sábado, 7 de janeiro de 2012

As maçonarias e o resto

Ao contrário do João Vasco, não subscrevo o texto do Daniel Oliveira. Fiquei até surpreendido que o Daniel Oliveira, que (com acerto) tantas vezes defende a privacidade, acabasse por afirmar que «o secretismo da Maçonaria (...) não tem proteção constitucional», ou que as sociedades mais ou menos «secretas» (democráticas ou não) são algo incongruente em democracia. Curiosamente, é justamente nas democracias que os maçons se contam pelos milhões (nas ditaduras, são perseguidos).

As alegações dos últimos dias são que a(s) maçonaria(s) trocam favores, comandam partidos e, pior ainda,  organizam jantares. Favores trocam-se entre antigos colegas de universidade, amigos do trabalho, conterrâneos e em muitos outros grupos nos quais se tenham desenvolvido cumplicidades. Mas fazê-los em associações que até têm site na internet é, a final de contas, pouco discreto. A verdadeira corrupção necessita do segredo de 100% dos envolvidos (algo que as maçonarias, nitidamente, não têm). E dispensa organizações com sede assinalada nos guias turísticos.

É sabido que as épocas de crise são propensas a caças às bruxas. Psicologicamente é natural: para uma catástrofe difícil de compreender procuram-se explicações ocultas. Mas a total transparência, como diz a Fernanda Câncio, é uma horrível «utopia». E totalitária. As pessoas têm direito à vida privada, a pertencerem a clubes privados e a só falarem disso a quem quiserem.

O Daniel, creio eu, teme mais a amoralidade do que a imoralidade. E penso que não me engano se escrever que não deseja deixar o monopólio da ética, ou da transmissão de valores e regras éticas, a igrejas e outras comunidades baseadas no autoritarismo, na obediência e no dogmatismo. A divisa «Liberdade, Igualdade, Fraternidade» deve dizer-lhe mais.

A terminar: não abona a favor da maçonaria que aceite elementos dos serviços ditos «de informações». E entre a espuma dos últimos dias perdeu-se de vista que a existência de clubes privados é exercício de liberdade, enquanto é um assunto muito mais sério haver departamentos do Estado, pagos por todos nós e teoricamente responsáveis perante os cidadãos, dedicados a crimes e tráfico de influências para empresas privadas.

27 comentários :

  1. ó Alves dos REis as lojas foram fechadas mas houve maçons ministros e directores gerais na ditadura salazarista e mações na italia eram quase tantos como os carbonários

    Já sob hitler o misticismo maçon tinha os seus dias

    Franco tinha os seus maçons

    Até Pinochet e el maçon da republica dominicana os tinha os tinha

    atão o exército com o gosto por ornamentos em cima da farda...

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  2. maçonaria maralha do IST (os das grandes obras de todos os regimes )
    opus dei...pessoal formado pelos jessuitas
    todos os grupos sociais fechados tendem a proteger-se e a excluir os restantes

    antropologicamente os grupos de caçadores de élite da pedra lascada
    passam a guardas pretorianas na pedra polida

    percebido? nã?
    mas son cê só cumplica

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  3. Andava curioso por conhecer a opinião do Ricardo sobre a transformação da sua querida maçonaria, esse baluarte do republicanismo, em sala de reuniões da mais extraordinária malha de influência e interesses organizada para saque de bens públicos revelada nos últimos anos Confirma-se. O Ricardo é um homem leal.

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  4. mas tens razão ó Alves dos Reis Farouk do egipto um democrata acarinhou os maçons já Nasser um fascista fechou-lhe as lojas todas...

    Farouk era um rei maçon?

    Nasser um republicano sem interesses na constrição civil?

    não tinha perfil de maçon
    esses (con perfil)fizeram as pirâmides por ajuste directo
    (e deram uma esfinge com uma derrapagem de 500%)

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  5. o Xá (democrata que bombardeava o povo fascista )da Pérsia Reza tinha uns 2 mil maçons de estimação 2 lojas pró ´petróleo uma dúzia para o exército e as restantes iam para os tapetes e para os silos de cereal uns gajos finos....

    mas bebiam muito e o fascista do ayatolla kome en Iran fechou-lhes as lojecas em 79

    tamém aturava os Bahai...agora esses i ran i anus andam a dar aulas nas piores universidades de Portugal (pelo menos 5 o resto anda no Martim Moniz )

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  6. Eu concordo com o Nuno. Estes grupos de influência tendem a ser associações de malfeitores sem ideologia, grupinhos de cobardes que procuram segurança no número.

