sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

a diarreia neo-liberal

«[...] Luís Filipe Meneses (LFM) desabafou ao «Expresso» que faz uma aposta radical: «Em meia dúzia de meses desmantelo de vez o enorme peso do Estado» [...]

LFM não tem um projecto para o País mas tem a ânsia de o libertar do Estado; não tem uma ideia sobre economia mas arrasa o que resta da banca, energia e comunicações; não sabe como melhorar a Justiça mas entrega-a à iniciativa privada; não faz ideia como se compatibiliza segurança e liberdade mas exige desculpas do Governo por um homicídio, enquanto pensa desmantelar o Estado cedendo, quiçá, a manutenção da ordem pública aos seguranças das casas nocturnas do Porto [...]

Se este homem, que tem o concelho de Gaia cheio de Empresas Públicas municipais, fosse Governo faria exactamente o contrário do que andou a fazer até agora ou, então, diria em cada momento o que julga que as pessoas gostariam de lhe ouvir dizer [...]»


(Carlos Esperança no Ponte Europa)

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Bhutto assassinada

  • «Pakistan opposition leader Benazir Bhutto was assassinated Thursday in a suicide attack that also killed at least 20 others at a campaign rally» (Yahoo News, Público)

Musharraf tem o caminho cada vez mais desimpedido. Tenham sido os islamistas por ele, ou ele pelos islamistas, pouco interessa. Reforçaram-se.

O mundo deveria prestar mais atenção ao que se passa no Paquistão, base da Al-Qaeda, país com arsenal nuclear, hostilidade hereditária à Índia e tutela sobre o Afeganistão. Eles estão a constipar-se. Nós vamos espirrar.

NSS: da anti-religiosidade ao anticlericalismo?

É invulgar receber um texto de Inglaterra em que a distinção entre anti-religiosidade e anticlericalismo (ou laicismo) seja tão clara como nos parágrafos que se seguem.

  • «Secularism is about living together in peace and harmony, without exploitation and without coercion. It isn't primarily about attacking religion or religious believers. Although we may have a lot of sympathy with the rationalism of Dawkins and Hitchens, we realise that the argument about the truth or otherwise of religion is separate from the struggle for secularism. Whatever we may feel about religion – and I know that many NSS members have very strong anti-religious instincts – we have to be pragmatic and understand that religion is not going away. So, secularism tries to create a shared space where no-one can dominate. The veracity or otherwise of religious belief is a legitimate argument, but not one that is central to the creation of a secular society. Secularism is about listening to other people's point of view, but sometimes agreeing to differ. It goes like this: you do what you want (within the law) in your space (temple, mosque, church, home), and we'll do what we want in our space (likewise within the law), and we'll agree not to interfere with each other while within those spaces. But in the space that we have to share – the public square as it has been called - there can only be democracy, equality and individual human rights. The direction and shape of our society and culture must be agreed between us, believer and non-believer alike, not imposed by divine right or by superior strength. In that way, we all participate. We don't always get what we want, but at least we have the opportunity to lobby to change things by argument and persuasion, rather than by force and fiat.» (Recebido por correio electrónico da National Secular Society.)

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

«Engenharia» político-partidária?

  • «Jerónimo de Sousa recusa divulgar ficheiros do PCP (...) Instado pelo DN, ontem, em Coimbra, o líder do PCP, foi claro: "Não iremos entregar nenhum desses nomes no Tribunal Constitucional". Tudo porque o secretário-geral defende, acima de tudo, o primado do "direito à privacidade dos cidadãos". Recorde-se que segundo a Lei Orgânica nº 2/2003 de 22 de Agosto, vulgo Lei dos Partidos Políticos, no artigo 19º, compete ao Tribunal Constitucional verificar regularmente "com a periodicidade máxima de cinco anos, o cumprimento do requisito mínimo de filiados".» (Diário de Notícias)

Jerónimo tem alguma razão: exigir aos partidos que entreguem no Tribunal Constitucional uma lista de cinco mil dos seus militantes viola o direito fundamental dos cidadãos à privacidade das suas opções políticas. Para evitar a persistência de partidos sem base de apoio social, seria suficiente uma recolha de cinco mil assinaturas de dez em dez anos, à semelhança do que faz qualquer partido que se quer legalizar.

Países diferentes, o mesmo truque

  • «Religious proselytisers crowed with glee when the latest primary school league tables were published. They showed a 22% per cent rise (from 44% to 66%) in the number of "faith schools" in the top 200 best performers. The Church immediately claimed that this was due to their "religious ethos". But independent research has shown that in almost all cases, the success is due to the grossly biased entry criteria that such schools can deploy. Many "faith schools" are filled with middle-class children, whose parents are prepared to jump through the hoops the church sets for them to get a place. The children from less wealthy families living nearby, whose parents cannot play this dishonest game, are severely disadvantaged by this system. And what the myth-makers forget to tell you is that "faith schools" performed much less well in an alternative league table that took account of deprivation, special needs and children speaking English as a second language. When measured by those standards, just 30 of the top 200 places on the "contextual value-added" measure went to religious schools.» (Recebido por correio electrónico da National Secular Society.)

A selecção sócio-económica é o segredo dos resultados da escola privada. No Reino Unido ou em Portugal.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

O fim da picada...

A desgraça dos debates presidenciais entre os candidatos republicanos e a evidência, cada vez mais dificil de ignorar, do fracasso completo e absoluto dos 8 anos de George W, vão acabar por convencer os multimilionários que mandam no país e são donos do partido republicano a comprarem antes os democratas. Hilary já está mais à direita que o meu pai...

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Cidadania

Uma das coisas que eu percebi aqui nos EUA é que o maior sucesso do capitalismo americano foi o de dominar as classes médias e baixas sem precisar de se rebaixar e fazer as coisas repugnantes (e de mau gosto) que os ditadores da América Latina e do bloco “socialista” tiveram de fazer para dominar as classes média e baixa: assassinatos, prisões políticas, tortura, repressão nas ruas com canhões de água e gorilas...

Embora tenham usado a repressão sanguinária sempre que necessário – de Joe Hill e do massacre de Ludlow, até às brutalidades dos anos 60 e 70 em campus universitários, etc. – os robber-barons mudaram eventualmente de estratégia a seguir à segunda guerra mundial.

Como disse Alan Greenspan no final dos anos 80, a força económica dos EUA reside no medo que os seus cidadãos têm de perder o emprego.

Os americanos não refilam porque foram sabiamente isolados por uma campanha de propaganda que promove o individualismo há mais de 20 anos e porque estão endividados ate à raiz dos cabelos. Aqui metem-nos cartões de crédito por baixo da porta por uma razão muito simples: uma população endividada é muito mais fácil de gerir.

As pessoas perguntam-se como é que é possível que haja tantos tiroteios em escolas e universidades, centro comerciais e edifícios de escritórios ou de serviços públicos. Eu acho que os americanos vivem com níveis de stress muito mais altos do que os outros 95% da população do mundo.

E nestas condições a cidadania é uma impossibilidade. Mais de três quartos da população não votam. A televisão bombardeia as pessoas com histórias de terror, algumas exageradas, a maioria inventadas (as abelhas assassinas, a febre aviaria, os terroristas, a droga, etc.).

O resultado é uma população de indivíduos isolados, temerosos, sem poder negocial, ameaçados pela polícia – o programa “Cops” é só isso: uma demonstração de forca da polícia – se fumarem, se beberem, se deixarem uma roda em cima do passeio, ou se disserem um palavrão na rua, e que se viram fanaticamente para a religião e para a pornografia porque precisam de um escape.

A religião é a única actividade comunitária socialmente aceitável na vida deles. Não admira que eles se enfiem na igreja quatro vezes por semana e dêem o dinheiro todo aos padres, pregadores, ministros, e outros aldrabões de varia pena e pelo que lhes vendem a ilusão de uma vida melhor depois de morrerem.

E isto é a visão que o Barroso e os neo-liberaistem têm para a Europa. Quando a gente lhes fala dos crimes hediondos do Pinochet e do Milton Friedman eles dizem-nos que devíamos ir ler o Karl Popper e mais não sei o quê.

Que é como falarmos ao irmão Torquemada das execuções de pessoas inocentes, por apostasia, e ele dizer-nos que antes de percebermos a coisa bem temos de ir ler o Aristóteles e o S. Tomás de Aquino...

Iniciar as celebrações do centenário da República

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Só em República somos todos cidadãos.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Porta aberta ao criacionismo

No recente livro «Criacionismo e Sociedade no Século XX», aprendem-se factos preocupantes sobre o sistema de ensino português.
  • «O programa oficial português de Biologia e Geologia ensina a evolução como uma teoria científica válida – mas o Programa de Biologia e Geologia (11.º e 12.º anos), homologado em 2003, debruça-se sobre a questão da evolução com algumas expressões pouco felizes. No capítulo 2, na parte sobre os Mecanismos de evolução, o programa refere: «Não há consenso sobre as causas da diversidade dos seres vivos. As teorias evolutivas explicam essa diversidade pela selecção dos organismos mais adaptados, razão pela qual as populações se vão modificando.» A expressão “não há consenso” refere-se a mecanismos evolutivos mas pode transmitir a ideia, sobretudo nas mãos de professores menos bem preparados, de que a falta de consenso se aplica à evolução propriamente dita. O programa recomenda a «construção de opiniões fundamentadas sobre diferentes perspectivas científicas e sociais (filosóficas, religiosas...) relativas à evolução dos seres vivos». O que quererá dizer isto? Que o professor deverá ensinar a perspectiva da religião ou da filosofia sobre a evolução numa aula de ciência? Uma leitura menos atenta poderá interpretar que a recomendação é de ensinar a perspectiva científica da evolução como uma hipótese entre muitas (filosóficas, religiosas, etc). O programa sugere que se deverá «Evitar: o estudo pormenorizado das teorias evolucionistas» e evitar «A abordagem exaustiva dos argumentos que fundamentam a teoria evolucionista»(!!!), o que nos parece uma opção inquietante que pode comprometer a solidez dos alicerces do conhecimento das ciências naturais.» («Evolução e Criacionismo: Uma Relação Impossível», Octávio Mateus, 2007)

Pessoalmente, desconhecia que este género de relativismo epistemológico era praticado nas escolas portuguesas, justificando a igualdade de tratamento entre Biologia e teologia, e abrindo a porta ao criacionismo. Fico preocupado.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Intolerância cristã e clericalismo estatal

Parece que não apenas a intolerância cristã está em alta nesta época do ano (e chega à violência de rua), como os políticos mais clericais se esmeram por tentar impôr a religião da maioria a minorias renitentes e ciosas da sua liberdade de consciência.

