terça-feira, 28 de Outubro de 2014

A ascensão da direita radical na Europa

Não me dá qualquer satisfação verificar que no último quarto de século as votações na direita mais radical têm subido na Europa. Efectivamente, e considerando apenas os quinze países (1) que a União Europeia teve entre 1995 e 2004 (portanto, a UE anterior ao primeiro alargamento a Leste), temos o cenário exibido no gráfico seguinte para o total de votos em partidos da direita radical em eleições para o Parlamento Europeu.

Note-se que considerei nos somatórios os partidos (parlamentares ou não) assumidamente fascistas (MSI, British National Party, Aurora Dourada, os grupúsculos neo-franquistas espanhóis, entre outros), mas também os que tentaram ou tentam distanciar-se da extrema direita (Alleanza Nationale, Frente Nacional em anos recentes, FPÖ...) e ainda os populistas sem origem clara em grupos fascistas (UKIP, o PVV holandês, a Lega Nord, etc). O critério geral foi incluir qualquer partido de direita que fizesse do eurocepticismo e da hostilidade aos imigrantes as suas principais bandeiras. Critério que, todavia, torna criticáveis as inclusões dos clericais holandeses (que porém estão à direita dos fascistas em questões tão simples como o direito de voto das mulheres), do Debout la République (mas no qual Nigel Farage apela a que se vote) e mais ainda dos Fratelli d´Italia (porém, trata-se de uma organização descendente do MSI via AN). Todavia, tirando o 1,7 milhão de votos conjunto destes dois últimos partidos, as direitas radicais mesmo assim estariam em 2014 dois milhões de votos acima do seu anterior melhor resultado (o de 2004).

Analisando as percentagens de votos ao nível nacional, e novamente apenas para eleições para o Parlamento Europeu, temos um cenário de ascensão quase generalizada (a excepção são as oscilações na Áustria e na Alemanha) para este conjunto de partidos, durante este período, nos países do «norte da Europa» (2).



Deve notar-se que a subida do radicalismo de direita é mais clara a partir de 2004, e que com a excepção notável da Alemanha (e do Luxemburgo) todos os conjuntos de partidos nacionalistas nacionais estão em ascensão e (no mínimo) nos 10% dos votos em 2014.

Finalmente, as percentagens dos votos nos partidos do «sul» da Europa (3) em eleições para o Parlamento Europeu mostram um cenário diferente.


À excepção da França de 2014, os resultados neste grupo de países são menos impressionantes (há mesmo três países em que a extrema direita é irrelevante: Portugal, Irlanda e Espanha). Mais curioso, há uma queda nítida na Itália e na Bélgica nos últimos dez anos.

O conjunto destes dados mostra que as direitas radicais não são uma força negligenciável na Europa ocidental, em particular depois de 2004, e que o facto de terem vencido as eleições em três Estados (Reino Unido, França e Dinamarca), embora fosse previsível tendo em conta a tendência da última década, não significa que o fenómeno esteja restrito a esses países nem que possa desaparecer em breve.

segunda-feira, 27 de Outubro de 2014

“É mais fácil financiar um "think tank" situado à direita"

Não é surpreendente que seja mais fácil financiar um "think tank" situado à direita.

Mas não nos podemos esquecer disso quando pensamos no debate público de ideias, e de como é fácil que o poder do dinheiro o enviese e distorça...

Parabéns Brasil!

O Brasil só poderá tornar-se um país mais justo se os cidadãos brasileiros confiarem mais uns nos outros. Tal só poderá ser obtido reduzindo as desigualdades. Tal propósito tem de ser o objetivo principal, e só se obtém gradualmente, e apostando na continuidade das políticas que a este respeito têm vindo a ser seguidas.

E agora só me apetece manifestar o gostinho que me dá a derrota desta gente... A hora deles em Portugal também chegará.


sábado, 25 de Outubro de 2014

Em defesa de Rui Machete

Rui Machete está a ser atacado pelas pides portuguesas (SIS/SIED) por supostamente ter posto em causa o monopólio destas sobre a divulgação de informação confidencial nos media. Efectivamente, há meses que jornais portugueses (principalmente o Expresso) divulgam notícias sobre a dúzia de portugueses que se converteram ao Islão e se engajaram na luta pelo califado. Na sua entrevista à Renascença, Machete não disse nada que não fosse já do domínio público através dos media, como ele aliás explicou. Por essa entrevista, foi atacado no Diário de Notícias num artigo assinado por uma jornalista que funciona como porta-voz da pide (como se pode compreender lendo aqui e aqui). A nova pide portuguesa já ataca tranquilamente ministros, manipulando a imprensa. Haverá um dia (já terá chegado?) em que se achará com o direito de os demitir. O perigo maior para a República vem daí, e não da dúzia de portugueses jihadistas.