    Como tenho repetido aqui tantas vezes, estou fartinho do Texas e dos texanos e das superstições deles, mas sabe muito bem sermos julgados pelo trabalho que fazemos, em vez de termos de contar com os amigos para não se esquecerem de nós nas promoções. Eu fui promovido há um mês a full prof., três anos antes do prazo, apesar de ser ateu e social democrata (aqui diz-se comunista), na universidade pública mais conservadoda dos EUA.

    As mafias portuguesas são organizações que me inspiram uma repugnância enorme. A ideia de ver alguém ser promovido por "ser da corda" dá-me vontade de vomitar.

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  7. @Filipe Castro

    Bem...pelo menos o lobbying aqui é ilegal... ao contrário dos Estados unidos.

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  8. A história passada da Maçonaria instiga em mim mais simpatia do que aversão. E não acredito que as sociedades «secretas» devam ser proibidas em Democracia.

    Mas acredito que em Democracia é próprio que a luta política se faça de forma aberta e transparente. Isso não deve ser imposto, mas deve acontecer naturalmente.

    É verdade que pessoalmente não tenho qualquer prova relativa à convicção generalizada de que actualmente na Maçonaria é primeiramente uma plataforma para a troca de favores e tráfico de influências, por isso é uma acusação que não costumo fazer. Mas confesso que me causa a mesma estranheza que ao Daniel Oliveira que se queira, em contexto democrático, fazer política com secretismo.

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  9. Ó entidade dos múltiplos pseudónimos,

    «opus dei...pessoal formado pelos jessuitas»

    Sempre pensei que esses dois grupos eram opostos dentro da ICAR. Mas parece que estava enganado. Consigo estou sempre a aprender.

    Quanto às maçonarias nas ditaduras, a verdade é que elas, em geral, as proíbem (há excepções, como Cuba - vem na wikipedia). Mesmo no Estado Novo, lá por Carmona ser mação não deixou de assinar a lei que proibiu a maçonaria. Ah pois. O mundo é complicado e as pessoas mudam.

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  10. Filipe,
    tens alguma prova de que as maçonarias portuguesas (todas) são «máfias»? Eu sei que a ICAR diz isso, mas não te costumo ver a dar crédito a tudo o que a ICAR diz...

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  11. João Vasco,
    mas quem diz que as lojas maçónicas servem exclusivamente ou principalmente para a luta política? Ou para negócios e tráficos (com excepções como parece ser o caso da «Mozart49»)? É que basta andar um pouco pelos sites institucionais ou pela wikipedia para ver que aquilo que lá transparece não é muito directamente político...

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  12. As histórias que conheço na universidade são repugnantes. A maçonaria é um putedo, uma associação de calhandreiras e de velhacos sem nada de brilhante, sem nenhuma estratégia para o país ou a academia.

    Em relação ao lobbying, o facto de ser legal torna-o público. Como a prostituição. Há coisas que não se podem evitar e o melhor é regulamentá-las, acho eu.

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  13. Só para esclarecer: não sou a favor de se proibir nada, mas acho que não há NENHUM indício de os grupos de maçons organizados serem associações de idealistas com um projecto político e uma estratégia, a lutarem por um mundo melhor. O que eu vi até agora foi grupinhos de pessoas como nós a conspirarem contra "os outros" cada vez que abre uma vaga, ou a protegerem-se uns aos outros, cada vez que um é apanhado a ser medíocre.

    E como sou ateu, a ideia de um supremo arquitecto do universo parece-me ridícula, sobretudo quando é invocada por um grupo de adultos de avental, cheios de rituais, em salas onde não entram mulheres... :o)

    Uma vez (ou duas, ou três) convidaram-me para ir ver, só para eu ver. E eu não fui.

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  14. Nuno Gaspar,
    deixe-me acrescentar que não sei se a «mais extraordinária malha» é a Ongoing ou o BPN. Em qualquer dos casos, orgulho-me de não conhecer nem uns nem outros. E critico-os sempre que posso, como tem comprovado neste blogue.

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  15. Ricardo Alves disse...

    Ó DEUS MEU elucida-mi

    era uma listagem (podia ter preenchido os pontinhos)opus dei...pessoal formado pelos jessuitas...pessoal formado pelos salesianos...pessoal formado pela guarda pessoal do soaristão nas novas universidades e politecos dos anos 80

    resumindo: há centos de organizações similares às lojas maçónicas..aqui no burgo os rotários e os Lyons tinham nos anos 70 uma influência notável
    na contratação e despedimento de pessoal nalgumas empresas



    Filipe Castro disse...