  • «Experts from the Council for Secular Humanism noted with alarm the passage of H. Res. 847 in the House of Representatives. This unnecessary, unwarranted, and bigoted law, under the misleading title "Recognizing the Importance of Christmas and the Christian Faith" passed the House with overwhelming bipartisan support. It effectively undermines the sort of religious tolerance necessary in these changing times. Just days ago in the midst of the Jewish Festival of Lights, four Jewish men in New York City were attacked on the subway for replying to a group of ten people who wished them a "Merry Christmas" with a similar greeting: "Happy Hanukkah!". For this, these men were first insulted, then beaten. It was a Muslim man who came to their physical defense. The actions of the Congress, by passing the resolution and thus expressing preference to the Christian faith over all the others represented by the diverse population of these United States, encourages this sort of behavior. The First Amendment's guarantee of religious liberty, and of the nonestablishment of religion, was devised to create a secular state in which all religions would be equally tolerated and none given preference. The language of the House resolution effectively undermines the design of the Founders, and creates an atmosphere where non-Christians will continue to be targeted, treated like second-class citizens, and even become victims of violence like those four Jewish subway riders in New York. Paul Kurtz , CSH chair, stated, "It is deplorable that in this day and age and in light of violence against religious minorities here in the United States that the Congress would stoke those flames with preferential language in support of a single religion." David Koepsell, CSH's executive director, noted, "The First Amendment Guarantee was designed to prevent the sort of religious intolerance that resulted in violence in Europe, and our Congress should respect the intent of the Founders."» (Comunicado do Council for Secular Humanism, recebido por correio electrónico.)

(António Marujo: o incidente do metro será parte da «guerra contra o Natal»? Ou da «guerra a favor»?)

Fim da pena de morte em Nova Jérsia

  • «A Assembléia Legislativa estadual de Nova Jersey aprovou nesta quinta-feira a abolição da pena de morte, informou um porta-voz, o que faz desse estado americano o primeiro a abandoná-la em quatro décadas. (...) Oito pessoas estão condenadas à morte em Nova Jersey, onde a última execução ocorreu em 1963.»(AFP)
  • «Gov. Jon S. Corzine signed into law Monday a measure that abolishes the death penalty, making New Jersey the first state in more than four decades to reject capital punishment. The bill, approved last week by the state's Assembly and Senate, replaces the death sentence with life in prison without parole.» (Yahoo News)

domingo, 16 de dezembro de 2007

Ricos e pobres 2

Os americanos – suspeito que os 1% mais ricos e os 31% mais pobres – adoram os neo-cons. Quando se fala da América de direita, fala-se da américa rural, pobre e profundamente religiosa, que persiste republicana mesmo depois dos últimos sete aos de incompetência, violência, corrupção e mentira mais imorais.

E eu lembrei-me da história – tão comum! – do general Sarrail no Médio Oriente.

Odiado pela direita e pelo clero, a história oficial do general Sarrail (1856-1929) abertamente anti-clerical na Europa pos-Pio IX, é a de um fracassado e um genocida, tendo-lhe sido inclusivamente imputada a morte de 25 mil civis no bombardeamento de Damasco, em 1925. George Seldes, que estava lá e o conheceu, conta uma versão diferente: 308 cadáveres e talvez 700 desaparecidos, enterrados nos escombros.

Mas a parte mais interessante do capítulo de Seldes sobre Sarrail [Witness to a Century, p. 235] é a seguinte: quando chegou à Síria, Sarrail encontrou uma classe de emirs, sheiks e pashas que vivia à grande, às costas de uma população miserável, selvagem e fanática, dividida em 29 religiões organizadas. Uma das coisas que chocou o general foi a existência de escravatura. Mas o pior, segundo ele, foi o sistema de servidão medieval, em que as pessoas eram compradas e vendidas com a terra. Sarrail começou a aplicar a lei sistemáticamente e a tentar abolir na prática um sistema de servidão que já não existia na lei. Resultado? Os servos revoltaram-se contra ele:

“I determined first of all to free the serfs. I did not need new laws to do so. The laws were there. I merely ordered the enforcement of the laws already on the books. The law said that anyone who broke the law, sheik or peasent, would be tried snd, if found guilty, would be sentenced to work out his duty to the state by breaking stones and building roads, usually near their own town or village. Of course in this matter all the lawbreakers without exception were the rich landowners, the Arab sheiks, emirs and pashas. […] The serfs, the masses of common people I hoped to free, revolted in favor of their old masters.”

Os melhores aliados dos sistemas injustos – monraquias, oligarquias e outros tipos de cleptocracias - nunca são a classe alta nem a classe média: são os pobres.

Ricos e pobres

Michael Moore mostrou em "Farenheit 911" George W Bush a dizer a um grupo de milionários que eles eram as pessoas que ele representava... os media desataram aos berros, que o documentário de M. Moore era um pafleto radical, que não se podia levá-lo a sério, etc. mas até hoje nunca ninguém demonstrou que seja mentira que todos os Bin Ladens tenham sido tirados do país nos dias a seguir ao 11 de Setembro, que Al Gore foi eleito com a maioria dos votos, que as mentiras que levaram à invasão de Iraque e ao assassinato de mais de um milhão de inocentes não tenham sido deliberadas, etc.

Mas o importante aqui é que os neo-liberias - com as citações dos filósofos todos - nunca demonstraram que o neo-liberalismo não fosse uma estratégia para destruir o estado, a democracia e a classe média, concentrar a riqueza nas mãos de um pequeno grupo de pessoas e transformar o mundo numa Nigéria gigante.

Por mais que o Economist proteste as melhores intenções dos oligarcas que governam o mundo, os factos mostram com clareza o que se está a passar: nos EUA, em 2005, os 1% mais ricos ganharam 18.1% do rendimento total, contra 14.3% em 2003.

The Liberal Media

A extrema-direita controla a televisão e os maiores jornais dos EUA, mas todos os dias "dá voz" a grupos de cidadãos (inventados) que se queixam dos media serem liberais demais. Os parolos da América encarnada acreditam nesta enormidade e repetem os chavões da FOX e da CNN até adormecerem, convencidos que os jornais e as televisões fazem parte de uma conspiração sinistra que quer destruir a civilização ocidental.

E o website Media Matters expõe as mentiras, a propaganda e os ataques coordenados da direita com clareza e objectividade.

Legumes

Pela primeira vez em nove anos a telefonia criticou os jornalistas das grandes cadeias de tevisão por não fazerem perguntas relevantes nos debates. Segundo ouvi hoje de manhãna PBS, uma das preguntas de um dos debates foi qual era o legume preferido de cada candidato. Todos os dias me sinto feliz por não ter televisão e não fazer parte deste circo dos media.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

32%?!

Eu acho que a CNN inventa estas sondagens todas. Até aqui as minhas queridas senhoras da secretaria, todas republicanas até à raiz dos cabelos, já lhe perderam o respeito...

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Bom gosto e bom senso

Dezanove minutos por Larry Lessing – o especialista em questões de direitos de autor – sobre a irracionalidade demente e a ganância criminosa das empresas ligadas aos audiovisuais. No TED de 2007:

http://www.ted.com/index.php/talks/view/id/187

Presidenciais - EUA

Mesmo com W desprezado por quase 80% da população e o partido republicano sem norte nem direcção, não sei se os democratas não vão perder também estas eleições. As máquinas de voto, a campanha de descrédito de Obama que vem aí (um "escândalo" com a compra de uns terrenos, segundo me diz um amigo meu que tem amigos poderosos no GOP), a máquina de propaganda dos media (100% pró-republicana e sempre a pedir desculpa por ser tão de esquerda)...

Se Billary não fizer (ainda) mais concessões aos oligarcas, acho que o Giuliani até tem hipóteses.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Back to the 90´s?

  • «A Sérvia fez saber que irá contestar a independência do Kosovo no Tribunal Internacional de Justiça enquanto a Rússia, seu principal aliado, promete pedir às Nações Unidas a anulação de uma eventual declaração unilateral pelos kosovares.» (Jornal de Notícias)

(What if?) O Kosovo declara a independência, apoiado pelo Império germano-europeu; a República Sérvia da Bósnia anuncia a sua declaração de independência, apoiada na Sérvia e na Rússia; a Croácia anexa a parte croata da Bósnia, apoiada pelo Vaticano e pela Alemanha. Irritados, os muçulmanos da Bósnia entram em guerra com as duas regiões insurrectas, imediatamente saudados por Bin Laden e pelos sauditas. Duas semanas depois, a Sérvia invade o Kosovo.

(É verdade: a presidência da União Europeia passa para a Eslovénia no final de Dezembro.)

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Só uma ideia...

...que vi num filme com o Robin Williams: os políticos deviam ser obrigados a andar com os logotipos das empresas que os financiam ou que lhes empregam os filhos e as noras cosidos nos fatos. Como os pilotos de automóvel, por exemplo.

Regressão civilizacional

Em pleno século 21, num dos países mais livres e prósperos do planeta:
  • «The CIA's waterboarding of a top al-Qaida figure was approved at the top levels of the U.S. government, a former CIA agent said Tuesday (...) "This was a policy made at the White House, with concurrence from the National Security Council and Justice Department." (...) Waterboarding is a harsh interrogation technique that involves strapping down a prisoner, covering his mouth with plastic or cloth and pouring water over his face. The prisoner quickly begins to inhale water, causing the sensation of drowning.» (Yahoo News)
Os Estados que usam técnicas de tortura estão a ceder às provocações dos terroristas e a fazer o jogo de Bin Laden. Será que é necessário fazer Bush e Rumsfeld passarem por uma sessão de «waterboarding» para eles compreenderem porquê?

A superioridade moral dos cristãos...