quinta-feira, 23 de Outubro de 2014

Dúvida de um ateu sobre a abertura da Igreja aos homossexuais, divorciados e afins

Diz que decorreu um sínodo no Vaticano, onde se discutiu o aggiornamento da posição teológica da ICAR face a homossexuais, divorciados, etc.
Mas se a doutrina social da igreja e toda a teologia católica decorre directamente dos escritos sagrados infalíveis, como é que ela pode ser "aggiornada" em matérias tão "tangíveis"? (Outra coisa seria a imaculada conceição).

quarta-feira, 22 de Outubro de 2014

Evo Morales, um balanço

Poucos líderes políticos internacionais terão sido tão ridicularizados pela direita como Evo Morales. Enquanto alguma esquerda olhava cheia de esperança e expectativa para a sua eleição, a direita profetizava as maiores desgraças: a Bolívia estava à beira de agravar a sua já difícil situação económica, e conhecer os amargos frutos do populismo que resultariam num sistema disfuncional que tornaria o país ainda menos desenvolvido. Eu não poderei exagerar a dimensão da catástrofe prevista. E devo confessar que eu próprio tive uma atitude cautelosa face à eleição de Evo Morales, fruto da minha ignorância sobre o próprio e sobre a Bolívia.

Desde 2005 já passaram anos suficientes para fazer um balanço da «catástrofe» Evo Morales:

1- O crescimento económico da Bolívia foi mais elevado durante os mandatos de Evo Morales que durante qualquer outro período nos trinta anos anteriores. As reservas internacionais do país são muito elevadas, e têm aumentado significativamente, atestando a solidez das contas públicas durante estes anos:





2- Este crescimento económico foi compatível com (e quiçá fomentou) uma notável diminuição da pobreza e das desigualdades:






3- Os gastos em saúde, educação, pensões têm aumentado significativamente. O investimento público tem sido muito elevado. Como se vê acima isso não inibiu (antes parece ter fomentado) o crescimento económico e a solidez das contas públicas:





4- A "Guerra contra as Drogas" não foi travada na Bolívia com o militarismo e repressão habitual, mas sim através da legalização do uso da folha de coca (mantendo ilegal a cocaína) e de uma política que limita a ingerência dos EUA nos assuntos doméstico através do pretexto do combate ao tráfico. A receita revela-se bem sucedida, atendendo à redução significativa do cultivo de coca:



5- Têm existido problemas e há críticas legítimas a fazer ao mandato de Evo Morales. Mesmo que as razões apresentadas (proteger e dar direitos laborais a crianças em situação de clandestinidade) tornem a medida menos indignante, continua a ser grave que regrida socialmente ao legalizar o trabalho infantil.


De qualquer das formas, as previsões de catástrofe económica e social resultaram em crescimentos económicos recordes, contas públicas sólidas, uma impressionante redução da pobreza e aumento das condições de saúde e educação da população.

No contexto da Bolívia, políticas como o aumento do salário mínimo (em cerca de 90%), a nacionalização dos sectores do gás e do petróleo, entre outras, parecem ter realmente servido o bem comum, e um desenvolvimento económico, social e humano equilibrado, em vez de provocar as catástrofes anunciadas.
Importa compeender porquê, e aprender o máximo com esta situação.