    Estes grupos de influência tendem a ser associações de malfeitores sem ideologia, grupinhos de cobardes que procuram segurança no número (voçê é amargo todos os seres humanos procuram a segurança no grupo é humano

    os eremitas e anacoretas da serra da Ossa e da Arrábida são casos raros de desarranjo mental induzido por êxtases de fome...

    Como tenho repetido aqui tantas vezes, estou fartinho do Texas e dos texanos e das superstições deles.....uma pessoa adapta-se aos outros

    pode-se permanecer anos num ambiente ideologicamente impregnado RDA bible Belt (tanto faz)

    Ficar num sítio onde reconhecem o que se faz é positivo e ajuda a crescer

    vir para um país em stress alimentar quimeras de tempos idos e impossibilidades e agravar as improbabilidades do Jão Basco em ter emprego parece-me mesquinho

    Resumindo fique com os Lone Star State

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  16. E ó Flip...castro?
    aderir ao ku-klux-klan ou a uma milícia deve ser uma experiência mais interessante que andar de avental ou a murmurar pelos cantos

    e aqui o pessoal anda irritável...

    têm medo do futur..é normal

    os Maçon's ou a Opus Dei ou a associação de velhos alunos da taprobana dão aos que lhe pertencem uma sensação de segurança estabilidade e de controle das Thing's to come...Hells...

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  17. " não sei se a «mais extraordinária malha» é a Ongoing ou o BPN. ... E critico-os sempre que posso,..."

    Um bocadinho mais o BPN do que a Ongoig, Ricardo. Mas tudo bem. São, de facto, fruta da mesma árvore. Só não percebo a sua tentativa de isolar os casos que afectam as instituições por que sente carinho e de generalizar aqueles que têm a ver com as que hostiliza, como a Igreja. Ou até percebo. Falta de coerência.

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  18. «Um bocadinho mais o BPN do que a Ongoig»

    A injustiça não tem limites. O Ricardo Alves deu enorme atenção ao caso «Ongoig», ao ponto de ter sido das pessoas na «blogosfera» que mais escreveu sobre o que se passou a esse respeito.
    Está tudo registado neste blogue.

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  19. de ter sido das pessoas na «blogosfera» que mais escreveu sobre o que se passou a esse respeito....

    1º a blogos fera é um blogoplano
    pelo menos o que tá aqui ài frente

    2º andas a ver 2 milhões de páginas em putuguês pra fazer a estatística ó basquinho?

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  20. Filipe Castro,
    não sei se essas histórias que contas se passam nos EUA ou em Portugal. Mas nos EUA há muito mais mações do que em Portugal (devem ser quase 1% da população total, e já nem falo dos Washingtons e outros «pais fundadores»...).

    Como eu já escrevi, esquemas desonestos para ser promovido sem mérito podem ser gerados a partir de qualquer grupo com um mínimo de coesão para saltar para outro grupo. Desde antigos colegas de universidade até clubes de futebol, e se calhar até a partir de sociedades recreativas. Se uma maçonaria serve para isso, não abona a favor dessa agremiação em particular.

    Quanto às mulheres, não é preciso procurar muito para descobrir o seguinte.

    Grande Loja Feminina de Portugal (exclusivamente feminina!)

    http://www.glfp.pt/home.htm

    Ordem do Direito Humano - Federação Portuguesa (Internacional e Mista: homens e mulheres juntos...)

    E acho que vale a pena ler esta Declaração de Princípios:

    http://www.droit-humain.org/portugal/dp.htm

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  21. Nuno,
    a minha coerência é criticar quem merece crítica. Este texto, caso não saiba ler, tem muito de crítico.

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  22. E já agora, a Carta de Valores do Grande Oriente de França:

    http://www.godf.org/index.php/pages/details/slug/chartes-des-valeurs-du-grand-orient-de-france

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  23. ó Alves dos Reis 3 milhões de Maçons nos EUA

    Nos anos 20 muitos deles pertenciam ao Ku-klux-Klan
    de resto há tantos maçons na Louisiana e só há uns anos é que têm chegado uns mais queimadinhos Ricardo Alves disse...

    E já agora, a Carta de Valores do Grande Oriente de França:(ao menos a de Portugal ou é tão secreta que não dá


    O Livro verde de Kadahfi tamém é um livro cheio de valores excelentes

    um pouco parvo como todos esses textos de boas intenções

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  24. Por acaso conheci um (eram dois gémeos mas um era do turno das matinas)que tinha o anel do bisavô um capitão de cavalaria do grande estado do Flip
    (o golfinho) que caiu algures em 1863 em defesa dos nobres valores do sul...infelizmente deixou descendentes
    (acho que alternavam o uso do anel
    uma pancada com um anel mansónicum faz dóidói

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