HuffPo:

COLORADO SPRINGS, Colo. — The gunman believed to have killed four people at a megachurch and a missionary training school had been thrown out of the school a few years ago and had been sending it hate mail, police said in court papers Monday.

The gunman was identified as Matthew Murray, 24, who was home-schooled in what a friend said was a deeply religious Christian household. Murray's father is a neurologist and a leading multiple-sclerosis researcher.

[...]

E depois não é a religião (neste caso o Levítico!) que transforma a cabeça destes desgraçados numa sopa de repressões e de ódios; os muçulmanos é que são violentos. Há dias em que eu estou tão farto destes anormais da imprensa e datelevisão, a discutirem se o candidato evangélico é melhor que o mormon, ou o mormon melhor que o católico... eu acho que ter fé devia ser uma condição de exclusão imediata para os candidatos!

domingo, 9 de dezembro de 2007

Paul Kurtz: «Neo-humanism»

  1. «Neo-humanists are skeptical of traditional theism. They may be atheists, agnostics, or even dissenting members of a church or temple. They think the traditional concept of God is an illusion. They reject such writings as the Bible, the Qur’an, and the Book of Mormon as divine revelations. Their skepticism of the ancient creeds reflects the light of scientific or philosophical critiques of the arguments for God—or, more recently, the scientific examination of the sources of the “sacred texts.” They also criticize the moral absolutes derived from these ancient texts, viewing them as the expressions of premodern civilizations—though they may believe that some of their moral principles deserve to be appreciated in order to understand their cultural heritages. Nevertheless, they consider traditional religion’s focus on salvation in the next life an abandonment of efforts to improve this life, here and now. They firmly defend the separation of religion and the state and consider freedom of conscience and the right of dissent vital. They deplore the view of the subservience of women to men, the repression of sexuality, the defense of theocracy, and the denial of democratic human rights.
  2. Distinctively, neo-humanists look to science and reason as the most reliable guide to knowledge, and they wish to extend the methods of science to all areas of human endeavor. They believe that critical thinking and the methods of reflective intelligence should guide our behavior. Neo-humanists appreciate the arts as well as the sciences, and they draw upon the literature of human experience for inspiration. Neo-humanists, however, seek objective methods of corroborating truth claims, not poetic metaphor or intuition.
  3. Neo-humanists are uniquely committed to a set of humanist values and principles, including the civic virtues of democracy and the toleration of diverse lifestyles. They cherish individual freedom and celebrate human creativity and fulfillment, happiness and well-being, the values of the open pluralistic society, the right of privacy, and the autonomy, dignity, and value of each person. Neo-humanists are no less concerned with social justice and the common good, environmentalism, and planetary ethics. They insist that human beings are responsible for their own destinies and that they need to use intelligence and goodwill to solve problems. They attempt, wherever possible, to negotiate differences rationally and to work out compromises using science, reason, and humanist values.»
  4. (Paul Kurtz)

sábado, 8 de dezembro de 2007

aeroporto na ota, em alcochete, ou na corruptolândia?

«[...] O ex-ministro do Equipamento, João Cravinho, criticou hoje o facto de o Presidente da República ter aceite o estudo patrocinado pela CIP sobre o novo aeroporto de Lisboa, sem que fossem conhecidos os financiadores do documento.

"Num pais decente não é aceitável que os estudos sobre o mais importante investimento estrutural seja financiado por gente que não se quer dar a conhecer", afirmou João Cravinho à margem do seminário "Um aeroporto para um Portugal euro-atlântico", que decorre hoje em Lisboa.

"Acho que o Presidente da República não devia ter recebido o estudo nessas condições e acho que a Assembleia da República não devia ter dado acolhimento a isso", sustentou o ex-ministro do Governo de António Guterres, considerando que "se se quiser lutar pela transparência e contra a corrupção não é por esse caminho" [...]»


(RTP/Lusa 06.Dez.07)

mais sobre lisboa...

«[...] O PSD de Lisboa apareceu a dizer que a dívida a fornecedores não tinha aumentado durante o seu mandato. Que "estiveram a analisar a situação financeira" e concluíram que a dívida tinha, aliás, diminuído [...] Sá Fernandes, por exemplo, fez notar que, de Dezembro de 2001 a Maio de 2007, as dívidas a fornecedores subiram 875%.

Parece que muita gente se esqueceu que nos municípios existem Relatórios de Contas e Demonstrações Financeiras, documentos oficiais, elaborados pelos serviços competentes, que são auditados pelo Tribunal de Contas e que podem demonstrar que alguém está a dizer um enorme disparate.

Segundo, o PSD veio propor que se pagasse a dívida a fornecedores através da venda de património em vez de contrair um empréstimo. Outro disparate. Foi preciso o Heitor de Sousa intervir na Assembleia Municipal (AML) para perguntar o óbvio: Qual é afinal o património que querem vender e a que preço? Só assim é que teríamos as bases mínimas para tomar a proposta como séria. O PSD, naturalmente, não respondeu [...]

[O] essencial é que se vai transformar 360 Milhões de dívidas a fornecedores, de curto prazo e com um juro de mora de 11%, em dívida de longo prazo à Caixa Geral de Depósitos, com um juro que não chega a 5%. A Câmara poupará mais de 59 mil euros por dia, só em juros [...]»


(Bernardino Aranda no Esquerda.Net)

Revista de blogues (8/12/2007)

  1. «Em resumo, o que o Bispo pretende é que o governo do país continue a ser o seu braço secular. Se vier a renunciar a esse papel, lá se vai a salutar laicidade do Estado. Cairá de imediato numa postura de perverso laicismo. Palavra do Bispo Manuel Clemente! É, pois, manifesto que o actual Bispo do Porto confunde manutenção de privilégios eclesiásticos, indevidamente conseguidos num tempo e num regime que foram de Cristandade, com laicidade. E confunde o fim dos privilégios eclesiásticos, que nunca deveriam ter existido, com laicismo. Discernimento, isto? Ou cegueira? Mas pode alguma vez ter discernimento quem, como o Bispo Manuel Clemente, pensa, escreve e reage a partir duma situação de privilégio de casta que não está disposto a perder? (...) O Bispo sabe, como eu sei, que, no mesmo dia em que ser capelão hospitalar deixar de ser financeiramente rentável para os que aceitarem esse cargo, porque o Estado laico teve finalmente a lucidez e a coragem de deixar lhes pagar, e a Conferência Episcopal Portuguesa de modo algum poderá substituí-lo em encargo de tanta monta, as dioceses deixarão de ter padres disponíveis para a função. (...) Felizmente, as mentes mais ilustradas do nosso país já não vão nos estafados malabarismos do Poder eclesiástico.» (Mário de Oliveira no «Diário Aberto».)
  2. «Eu não digo que o André Azevedo Alves me dá vómitos - isso seria, obviamente, gratuito e inaceitável. Os fortes qualificativos que usei resultam de um conjunto de ideias suas que, na minha opinião, o tornam merecedor desses atributos. Posso estar a ser exagerado ou injusto, mas o facto é que não vi isso abordado, de forma explícita, em críticas que fui lendo por aí. A ambiguidade em relação ao PNR, as tiradas boçais em relação a Pinochet, Salazar ou McCarthy, a crueldade e insensibilidade perante o sofrimento alheio (os incontáveis post dele sobre os palestinianos são exemplo disto, como seria a série anti-LGBT), os links “anódinos” sobre a ciência que talvez “mostre” que os pretos são menos inteligentes, não são “meras excentricidades” ou elementos acessórios em relação a uma posição de direita respeitável, séria, educada, bem fundamentada, coerente e intelectualmente “brilhante” que o André Azevedo Alves supostamente representa.» («8/8 Ponto final, sem dramas», no Atlântico.)

Contributo para o estudo do clericalismo na RTP

Mitt Romney: o clericalismo mórmon

  • «Today’s speech by Mitt Romney on the role of religion in American politics reflects an inaccurate understanding of the constitutional relationship between church and state, according to Americans United for Separation of Church and State. (...) “I was particularly outraged that Romney thinks that the Constitution is somehow based on faith and that judges should rule accordingly,“ Lynn said. “That’s a gross misunderstanding of the framework of our constitutional system. “I think it is telling that Romney quoted John Adams instead of Thomas Jefferson or James Madison,” Lynn continued. “Jefferson and Madison are the towering figures who gave us religious liberty and church-state separation. “I was also disappointed that Romney doesn’t seem to recognize that many Americans are non-believers,” Lynn continued. “Polls repeatedly show that millions of people have chosen to follow no spiritual path at all. They’re good Americans too, and Romney ought to have recognized that fact. (...)» (Americans United for Separation of Church and State)

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Controlo dos media pelo Governo, mas em Portugal

  • «O Governo Regional da Madeira decidiu "deixar de gastar dinheiro com a imprensa do continente". (...) Ao proibir a assinatura da "imprensa do continente", porque "é dinheiro mal gasto", Jardim abre duas "excepções: O Diabo, "por motivo de solidariedade editorial", e o Expresso, "por ser o resumo semanal dos principais disparates do rectângulo". O Governo madeirense está a ser investigado pela Procuradoria da República pelo pagamento ao semanário O Diabo de "publicidade que não existiu". (...) [Aquele tribunal] apurou que o executivo de Jardim gastou em 2005 quase cinco milhões de euros com o Jornal da Madeira, o único diário estatizado do país, onde o governante quase diariamente assina um página de opinião.» (Público)
E quase ninguém critica.

Bacelar Gouveia: obviamente, demita-se

Nos jornais das últimas semanas, tem-se assumido sem qualquer pudor que o SIS, o SIRP e até a PSP procedem rotineiramente a escutas ilegais (e inconstitucionais). O que diz a este respeito o presidente do conselho de fiscalização dos serviços de informações? Nada. Diz que não sabe de nada. Jorge Bacelar Gouveia diz que «até à data não detectou violação [da lei]». Sintomaticamente, longe de ser um defensor do direito dos cidadãos à privacidade, Bacelar Gouveia não é sequer neutro nesta matéria; pelo contrário, é um defensor empenhado da legalização das escutas telefónicas efectuadas pelos serviços de informações. Como poderemos confiar neste entusiasta da escuta de conversas alheias para «fiscalizar» as escutas telefónicas?