terça-feira, 14 de Outubro de 2014

A sobrevalorização do conflito israelo-palestino

As guerras matam o bom senso. É difícil, mas não consigo deixar de dizê-lo: o conflito israelo-palestino teve, no verão de 2014, uma atenção mediática (e política) exagerada. Pelas razões seguintes.
  1. Facilmente se encontra uma dúzia de conflitos, ainda em curso, onde morreram mais seres humanos. Mais: no último meio século (49 anos) menos seres humanos perderam a vida na guerra israelo-palestina do que apenas nos últimos três anos (3) na Síria, ou nos últimos dez anos (10) no Iraque (para não sair do Médio Oriente; na guerra do Congo, só entre 1998 e 2003 poderão ter morrido uns cinco milhões de pessoas, ou seja, umas duzentas vezes mais pessoas; não contam porque eram negros?). E todavia, incrivelmente, sempre que há umas trocas de rockets entre Israel e a Palestina, dizem-nos (gastando toneladas de papel de jornal e gigabytes de caracteres) de um lado que há um «genocídio» em Gaza, e do outro que «a existência de Israel está em risco». Acontece (felizmente), que os palestinos de Gaza estão muito longe da extinção e que o Hamas não tem capacidade para ocupar Israel (mais facilmente são extintos os yazidi ou os cristãos do Médio Oriente, ou o Iraque deixa de existir).
  2. É um conflito essencialmente resolvido. Nenhum outro conflito no mundo depois do final da 2ª Guerra Mundial deve ter tido tanta atenção diplomática e de entidades políticas externas (e dos media). Resultou? Sim. Hoje, a guerra israelo-palestina não se propaga para fora das fronteiras daquela região minúscula (ao contrário do que acontecia nos anos 70 e 80). Está «contida». O nível de violência local também baixou. Os israelitas e os palestinos estão satisfeitos? Não. Ambos os grupos querem terra e recursos que os outros têm, ou seja, querem resultados incompatíveis a longo prazo. A esse respeito, terão que mudar de opinião. Ou continuar como estão.
  3. É uma guerra que não é do século 21. O conflito sangrento e global a que estamos a assistir hoje no Médio Oriente e no Norte de África é entre islamofascistas e coligações de laicos democráticos (uns) ou ditatoriais (outros). O conflito israelo-palestino não encaixa facilmente nesta polarização. Sobrou da segunda metade do século 20, quando a esquerda alinhava pelos palestinos por anti-colonialismo e porque a OLP era vagamente «socialista», e a direita por Israel porque era uma democracia isolada. Este alinhamento é anacrónico quando a liderança palestina pertence aos islamistas radicais e quando já houve eleições multipartidárias em boa parte dos países do Médio Oriente e do Magrebe. Transferir o confronto esquerda-direita para este conflito deveria ser coisa do passado, mas explica em parte a atenção que ainda tem. Como em parte essa atenção resulta de envolver judeus. E também de passar-se numa terra dita «santa» (irracionalmente, muita gente acredita que o «berço» de religião e meia deveria ser um pacífico paraíso).
P.S. Escrevi o essencial deste artigo em agosto. Publico-o hoje notando que felizmente já perdeu alguma actualidade, e que nos últimos dois meses se tem reflectido mais sobre o conflito com o «Estado Islâmico». Hei-de escrever sobre o assunto.

domingo, 5 de Outubro de 2014

Viva a República!

(Último ano em que o 5 de Outubro não é feriado.)

quinta-feira, 2 de Outubro de 2014

A curiosa abstenção das primárias do PS

Nas eleições primárias do PS, votaram 175 mil cidadãos. Os cadernos eleitorais registavam 150 mil simpatizantes e 100 mil militantes. Portanto, houve uns 30% de abstenção. O que é muito curioso: dificilmente quem se registou como simpatizante há poucas semanas terá deixado de votar. Mas vamos assumir que, por uma razão ou outra, uns 25 mil cidadãos se registaram como simpatizantes e não votaram (abstenção de 17% entre os simpatizantes). Sobram 50 mil abstencionistas, que virão necessariamente dos militantes, e que correspondem a uma abstenção entre os militantes de 50%. Que é maior, até, do que a média nacional em legislativas.

A única conclusão clara é que o ficheiro de militantes do PS inclui muita gente politicamente apática. Ou morta. Ou qualquer coisa desse género.

sexta-feira, 26 de Setembro de 2014

Sobre as primárias no PS

Objetivamente António José Seguro tem vergonha da história do PS. Veja-se como se refere à herança como um "fardo": Seguro preferia ser líder de outro partido.

quinta-feira, 25 de Setembro de 2014

Revista de imprensa (25/9/2014)

  • «Não há qualquer vontade de apurar “a verdade” ou desejo de esclarecer a pátria no pedido do primeiro-ministro para a Procuradoria-Geral da República investigar o caso Tecnoforma. O Ministério Público tem mais que fazer e Passos Coelho sabe muito bem o que fez. Pode ter sido há 15, 20 ou 30 anos: ninguém se esquece de um ordenado que duplica o rendimento mensal. Simplesmente, Passos não quer, nem pode, admiti-lo – para ser coerente com o moralismo que apregoa, teria de se demitir no minuto seguinte. Donde, o chuto para a Procuradoria é apenas um expediente espertalhão com o objectivo de adiar a admissão do óbvio: o primeiro-ministro fez asneira. E da grossa. (...)

quarta-feira, 24 de Setembro de 2014

Informação e petição sobre a Lei da Cópia Privada

Não posso deixar de recomendar estas FAQ sobre a Lei da Cópia Privada, bem como esta petição sobre o mesmo assunto

Tragicómico

O pedido de esclarecimento de Passos à Procuradoria-Geral da República sobre as condições em que desempenhou o seu mandato de deputado já foi entregue.

