Roma, antigo líder da juventude neo-Nazi, Gianni Alemanno, causou igualmente controvérsia quando afirmou que “não considerava nem nunca tinha considerado” o fascismo como “algo absolutamente mau”.» (Público)
Uma democracia que elogia ditaduras, ideologias antitéticas e torcionários dificilmente terá uma longa e saudável vida pela frente.