Perante os factos afirmados nos jornais, das duas, uma: ou Bacelar Gouveia sabe o que se passa e mente quando nega que haja escutas, ou não sabe e é incompetente para o cargo. Seja mentiroso ou seja incompetente, Bacelar Gouveia deveria demitir-se.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

ainda lisboa...

«[...] O episódio da votação do empréstimo na Câmara de Lisboa revelou o novo estilo do PSD. Caceteiro, ameaçador, contraditório, ignorante.

Caceteiro: os deputados municipais não têm direito sequer a formularem a sua opinião na reunião do partido, e não podem submeter a votação interna as diversas propostas. Ameaçador: o presidente da distrital lembrou aos interessados que dentro de um ano estará a fazer as novas listas e que não se esquecerá de quem não obedeceu a instruções. Contraditório: o presidente da Câmara mais endividada do país preocupa-se com o aumento da dívida de Lisboa, que serve para pagar a despesa feita por duas presidências PSD em Lisboa. Ignorante: o PSD adverte que o empréstimo aumenta o défice registado, ignorando que a transferência da conta de dívidas a terceiros para a conta de dívidas à banca deixa o défice exactamente na mesma [...]

Tudo se negoceia, com Meneses. Na segunda-feira, são 200 milhões, na terça-feira já são 400 milhões. Na campanha interna, é acabar com o pacto da justiça, depois de eleito tem dias - de manhã acaba-se com o pacto, à noite salva-se o pacto, entretanto negoceiam-se outros pactos. Tudo são ameaças, fugas, insinuações [...]

O estilo Meneses é o velho estilo do "agarrem-me senão eu vou-lhe bater". Mas agarrem-me depressa [...]»


(Francisco Louçã no Esquerda.Net)

O bom ditador

  • «Pervez Musharraf embarked on a new five-year term as a civilian president Thursday, promising to lift a state of emergency by Dec. 16 and restore the constitution before January elections (...) But having purged the Supreme Court of judges who might have blocked his plan to continue as president, the U.S.-backed leader has moved quickly to ease a wave of repression that saw thousands of opponents jailed and all independent news channels gagged. The inauguration ceremony came a day after he ended a four-decade military career as part of his long-delayed pledge not to serve as both president and army chief. The post enabled him to topple Sharif in a 1999 coup and hold on to power for [eight] years. (...) "This is a milestone in the transition of Pakistan to the complete essence of democracy," Musharraf told an audience of government officials (...) During his inaugural speech, Musharraf sought to justify the state of emergency, during which he purged the Supreme Court just as it was about to issue a verdict on the legality of his continued rule. The retooled court last week gave its stamp of approval. (...) "I personally feel that there is an unrealistic and maybe an impractical or impracticable obsession with your form of democracy, with your form of human rights, civil liberties," Musharraf said, claiming to speak for developing countries everywhere. (...) "We will do it our way as we understand our society, our environment better than anyone in the West," he said.» (Yahoo News)

Convém não esquecer que o Paquistão é um dos dois Estados centrais do terrorismo islamista (o outro é a Arábia Saudita), serve de base (territorial e de recrutamento) à Al-Qaeda e aliados, tem a bomba nuclear, 170 milhões de habitantes, as instituições de ensino dominadas por diversas facções islamistas, tradição de tutela sobre o Afeganistão, e hostilidade hereditária com a Índia. O presidente Musharraf, no poder desde o golpe militar de 1999, tem ainda a característica deliciosa de mudar a Constituição por decreto, a seguir ao jantar:

  • «Late Wednesday, Musharraf decreed new amendments to the constitution using powers he said he has under the emergency. One of the amendments states that his decisions cannot be challenged by any court and will be considered "always to have been validly made."» (Yahoo News)

Portanto está protegido quanto à sua declaração de estado de emergência, que era inconstitucional antes do jantar. Com um dos líderes da oposição (Sharif) a só entrar no país quando Musharraf deixa (em Setembro mandou os seus homens ao aeroporto deportá-lo, contrariando uma decisão do Supremo Tribunal, agora permitiu-lhe voltar), e com a outra líder oposicionista em detenção domiciliária (Bhutto), Musharraf tem o caminho desimpedido. Tem invocado o extremismo islamista como desculpa para todas estas medidas de excepção, mas ter confrontado políticos não islamistas como Sharif e Bhutto, em vez de procurar trabalhar com eles, não é propriamente um sinal de que projecte um futuro democrático ou minimamente plural (segundo as últimas notícias, impediu Sharif de concorrer às eleições). Não esqueçamos que foi a clique militares/ISIS que apoia Musharraf que planeou, armou e financiou a conquista do Afeganistão pelos Talibã.

Na minha ingenuidade, sempre pensei que um tipo que subiu ao poder através de um golpe de Estado militar, altera a Constituição por decreto, demite juízes do Tribunal Supremo quando não lhe agradam, fecha sistematicamente os jornais da oposição, dispersa manifestações à bala e prende estudantes, mantém fora do país os líderes da oposição, impede-os de concorrer a eleições, e só permite que se vote nestas condições, fosse considerado um ditador. No entanto, parece que quem preocupa os portugas é Chávez. Portanto, desculpai a interrupção. Voltem lá ao Chávez. Esse é que é mesmo um ditador dos maus. Pelo menos, segundo a actual definição ideologicamente orientada de «ditador»: retórica anti-americana, políticas sociais social-democratas, e eleições regulares.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Revista de blogues (4/12/2007)

  1. «Será que entendo bem a democracia portuguesa quando acho que existe uma separação entre o poder politico e o judicial, que quem manda fazer as escutas é o poder judicial, ou seja, um juiz... mas quem autoriza é o poder politico, ou seja, o primeiro-ministro!? O PGR diz não ter controlo sobre as escutas. O Governo avança entretanto com a ideia de autorizar o SIS, a secreta lusa, a fazer escutas telefónicas... continuamos a falar de separação de poderes!? O Governo do Zé diz que é preciso mais equilíbrio, que não pode ficar só nas mãos dos juízes o poder das escutas. É para o bem da segurança nacional, contra o terrorismo e tal...» («O SIS à escuta, ruídos no telefone do Procurador-Geral e os detectives privados da judite», no Posso falar?)
  2. «Resta-nos saber, a nós, cidadãos comuns, quem controlará essas escutas, quem controlará o SIS, quem controlará os abusos, que de uma forma ou outra, acabarão por surgir? Mas o pior ainda está para vir, pois sobre o mesmo ideal, que era em defesa do estado a PIDE/DGS, tinha livre arbítrio para decidir quem prender, quem torturar, quem manchar o nome, enfim, tinha a faca e o queijo, com a conivência claro está do estadista, esse iluminado que deixou Portugal atrasado em mais de quarenta e tal anos. Não posso, deixar de me manifestar contra aquilo a que sob o pretexto de que Portugal estará sob ameaça Terrorista, o SIS, ou outro organismo qualquer, a vigiar o que dizemos ou sequer pensámos.» («SIS, e as escutas», no Democracia em Portugal?)

Rumo ao Estado policial?

Escutar as conversas telefónicas de quem não cometeu crime algum é violar a privacidade alheia. É uma prática própria de Estados totalitários e de mentes doentes, perversas e mesquinhas. Infelizmente, alegando o perigo vago de atentados terrroristas, vai-se generalizando em Portugal a defesa da legalização das escutas efectuadas pelos serviços de informações (SIS e SIRP). Alberto Costa é quem mais se tem destacado na presente campanha pela redução da esfera de privacidade dos cidadãos, ao ponto de defender a revisão da Constituição da República.
Estas medidas começam sempre numa atmosfera de esplêndido consenso. Actualmente, o pretexto é o terrorismo islamista. Mas, não nos enganemos: se cair a protecção constitucional ao direito dos cidadãos a não terem as suas conversas escutadas, não serão apenas os dois membros da Al-Qaeda que se cruzam em Portugal a serem escutados. Logo a seguir serão os da ETA, depois os dirigentes sindicais ou associativos e, no limite, os líderes da oposição ou qualquer desgraçado que se atravesse no caminho de um agente do SIS.
«Artigo 34.º (Inviolabilidade do domicílio e da correspondência)
1. O domicílio e o sigilo da correspondência e dos outros meios de comunicação privada são invioláveis.
(...)
4. É proibida toda a ingerência das autoridades públicas na correspondência, nas telecomunicações e nos demais meios de comunicação, salvos os casos previstos na lei em matéria de processo criminal.»
A História mostra que quando o Estado invade a esfera privada dos cidadãos, é necessário retirá-lo de lá pela força. Portanto, é melhor deixarem o artigo 34º como está.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

a democracia nos tempos da ditadura?

na europa "democrática" não se leva a constituição a referendo (mudando-se-lhe o nome para "tratado") e não se respeitam os resultados eleitorais de referendos anteriores (frança e holanda). na "ditadura" venezuelana, alterações constitucionais vão a referendo e o "ditador" chávez compromete-se a respeitar o resultado que lhe é negativo... hummm, estou a perceber mal ou será que as palavras democracia e ditadura já não querem dizer o mesmo?... neste caso, será o durão barroso ditador ou democrata? hummm...

a ditadura nos tempos da democracia?

«[...] Vestido com uma camisa encarnada, Hugo Chávez afirmou, no seu discurso de derrota: "Agradeço a quem apoiou o caminho que traçámos em direcção ao novo socialismo, mas igualmente a quem votou contra. Mostraram ao mundo, e a si mesmos, que a Venezuela é uma democracia viva. Agora, do coração, vos peço que esqueçam os saltos para o vazio (conspirações) e se unam a nós na construção de um país melhor".

O Presidente indicou ainda que lhe foi difícil reconhecer o resultado, quando ainda faltava uma percentagem de votos por contabilizar: "Pensei por um momento que, dada a escassa margem de vantagem do adversário, podia haver uma reviravolta a nosso favor. Mas logo decidi que antes de mais está a união da Venezuela e actuei segundo me ditava essa consciência" [...]»


(PÚBLICO.PT/Lusa 03.12.2007)

ainda bem que chávez não se calou hoje, pois, com as suas palavras, e talvez mais a monárquicos que a republicanos, mostrou como se deve estar na democracia. sem mais.

domingo, 2 de dezembro de 2007

Corolário

Só para ilustrar o meu texto: a propaganda vendida aos cidadãos sob a forma de 'documentário'. Depois daquele memo o mundo nunca mais foi o mesmo.