Já se sabia que isto ia acontecer há 24 horas atrás... mas não consigo ler isto sem me rir.

sábado, 20 de Setembro de 2014

As provas de avaliação, os professores, os jornalistas e os outros profissionais

Pela primeira vez tomei contacto com as famigeradas "provas de avaliação" dos professores. Que fique claro: não vi lá nada que um licenciado não tivesse a obrigação de saber responder. Fica a pergunta: porquê só os professores?

Posso concretizar com um exemplo: vi pela primeira vez um extrato da prova na edição impressa do DN de 23 de Julho. Na edição online publicavam a prova inteira. Na edição impressa, só um resumo com duas ou três perguntas e a resposta certa. Só que a questão 8 foi publicada incompleta. O texto que saiu (na página 5) e que me chamou a atenção para isto tudo foi

"Dez alunos participaram no concurso de Poesia, sete no de Desafios Lógicos (D. Lógicos), nove no de Conversação em Inglês (C. Inglês) e seis no de Bridge. No mínimo, quantos alunos participaram em mais do que um concurso?"

Esta pergunta (publicada no DN, repito) não faz sentido nenhum (e não tem resposta possível). Faz falta um elemento essencial: o número total de alunos. Esse dado é fornecido na prova original (consultem o link), mas não na edição impressa do DN. Os descuidados jornalistas responsáveis pelo artigo nem se deram ao trabalho de ver se o que transcreviam fazia sentido. Ou pior ainda: talvez mesmo o original, para eles, não fizesse sentido também. (Ou seja, original e transcrito, pouca diferença faziam.)
Será que a maior parte dos jornalistas (a maioria licenciados) também seriam aprovados se fossem sujeitos à dita prova? Pela amostra dos jornalistas do DN que referi, duvido. E a generalidade dos advogados? E dos comentadores de tudo e mais alguma coisa (que, entretanto, hão de ter escrito belos artigos de opinião sobre esta prova)? Será que a maioria deles passaria nesta prova?

Tudo isto reflete um mal de toda a sociedade (não só dos professores): uma enorme preguiça. Neste caso concreto preguiça intelectual, mas em geral a nossa preguiça nem é só intelectual: temos de nos deslocar de carro para as mínimas distâncias, e não passamos sem a mulher a dias. No caso particular da preguiça intelectual, ao contrário do que o governo quer fazer crer, está longe de ser um mal exclusivamente português. É um mal de muitos países desenvolvidos. Mas é um mal.

Agora repito a minha questão: por que é que a culpa desse mal há de ser só dos professores? Principalmente dos professores contratados?

sexta-feira, 19 de Setembro de 2014

terça-feira, 16 de Setembro de 2014

O Prós e Contras e a Lei da Cópia Privada

Não quero com isto tomar posição na questão da lei da cópia privada. Em abstrato a lei parece-me ridícula, embora haja leis ou taxas que são ridículas mas necessárias. Há boas razões do lado de quem defende esta taxa, mas a taxa em si parece-me anacrónica e ridícula, mais uma vez. Não me parece, porém, que os montantes em causa justifiquem esta polémica, e não é ela que quero aqui abordar.
O momento mais marcante do Prós e Contras desta noite é no final da primeira parte, quando Leonor Xavier, muito genuinamente espantada, de um lado vê uma série de "autores", gente que ela considera que deveria ser "muito conhecida" (mesmo se, tanto quanto sei do caso de Tozé Brito, por exemplo, não compõe uma canção há décadas) e a quem todo o país deveria "reverência". Do outro, umas pessoas que ela nem sabe quem são, uns "professores universitários", blógueres, tudo gente muito esquisita, que ela nunca viu nem ouviu falar. E é isto mesmo que a senhora questiona a apresentadora, nestes termos: "quem é esta gente que você desencantou e que quer discutir connosco, os "autores"?"
Se eu fosse o André Azevedo Alves ou o Pedro Veiga, teria perguntado à senhora quem é que a conheceria se ela não fosse a viúva do saudoso Raul Solnado.