O memo de Lewis Powell

Há dois anos escrevi isto no meu blog, mas como acho que alguns dos leitores do R&L não leram, aqui vai, pela actualidade e relevância (acho eu):

Há muitos anos – nos anos 80 – ouvi Gore Vidal referir pela primeira vez este memorando e as consequências que ele trouxe para a ordem económica e política mundial.

Perante a revolta geral contra o capitalismo selvagem da Guerra Fria e os crimes perpetrados pelo governo americano em defesa dos interesses das grandes empresas na América Latina, a guerra do Vietnam, etc., a direita percebeu que a guerra ideológica podia estar perdida. Lewis Powell escreveu isto em 1970:

“The most disquieting voices joining the chorus of criticism come from perfectly respectable elements of society: from the college campus, the pulpit, the media, the intellectual and literary journals, the arts and sciences, and from politicians.”

Perante esta situação de descrédito geral da direita e do sistema capitalista o Juiz do Supremo Lewis Powell avançou propostas muito concretas no célebre memorando:

“Business pays hundreds of millions of dollars to the media for advertisements. Most of this supports specific products; much of it supports institutional image making; and some fraction of it does support the system. But the latter has been more or less tangential, and rarely part of a sustained, major effort to inform and enlighten the American people.”

ou

“Under our constitutional system, especially with an activist-minded Supreme Court, the judiciary may be the most important instrument for social, economic and political change.”

Vale a pena ler. E vale a pena ler o balanço feito 35 anos depois por George Lakoff da Universidade de Berkeley.

A resposta da direita incrivelmente eficaz: criaram-se fundações para financiar posições específicas para professores de direita nas melhores universidades, para financiar “think tanks” e especialistas de marketing, para financiar campanhas publicitárias, editoras, rádios, jornais e televisões. Pouco a pouco, utilizando técnicas de propaganda milenárias (repetição, “framing”, etc.), a direita foi acusando os campus universitários, as editoras, os jornalistas e os políticos de simpatias esquerdistas inaceitáveis e conquistando posições, uma após outra. Enquanto que o número de professores universitários de esquerda se mantem firme fora das escolas de economia e gestão, o número de jornalistas com cursos superiores diminuiu constantemete desde os anos setenta até hoje. Hoje seria impensável um escândalo como o de Watergate. Em vez disso, entre 1996 e 2000, assistimos ao escândalo inaudito da perseguição dos media ao presidente Clinton.

Memorial ao massacre de 1506

A Câmara Municipal de Lisboa tem protelado a votação do projecto de memorial ao massacre de 1506 (cerca de 3000 mortos em três dias, vítimas da intolerância anti-judaica e de uma multidão acicatada por frades e marinheiros estrangeiros). Está a correr uma petição para que a CML não esqueça o projecto (assinar aqui).

Pessoalmente, considero que seria da maior importância que o pior massacre por razões religiosas que teve lugar em Portugal fosse assinalado por um memorial no local devido (o Largo de S. Domingos, onde tudo começou). Espero que o projecto não seja apropriado por nenhuma confissão religiosa ou grupo de confissões religiosas, e que celebre os valores que permitem a convivência entre todos os cidadãos: tolerância e laicidade.

sábado, 1 de dezembro de 2007

Os media

Os media são um circo e os jornalistas são meros palhaços, contratados para dizerem e escreverem o que os donos deles quiserem: o terrorismo, a febre aviária, etc.

Mas há uma coisa que me faz pena. Quando eu vou fazer ginástica há seis ecrans na parede e eu gosto de ver, sem som, as expressões e os esgares deles.

Admito que alguns são bovinos e contentinhos, e nunca se questionaram na vida: há quatro anos repetiam as mentiras da Casa Branca sobre as WMDs com o mesmo entusiasmo com que hoje dizem que Bush é um mentiroso e um incompetente.

Mas às vezes vê-se uma centelha de inteligência nos olhos deles e percebe-se que eles têm consciência de se estarem a prostituir. E eu fico a pensar nos calos que eles devem desenvolver e nas justificações que eles devem dar uns aos outros por se andarem a vender.

Anormais

Eu não sei se as outras pessoas são assim, mas eu sinto uma certa volúpia a ver os anormais da extrema-direita no Youtube. Bill Hicks dizia que era como se quando tivessemos uma dor de dentes não conseguissemos deixar o dente em paz, e fossemos lá com a língua a toda a hora.

Mas ontem estive uma hora inteira no Youtube a ver clips com a Ann Coulter, o Sean Hannity, o Bill O'Reilly, o Rush Limbaugh e o Dennis Miller, esse comediante sem talento, que só tem emprego porque é de extrema-direita.

Inacreditável! Na I Guerra Mundial os americanos fizeram testes de QI aos soldados e descobriram que quase metade da população (48.75%) tinha uma idade mental de 12 aos ou menos. Ideias como a Reader's Digest partiram desta constatação quase imediatamente: os atrasados mentais são um mercado giganstesco!

E estes comentadores políticos são o produto de uma ideia ainda mais perversa (que explorar económicamente os anormais): usar os anormais para fins políticos.

A frase do jovem Bush, que na campanha eleitoral do pai disse a um assistente que se podia ganhar as eleições só com o voto dos evangélicos, é isto mesmo. Estes anormais (Coulter, Hannity, Miller, etc.) são empregados pelos oligarcas para reforçarem as convicções imbecis da populaça na rádio e na televisão. Todos os dias, todo o dia.

Isto é que é o "mundo livre" dos neocons.

Bentinho, Bentinho...

Li esta semana no Monde que o papa emitiu uma fatwah contra os ateus.

Eu acho que ele não se devia meter connosco. Devia ir discutir com os judeus e os muçulmanos e os hindus, contarem as superstições pessoais uns aos outros, discutirem quais é que são os deuses que lavam mais branco, etc.

E deixarem as pessoas com uma idade mental superior a 12 anos em paz. :o)

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Lisboa ingovernável?

  • «O presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML), António Costa, não excluiu ontem a hipótese de se demitir do cargo, caso o PSD, com maioria absoluta na Assembleia Municipal, decida, na próxima terça-feira, chumbar o empréstimo de 500 milhões de euros que o executivo pretende contrair, junto da Caixa Geral de Depósitos, para pagar as dívidas aos fornecedores e reequilibrar a situação financeira do município. A ameaça foi deixada, numa declaração aos jornalistas, depois de os vereadores do PSD terem votado contra a proposta ontem aprovada em reunião de Câmara.» (Jornal de Notícias)
As consequências de se fazerem eleições para a vereação mas não para a Assembleia Municipal eram previsíveis: ter maiorias contrárias no executivo e na Assembleia. Se não tiverem todos juízo, Lisboa terá pela frente dois anos de instabilidade.

Democracia e amor cristão

Um amigo meu, católico, decente e culto, estava-me a contar que o pároco da paróquia dele, em San Antonio, TX, passava a vida a falar de justiça (que não deve ser confundida com o direito infantil à vingança), solidariedade, tolerância, respeito pelos outros e consciência social. Era o terror dos paroquianos! Queixas e sugestões repetiam-se todas as semanas.

Os paroquianos exigiam o direito de não serem incomodados com essas coisas ao fim de semana e pediam-lhe que falasse de coisas “positivas”, que os fizessem sentir bem: as coisas boas que Deus dá aos habitantes de paróquias ricas.

E o pobre homem, revoltado, cedia, para não ver a igreja vazia.

Esta pequena história, que se deve repetir em todas as paróquias do primeiro mundo onde há um padre decente – e eu admito que não sejam muitas :o) – explica de forma eloquente a atitude da igreja católica ao longo da História.

Mesmo que o sistema organizacional da ICAR premiasse os melhores e a hierarquia acabasse por ser constituída por estudiosos que percebessem as implicações morais da filosofia que embebe muitos dos textos do Novo Testamento, as classes altas que criaram a ICAR e a usam (seja para limparem a consciência ou fazer lobby político) nunca permitiriam que as ideias do Novo Testamento destruíssem o status quo e dessem ideias de justiça à populaça.

Sempre que a religião inspirou uma nesga de moral num grupo religioso a hierarquia tratou de resolver o problema com rapidez e eficiência: os albigenses, os cátaros, os protestantes...

Os franciscanos sobreviveram porque o núcleo duro vinha da classe mercantil, pertencia a famílias com influência política, e porque no fim cederam e aceitaram tornaram-se inócuos.

Aqui em território evangélico o problema resolveu-se limpando da Bíblia as modernices do Novo Testamento. Aqui acredita-se que Deus ajuda quem se ajuda a si próprio e que portanto os pobres são pobres porque querem, e merecem a pobreza neste mundo e o inferno no próximo.

irá alguém tomar as medidas que se impõem?

«[...] Fátima Felgueiras pagou parte das despesas do exílio no Brasil com dinheiro da câmara municipal de Felgueiras [...]

O último pagamento foi feito já neste ano e totaliza 22 mil euros [...]

Os documentos citados pelo Correio da Manhã demonstram que a autarca assinou cheques da câmara para se pagar a si própria ou aos advogados que a representam, despesas no valor de centenas de milhares de euros [...]

Mesmo nos casos em que foi condenada a pagar custas judiciais, ou seja, em recursos perdidos, Fátima Felgueiras apresentou as despesas à autarquia [...]»


(TSF 29.11.07)

afinal, também a incompetência não tem limites!

«[...] Carlos Carreiras disse à TSF que António Costa está a assumir que não tem capacidade para governar a autarquia [...]

Para o líder da distrital do PSD, as dívidas da autarquia vêm ainda do tempo do socialista João Soares, sendo que os primeiros grandes credores são as empresas municipais e inter-municipais [...]»


(TSF 29.11.07)

portanto o que este senhor diz é que quando o psd pegou na câmara (primeiro com santana, depois com carmona), em vez de se debruçar sobre os problemas financeiros da mesma ---por exemplo, acertando as dívidas por pagar---, foi fazer outra coisa qualquer que, embora não se saiba muito bem o que tenha sido, passou por criar mais uma série de dívidas que "passaram a outro e não ao mesmo"... aqui está mais um belo exemplo de gestão autárquica (parece ser um sinal dos tempos), onde a incompetência própria é claramente assumida por um líder do psd, aos microfones da tsf!

AC Grayling: «Compounding the issue»

  • «(...) philosophy is a very different business from either religious studies or theology. Philosophy is enquiry, critical and open-ended enquiry, in which examination of evidence, assumptions, claims, methods and motivations is conducted according to the public and challengeable discipline of reason. As a subject of study "religion" admits of historical and sociological investigation, both empirical enquiries. "Theology" turns on the assumption that there is something for it to be about (god or gods), rather as "astrology" turns on the assumption that distant stars and galaxies influence whether you are impatient or sexy or keen on travel. These two -ologies have as much credibility as each other, but the latter usually does less harm than the former. Neither merits bracketing with philosophy, any more than the study of demon possession as a source of disease is bracketable with medicine. (...) But the key point is that ethics is a matter for everyone. The question of how one should live, what one's values should be, what is worthwhile and what is unacceptable in our relationships with each other, and what matters most in our conduct and our aims, is a vital matter on which everyone should reflect. The various religions have their various (and often competing) views on these matters, and are entitled to put them; but they do not own them or even have particularly interesting, still less plausible or constructive, things to say about them - often rather far from it. The reflex running together of the words "religion and morality" as if religion has some sort of special lien, or even monopoly, on the subject of morality is part of the problem, not part of the solution, in our contemporary world. Once we disjoin the words in this unreflectively reflex conjunction, we will make better progress with thinking about what is required for the living of good individual lives in good societies.»

(AC Grayling no The Guardian.)

A guerra inter-galáctica contra o Natal

O Filipe tem razão. Como membros empenhados da conspiração secularista que visa extirpar o cristianismo da Europa (e do resto do universo conhecido e por conhecer), com o propósito secreto de a tranformar num feudo ateísta-islamista (1), deveríamos declarar guerra ao Natal (2), e portanto organizarmo-nos para espalhar piri-piri nas óstias da missa do galo, cortar o fornecimento de papel de embrulho, e espalhar boatos sobre as preferências sexuais do Pai Natal.

Mas, pensando melhor, o relacionamento entre os religiosos e os anti-religiosos deve ser como aquela célebre conversa em que o masoquista diz para o sádico:
-Faz-me mal.
E o sádico responde:
-Não faço, não faço...

Efectivamente, quando se adere a uma religião como a cristã, na qual o mito central é um episódio de perseguição religiosa que termina com o herói a ser humilhado e morto, não há nada que facilite mais a identificação do crente com o seu ídolo do que sentir-se perseguido, nem que seja apenas temporariamente. E a pior desfeita que podemos fazer aos cristãos é, por isso mesmo, não lhes fazer guerras. Um cristão sem se sentir vítima nem se sente cristão. Portanto Filipe, vamos tomar uma bebida quente, e esperar que eles comecem com aquela choraminguice do costume, a queixarem-se que quem não celebra o solstício à moda deles está a persegui-los, que se cruzam na rua com pessoas que dizem «boa tarde» e não «santo Natal na paz do Ratzinger», que se não há um presépio em cada esquina é porque querem extinguir o «Deus» deles, etc. Algo me diz que a festa está prestes a começar (3).

(1) Há mesmo quem acredite nisto. Juro.
(2) Ver alguns episódios da saga do ano passado aqui e acolá.
(3) António Marujo, estou a falar contigo, rapaz.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Barroso Nobel da Paz

Sabemos bem que a economia é uma coisa muito séria e que Barroso não tem tempo para estas coisas das 'externalidades' e dos 'danos colaterais'. Mas eu acho que era educativo se os filhos dele alguma vez vissem esta fotografia pensassem se a vaidade, a ambição política e a ganância do papá justificam isto, que tirei da e-ko.

Austrália


Pergunto-me se o Howard terá consciência de quanto o mundo o despreza por ter sido o capacho de Bush e se perceberá as atrocidades com que pactuou...

O estalinismo ainda existe

  • «O PCP expulsou a deputada Luísa Mesquita, acusando-a de "incumprimento de princípios estatutários" e de "afrontamento ao partido". Luísa Mesquita, que recusou ser substituída no parlamento em Novembro de 2006, acusa o PCP de mentir e de a ter tentado "comprar" quando em troca lhe ofereceu "um emprego na Península de Setúbal". (...) Sobre o alegado incumprimento dos estatutos, a deputada acusou o PCP de a ter enganado, uma vez que lhe foi garantido pela direcção partidária que se se recandidatasse nas eleições de 2005, seria para cumprir o mandato até 2009.» (Esquerda.net)

República da Austrália?

  • «O primeiro-ministro eleito da Austrália, Kevin Rudd, e a vice-primeira-ministra Julia Gillard, a primeira mulher a alcançar este cargo, apesar de ser uma imigrante, oriunda do País de Gales, não perderam tempo. Se bem que ainda não tenham tomado posse, já deram claramente a entender que tencionam ratificar o Protocolo de Quioto, retirar gradualmente as tropas destacadas no Iraque e organizar um referendo sobre se o país deve continuar a respeitar a rainha Isabel II como chefe de Estado. A alternativa seria a proclamação da República, conforme há cinco meses foi admitido pelo líder trabalhista, sendo uma das aspirações de parte da população.» (Público)

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

só a estupidez não tem limites... parte 2

«[...] O líder da Juventude Centrista apontou hoje o presidente do Grupo Parlamentar do PCP, Bernardino Soares, como um dos principais protagonistas dos "distúrbios revolucionários" do "Verão Quente" de 1975, altura em que tinha apenas quatro anos [...]

Pedro Moutinho disse ser preciso "apontar com frontalidade" alguns dos principais responsáveis por actos como os "sequestros e incêndios às sedes do CDS-PP logo após a revolução de Abril de 1974 e que continuam hoje no activo [...] Falo também das bombas das FP 25 de Abril e políticos actuais como [...] Bernardino Soares" [...]

[O] actual líder parlamentar do PCP, Bernardino José Torrão Soares, nasceu no dia 15 de Setembro de 1971, tendo por isso quatro anos quando se deu o 25 de Novembro de 1975.

Já em relação às Forças Populares 25 de Abril - organização citada pelo líder da JC como estando na mesma linha política do Movimento das Forças Armadas -, não consta nenhum registo de que tenham actuado em 1975 [...]»


(SAPO/LUSA 25.11.2007)

(via Verdade ou Consequência)

domingo, 25 de novembro de 2007

Guerra ao Natal

Estava aqui a pensar que esta é a altura do ano em que precisamos de começar a planear a Guerra ao Natal!

O que é que havemos de fazer este ano para atacar o Natal? Poder-se-á alargar a guerra ao Hanukah? E ao Kwanza?

Podia-se acusar o Pai Natal de ter tendências socialistas: a dar presentes ao pobrezinhos que se portam bem!

Ou fomentar a inveja e a discórdia entre o Pai Natal e o Menino Jesus! Diziamos que eram as regras do mercado, a concorrência, etc.

Ajudem-nos! Aceitam-se ideias!

Viva o Solstício!

Hugo Chavez

Ontem falei com a minha mãe, que estava toda contente porque parece que o rei de Espanha mandou calar “o ditador”.

Eu lembrei à minha mãe que o rei de Espanha nunca foi eleito e que Chavez o foi muitas vezes, com dois terços dos votos, mas ela já não me estava a ouvir. Recomendei-lhe que não se esquesse de votar sempre na direita, onde mandar o padre, porque o Paulo Portas e o Durão Barroso adoram velhinhas e nunca perdem uma oportunidade para lhes aumentarem as pensoes de reforma quando se apanham no poder...

Mas voltando a Chavez, a máquina da propaganda fez dele “um tirano”, quando ele foi sempre eleito e reeleito, e tem o apoio de dois terços da população.

Democratas como Blair, Aznar e Barroso – que participaram na invasão do Iraque com a intenção única de lhes roubar os recursos naturais e chacinaram mais de 1.000.000 de inocentes contra a vontade dos eleitores dos respectivos países – decidiram que é assim.

Chavez pode ser um homem de origens humildes e portanto pouco educado, mas não é um tirano. As mentiras, os golpes de estado, as tentativas de assassinato, a máquina de calúnias organizada que a cleptocracia montou vão certamente levá-lo a perder a cabeça um dia e a fazer algo estúpido, que depois justifique as acusaçoes de Bush e Blair.

Mas para quem se quer dar ao trabalho de tentar saber a verdade, Chavez escreveu e disse coisas interessantíssimas sobre um possível futuro para a América Latina onde haveria lugar para a paz, uma classe média, democracia, preocupaçoes ambientais, sustentabilidade, etc.

A pressão que a extrema-direita tem posto sobre ele, as calúnias,os insultos, as provocaçoes, tornam cada vez mais implausivel - porque desumana - a possibilidade de ele não reagir com brutalidade um dia destes.

E pronto. Fica o problema resolvido. A CIA assassina-o (dessa vez não falha como na última vez), a Europa aplaude, a cleptocracia venezuelana retoma o poder e nós podemos voltas todos para a cama, sabendo que o mundo com eles no poder fica muito melhor...

Os fortes têm esta prerrogativa: podem acusar os inocentes, julgá-los, condená-los e entregá-los à História com as mentiras que lhes convierem melhor. Ninguém vai ver como as coisas foram de facto.

sábado, 24 de novembro de 2007

RTP 1, 21 horas

Hoje, o programa «A Voz do Cidadão» (organizado pelo Provedor dos telespectadores da RTP) será sobre religião. Às 21 horas no canal RTP 1, e às 19h44m no RTP Internacional, com repetição amanhã às 14h45m no RTP 2, e às 19h45m no RTP N. Vamos ver.

Mais boas notícias

Howard perdeu as eleiçoes! :o)

Um a um os aliados de George W vão sendo confrontados com a realidade: Aznar, Blair, os manos polacos, agora Howard. Só os holandeses (e o Ramos Horta) é que ainda não perceberam...

só a estupidez não tem limites...

«[...] O presidente da República de Timor-Leste, José Ramos Horta, vai propor hoje a nomeação do José Manuel Durão Barroso para Prémio Nobel da Paz, revelou à Agência Lusa fonte oficial da presidência timorense [...]»

(PÚBLICO.PT 24.11.2007)

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Socialismo para os ricos, capitalismo para os pobres

No Ladroes de Bicicletas, a velha história:
para os ricos há mais compreensão.

Vale a pena relembrar aqui a canção de Tom Paxton: :o)


I'm Changing My Name to Chrysler

by Tom Paxton


Oh the price of gold is rising out of sight
And the dollar is in sorry shape tonight
What the dollar used to get us
Now won't buy a head of lettuce
No the economic forecast isn't right
But amidst the clouds I spot a shining ray

I can even glimpse a new and better way
And I've demised a plan of action
Worked it down to the last fraction
And I'm going into action here today

CHORUS:
I am changing my name to Chrysler
I am going down to Washington D.C.
I will tell some power broker
What they did for Iacocca
Will be perfectly acceptable to me
I am changing my name to Chrysler
I am headed for that great receiving line
So when they hand a million grand out
I'll be standing with my hand out
Yes sire I'll get mine

When my creditors are screaming for their dough
I'll be proud to tell them all where they can all go
They won't have to scream and holler
They'll be paid to the last dollar
Where the endless streams of money seem to flow
I'll be glad to tell them what they can do
It's a matter of a simple form or two
It's not just renumeration it's a liberal education
Ain't you kind of glad that I'm in debt to you

CHORUS

Since the first amphibians crawled out of the slime
We've been struggling in an unrelenting climb
We were hardly up and walking before money started talking
And it's sad that failure is an awful crime
Well it's been that way for a millenium or two
But now it seems that there's a different point of view
If you're a corporate titanic and your failure is gigantic
Down to congress there's a safety net for you

CHORUS

©1980 Accabonac Music (ASCAP)

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

números: os políticos, os empresários e o ensino

Acho que aquele guru que o Cavaco contratou - Porter - disse em privado que os políticos portugueses (os tecnocratas que o Cavaco fez ministros na altura) não eram melhores nem piores que os dos outros países todos da Europa, mas que quase não havia em Portugal empresários educados.

Segundo ele os empresários portugueses era uma data de aldraboes de feira, incapazes de pensar a longo prazo e de cooperarem com quem quer que fosse, estabelecer estratégias, cumprir promessas, etc. Na versão que me contaram falou-se no "dilema dos malfeitores": antes irem presos que cooperarem.

E o ensino era um problema ainda mais curioso porque, segundo ele, desencorajava os estudantes em relação aos riscos, matava a iniciativa, preparava-os para serem trabalhadores por contra de outrém ( ainda a Contra-Reforma).

Desde que o Cavaco foi PM as coisas só pioraram. Sofremos a tragédia do Guterres – o maior incompetente que jamais governou Portugal (e em quem eu votei!) – e as desgraças que se seguiram, até o PM Barroso desertar, vender-nos por uns trocos, e deixar-nos com Santana Lopes, o PM inimputável, e o Paulo Portas, presidente do partido da homofobia...

Não se deve, em nome da justiça, comparar os ministros cavaquistas com os populistas que hoje infestam os partidos. O Ministro da Defesa de Cavaco era um tonto que ia a uma vidente “muito boa” – a que viu o “Bolama” em Cabo Verde – e o das Finanças fazia especulaçoes com as reservas. Mas não eram cínicos, tinham um projecto e queriam mudar as coisas, deixar um país melhor aos filhos.

E comparados com os ‘boys’ do Guterres eram uns meninos de coro, os políticos mais honestos que Portugal alguma vez viu (tirando o SEC, bem entendido). :o)

Mas esse PSD desapareceu. Hoje é uma massa informe, uma Jota que não cresceu, que não tem ideias, que nos anos ‘80 dava na coca e agora anda a prosac, uma escumalha sem vergonha, sem alma, sem coluna vertebral, sem cultura e sem educação, governada por uns neocons de fabrico nacional, muito mais sinistros que os originais, os neonazis aqui do partido republicano.

Neste contexto, as afirmaçoes destes políticos sobre o ensino, o desemprego, a economia, a política externa, etc., são infelzimente naturais...

E a universidade? Nas humanidades é um sistema que se auto-replica e que não se imagina que um dia mude, ainda dividido entre os saudosos do salazarismo e os PCs de gravata.

Nas ciências exactas os doutorados em universidades estrangeiras estão a mudar o sistema para melhor.

Os empresários continuam a ser cada vez menos, mais ricos e sempre boçais, iguais a si próprios.

números? quais números?

andava outro dia luís filipe menezes histérico com o aumento do desemprego entre os licenciados... sem querer minimizar o problema do desemprego em portugal, acho que convém olhar para os números antes de debitar (mais uma) parvoíce:



oh luís, parece que não, mas quem tem curso é que se safa melhor! e esta, hem?!

(via Esquerda.Net)

"meu nome é hipócrita... paulo hipócrita"

«[...] No seu artigo no jornal Sol, Paulo Portas indignou-se este fim-de-semana contra Hugo Chávez. Diz que «quer ser um presidente vitalício» e que é «um ditador anunciado e só não vê quem não quer». Que «prende opositores» e «fecha televisões» [...]

[N]a Tunísia, a liberdade de expressão e associação são uma miragem, vários membros da União dos Jornalistas Tunisinos são regularmente intimidados e presos pela polícia. Centenas de pessoas estão presas por delito de opinião, algumas há mais de 14 anos. Há relatos de tortura nas prisões. Os activistas das organizações de defesa dos direitos humanos e da oposição são presos e espancados. Não há independência do sistema judicial, apesar dos repetidos protestos de advogados e defensores dos direitos civis, que pagam pela sua ousadia. Depois de 22 anos de poder, garantidos por farsas eleitorais, um referendo a uma emenda constitucional acabou com a limitação de mandatos para o senhor Ben Ali [...]

Quem esteve, uns dias antes de escrever o seu artigo no “Sol”, no Congresso da União “Democrática” Constitucional, dirigida com mão de ferro pelo senhor Ben Ali? Nada mais nada menos do que Paulo Portas, que não gosta de referendos a emendas constitucionais que acabem com limites de mandatos se forem na Venezuela, mas não o incomodam se forem na Tunísia, que não gosta que se encerrem televisões na Venezuela, mas a prisão de jornalistas na Tunísia não merecem o seu incómodo, que se indigna com futuros ditadores mas aplaude ditadores de longa data. Paulo Portas tem pouco critério na sua indignações e nenhuma autoridade. Não se limitou a ficar calado. Esteve lá, no Congresso do partido do ditador [...]»


(Daniel Oliveira no Arrastão, 20.11.2007)

República e sufrágio universal

Acho especialmente divertido o fervor sufragista que os monárquicos agora manifestam (quando querem criticar a República). Quem os levasse a sério haveria de concluir que defendem o direito de voto de todos os imigrantes residentes há pelo menos um ano, que querem o alargamento do recenseamento eleitoral para os dezasseis anos, etc... E que pensam que a monarquia estaria, em 1910, a preparar-se para universalizar o sufrágio e atribuir o direito de voto às mulheres.

Foi durante a República implantada em 1910 que as associações feministas tiveram pela primeira vez algum apoio político. E foi durante a República que se suprimiu do Código Civil a obrigação da mulher de obediência ao marido (artigo 1185º no Código Civil da monarquia), se legalizou o divórcio pela primeira vez, aliás equiparando o adultério masculino ao feminino como causa para separação, e dando à mulher, por exemplo, a possibilidade de publicar sem autorização do marido. Aos inegáveis avanços nos direitos civis das mulheres, não corresponderam, infelizmente, avanços significativos nos seus direitos políticos (apesar de ter sido em 1911 que pela primeira vez votou uma mulher em Portugal - Carolina Beatriz Ângelo).

BE: a dialéctica poder/oposição

Para quem pensava que o BE viria a ser um pacato partido do «arco da governação»:

  • «O deputado Heitor de Sousa, do Bloco de Esquerda (BE), [ameaçou] romper o acordo com o PS no executivo camarário. Uma posição contrariada pelo vereador José Sá Fernandes (BE) que garantiu aos jornalistas que o acordo não está em causa. (...) Questionado sobre qual seria então a posição oficial do BE, Heitor de Sousa respondeu "A posição oficial foi aquela que eu transmiti. Sá Fernandes foi eleito nas listas do Bloco mas é independente, pode tomar as posições que quiser".» (Jornal de Notícias)
Portanto temos o Bloco-mas-independente Sá Fernandes, no poder executivo com pelouro atribuído e tudo, e o Bloco da Assembleia Municipal, na oposição ao mesmo executivo. Será a isto que se chama a dialéctica?

Questionamentos interessantes

  • «O deputado do PS Manuel Alegre questionou hoje o Governo sobre as mudanças na empresa Estradas de Portugal e disse temer que estas representem "uma espécie de neo-feudalismo, sob a forma de privatização encapotada". Para o socialista "é inusitado um prazo tão longo, sejam 92 ou 75 anos, para a outorga da concessão da rede viária nacional" à empresa Estradas de Portugal, que foi transformada pelo actual Governo em Sociedade Anónima (S.A.). "Parece assim algo temerário comprometer o futuro a tão longo prazo, numa matéria que faz parte da esfera de um dos mais antigos serviços públicos que o Estado teve obrigação de proporcionar aos cidadãos" (...).» (Diário Digital)

terça-feira, 20 de novembro de 2007

anedota do momento

depois das anedotas de louras e das anedotas de alentejanos, parece que agora estão na moda as anedotas do psd... terão perdido o sentido do ridículo?

«Um partido gerido como uma empresa [...]

[O] PSD tem de deixar de viver do voluntarismo e do amor à camisola dos militantes e profissionalizar-se, passando a funcionar como uma empresa [...]

[V]ai ser aberto um concurso, ao qual só podem concorrer militantes, para seleccionar assessores para a comissão política do partido [...]

O mesmo dirigente afirma ainda que “um partido moderno é uma empresa no mercado eleitoral, tem de ter uma organização moderna, não pode ser só umas bocas” [...]

A mudança da organização do PSD passará também pelo redesenho da função das sedes do partido. A ideia é a de que as sedes se abrem só para as campanhas eleitorais, pelo que é necessário torná-las úteis ao cidadão. Assim, o cidadão poderá ir a uma sede do PSD saber como concorre à universidade ou como paga os impostos e recebe também a informação do que o partido pensa sobre o assunto [...]»


(PÚBLICO.PT 19.11.2007)

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Meio milhão de mortos depois

  • «Houve informações que me foram dadas, a mim e a outros, que não corresponderam à verdade. Tive documentos na minha frente dizendo que o Iraque tinha armas de destruição maciça. Isso não correspondeu à verdade» (Durão Barroso; SIC)
E qual é a conclusão que se tira do caso? Alguém mentiu? Ou alguém quis ser enganado?
E da próxima vez? Durão aprendeu alguma coisa, ou faria o mesmo?

domingo, 18 de novembro de 2007

Sicko

Comprei hoje o video de Michael Moore com intenção expressa de o forçar pela garganta abaixo dos meus amigos todos. Eloquente, como sempre. Moore mostra as coisas como elas são. quem é que deve mandar? The wallet or the ballot? Também aqui, o capitalismo contra a democracia.

A minha pobre cabecinha não consegue imaginar quais seriam os argumentos da direita para defender as injustiças obscenas do capitalismo selvagem e da saúde privada desregulamentada. Se a direita visse este documentário, claro. Felizmente não viu e conseguiu que ninguém falasse dele. Mas a pergunta parece ser cada vez mais: se eles não vêem, as coisas não existem? Era o que a FOX dizia há 7 anos: que os media fazem a realidade. Será?

Como Moore demonstra até à exaustão, uma população temerosa (dos terroristas, das abelhas africanas, do aquecimento global, etc.), endividada (cartoes de crédito, empréstimos escolares, etc.) e ignorante (religiosa, contra a ciência!) tem muito menos poder negocial perante os cleptocratas do que a população francesa (com educação gratuita e sem empréstimos), que pára a França quando os cleptocratas abusam (todos os anos).

Não é possível imaginar o dia em que os americanos se rebelem contra o capitalismo selvagem, ocupados como estão com a guerra ao terror, os casamentos gay e o aborto.

Mas as coisas estão-se a degradar todos os anos para os pobres - à medida que se tornam melhores para mim... não sei se esta situação será sustentável por muito mais anos.

Musharraf

Um editorial interessante e sem papas na língua, sobre a crise paquistanesa. Na imprensa portuguesa? Não, no Estado de S. Paulo.
  • «O caso do general Pervez Musharraf, que tomou o poder no Paquistão em 1999, abatendo com uma quartelada o seu sempre instável e quase sempre corrupto regime civil, segue um modelo conhecido pelo mundo afora. No mês passado, fingindo ceder às pressões por mais democracia do seu aliado norte-americano, que desde o 11 de Setembro o cacifou com mais de US$ 10 bilhões e aceitou a sua bomba atômica em nome do combate ao terrorismo islâmico, o autocrata convocou a segunda eleição desde que subiu ao poder, tão fraudulenta como a anterior, e se reelegeu. (...) Mas Musharraf não fechou as madrassas que pregam a guerra religiosa e formam homens-bomba, não tratou de prender os líderes do Taleban paquistanês e nem de dissolver as células terroristas que têm organizado uma série de atentados suicidas em todo o país. Também não enviou forças militares para acabar com a “zona liberada” que o Taleban e a Al-Qaeda instituíram na fronteira com o Afeganistão. Limitando-se a prender juízes, advogados, defensores dos direitos humanos, professores e artistas, o ditador demonstrou claramente que seu objetivo não era combater o “terrorismo e o extremismo”, mas calar os grupos que há anos tentam, por via pacífica, transformar o Paquistão numa democracia secular. Tanto assim que, no mesmo dia em que decretou o estado de emergência e mandou prender as principais lideranças civis e democráticas do país, o general Musharraf determinou a libertação de 28 prisioneiros do Taleban, um dos quais sentenciado a 24 anos de cadeia por ter transportado explosivos usados em atentados. (...) Para ter uma base próxima ao Afeganistão, ao Iraque e ao Irã, os EUA fizeram vistas grossas para a situação interna do Paquistão, e assim foram criadas as condições para o paradoxo: o Paquistão governado por um aliado na “guerra contra o terror” é, também, um abrigo seguro do comando da Al-Qaeda e um núcleo importante do radicalismo islâmico.»

sábado, 17 de novembro de 2007

sondagem

imaginemos que a história em torno do senhor jesus cristo decorria na europa dos dias de hoje (com as alterações adequadas) em vez de na palestina no tempo da ocupação romana. o que acha que seria o destino mais provável do senhor cristo pouco tempo após completar 30 anos:

(a) uniria a humanidade em torno dos seus ideais e seria coroado rei vitalício da mesma, numa cerimónia nas nações unidas em nova iorque;

(b) seria internado num hospital psiquiátrico, enquanto que a seita que o seguia se barricava numa gruta à espera do fim do mundo;

(c) assim como assim, e como quem não quer a coisa, aproveitava-se para o cruxificar, só para ver se sempre ressuscitava ou não...

[Esquerda Republicana / Diário Ateísta]

Liberalismo e ‘liberalismo’

Para esclarecer uma confusão com meu uso da palavra liberal.

O que eu quiz dizer foi que na Europa chamamos neoliberais aos que aqui nos EUA se chamam neoconservadores (os Joões Carlos Espadas e os Drs. Arrojas dos EUA).

Isto não quer dizer que eles sejam liberais politicamente, quer dizer que eles são a favor da desregulamentação económica. Porque sabem que ‘Entre le fort et le faible, entre le riche et le pauvre, c´est la liberté qui opprime et la loi qui affranchit.

Os que aqui nos EUA se chamam liberais defendem o liberalismo político e acreditam quase todos que não há liberdade sem justiça social: educação, informação, etc. Porque sabem que ‘Entre le fort et le faible, entre le riche et le pauvre, c´est la liberté qui opprime et la loi qui affranchit.

Mas há de tudo neste mundo e felizmente as pessoas não se dividem em dois campos ideológicos definidos com esta simplicidade. Por exemplo, um amigo meu que eu adoro e respeito imenso e que é uma pessoa excelente, generoso, etc., foi aluno do Milton Friedman e acredita nos dois liberalismos, político e económico, com a mesma energia.

Em Portugal as coisas são, infelizmente, mais simples. A direita (incluindo os neocons) tem uma tradição muito grande de marialvismo. Como se sabe, o marialvismo foi uma reacção da aristocracia portuguesa aos ideais do iluminismo, que se materializaram, por exemplo, nos esforços do Marquês de Pombal para ensinar os nobres a ler (uma afronta que ainda não está desculpada).

Por isso é que nos é dificil imaginar os políticos neocons a lerem Mill e Popper, e a filosofarem sobre teorias políticas durante os jantares em que os ricos lhes prometem favores a troco de favores.

Eu nunca sou convidado para os jantares privados do Dr. Barroso, mas suspeito que neles não se discute Plinio nem Tucidites... :o)

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

E pronto!

Tudo o que interessa sobre o ataque concertado da extrema direita à ciência neste website: http://www.pbs.org/wgbh/nova/id/judge.html

Ficam as perguntas: os proponentes do ID vão ao médico, usam televisoes, andam de avião... não lhes interessa a saúde dos filhos? Não lhes interessa a segurança dos avioes?

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Neocons

Tanta retórica, tantos filósofos – Poppers, Friedmans, Hayeks, Mills, etc. – e depois os políticos que os defendem são todos uns desgraçados... não há entre os dirigentes do PP e do PSD uma única pessoa com coluna vertebral, um único messias que os salve da mediocridade comezinha, dos pequenos escândalos com sobreiros e com cheques assinados “Jacinto Leite Capelo Rego”, das suspeitas de homossexualidade envergonhada, de incompetência, da cobardia, da corrupção, da ignorância, da hipocrisia, da cupidez, da parolice, etc.

Exactamente como aqui. Todas as semanas há mais outro republicano (‘value voters’ como eles se autodenominam) na primeira página dos jornais: um porque ofereceu 20 dólares a um polícia à paisana para lhe fazer sexo oral, outro foi preso na casa de banho de um aeroporto por espreitar e meter as mãos por baixo da baia da retrete do lado, outro (um pastor protestante) por ter sido encontrado morto na sala com dois fatos de mergulho vestidos, um por cima do outro, e um vibrador enfiado no rabo, hoje é um senador, David Vitter, a testemunhar num escândalo de prostituição... e isto são as coisas que não interessam.

As que interessam estão piores: a guerra do Golfo está perdida (mais de 1 milhão de civis mortos), agora descobriu-se que os soldados que voltam para casa se suicidam a um ritmo impressionante (120 por semana), as finanças estão numa desgraça, ninguém acredita em ninguém, a invasão do Líbano devia ser considerada um crime gratuito contra a Humanidade (600 criancas mortas e a morrerem ainda com as ‘cluster bombs’ que os ingleses, americanos e israelitas lhes mandaram para cima), os jornalistas são todos empregados dos partidos, não há debate de ideias, a separação da igreja e do estado desapareceu, para o ambiente, a educação e a justiça social esta década foi uma década perdida, e todos os dias os neocons nos espantam, quando julgávamos que já não se podia descer mais abaixo do que no dia anterior.

Assim, acho que os neocons e os defensores das virtudes da religião (os ‘value voters’) nos deviam explicar melhor a relação entre o que escrevem os profetas deles (Popper, Hayek, S. Marcos, S. Mateus, etc.) e a realidade que eles criaram na última década.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

maior desastre financeiro autárquico 2007

e o primeiro prémio vai para...

«[...] Doze autarquias confirmadas com excesso de dívidas [...]

O limite ao endividamento foi confirmado em 12 dos 22 municípios notificados em Setembro num valor que totaliza 36,8 milhões de euros, de acordo com dados a que a agência Lusa teve hoje acesso [...]

Vila Nova de Gaia (PSD) - Excesso endividamento 11.929.661,12 euros. Redução mensal 106.480 euros. Reduções 113 [...]»


(PÚBLICO.PT/Lusa 12.11.2007)

e quer este tipo ser primeiro-ministro? chiiiiiiiiissa...