segunda-feira, 8 de Setembro de 2014

As viagens de avião de Passos

A propósito das notícias sobre a viagem de Passos Coelho a Bruxelas: não gosto que o primeiro ministro voe na Ryanair. Não quero com isto defender que ele seja obrigado a voar na TAP, mas incomoda-me que o primeiro ministro voe numa companhia que explora os seus trabalhadores e faz propaganda por não ter greves. Se Passos Coelho queria ser poupadinho, poderia alojar-se em hotéis baratos (isso já não me incomodaria nada). Também não estou com isto necessariamente a criticar quem voa na Ryanair; só acho que um primeiro ministro deve dar o exemplo. Uma vez mais, receio que seja este mesmo o exemplo que Passos Coelho quer dar.

quinta-feira, 4 de Setembro de 2014

Dia 10 de Setembro vamos pôr a Internet lenta

A batalha pela «Net Neutrality» pode ser a batalha mais importante por uma Internet livre, e por essa razão, a batalha mais importante pela liberdade de expressão.

Este vídeo de 3 minutos explica sucintamente o que está em causa, embora deixe de fora uma questão muito importante:



Para quem tiver um pouco mais tempo, recomendo também este vídeo onde a questão é explicada com o humor do John Oliver:



E por fim, já que as implicações para a questão da liberdade de expressão foi pouco explorada nos vídeos anteriores, recomendo também este:



Se, como eu, estão muito preocupados com esta questão e querem fazer algo, sugiro que adiram e divulguem esta iniciativa

quarta-feira, 27 de Agosto de 2014

Na morte de Emídio Rangel

Emídio Rangel também merece ser recordado pela "boca" de que como diretor de programas da SIC poderia eleger um Presidente da República. Essa frase é ofensiva nem tanto à "nação" e aos seus símbolos, mas principalmente à democracia e à república. Foi proferida com o intuito evidente de provocar o poder político e afirmar o poder económico, neste caso o poder de um grupo privado de comunicação social. A ofensiva ideológica da direita liberal pode ter começado aqui. Pelo menos aqui percebeu-se que tinha algum caminho livre.

Tinha algum caminho livre porque essa provocação não teve uma resposta à altura. Exigia-se no mínimo que o Presidente da República chamasse Pinto Balsemão a Belém e lhe exigisse explicações. Não foi esse o entendimento do Presidente da República então em funções, homem que era de "consensos" e que preferiu deixar a provocação sem resposta. Fosse o Presidente Mário Soares e de certeza que a provocação não ficaria sem resposta. Aliás, fosse o Presidente Mário Soares e nem ela teria sido proferida.

Dito isto, Rangel mudou a comunicação social em Portugal e merece as homenagens que lhe são feitas.

terça-feira, 26 de Agosto de 2014

Os «fundos abutres» e a Argentina

A explicação dos recentes desenvolvimentos na Argentina relativos à última reestruturação:

sábado, 9 de Agosto de 2014

O Marinho é da malta, ou o perigo do discurso do "eles"

O discurso de quem se refere à classe política como "eles", como se "eles" não fossem cidadãos como o "povo", presta-se a todos os populismos. Parece que o que é válido para "eles" não é válido para "nós", que somos "nós", e não "eles". Confusos? Clarifiquemos com um excelente exemplo, uma frase exemplar de uma notável entrevista a uma personagem extraordinária:

"Salário de eurodeputado é vergonhoso, mas sou pobre, preciso do dinheiro!"

Não perceberam? É vergonhoso para "eles"! Ricos são "eles", "nós" somos pobres, e o Marinho até é um dos "nossos", pá! (E uma caraterística dos "nossos" é não terem mesmo vergonha nenhuma.)

Este discurso costuma eleger autarcas. Recentemente valeu dois deputados ao parlamento europeu. Chegará um dia ao parlamento nacional e até ao Palácio de Belém? Se depender do Marinho, sim. Ele está pronto para tudo.

terça-feira, 5 de Agosto de 2014

Reiniciar a internet



Com dois meses de atraso face ao início desta iniciativa, creio que ainda vale muito a pena aderir.

sábado, 2 de Agosto de 2014

E ninguém vai preso? (Yes, he should.)

  • «Fizemos muitas coisas certas, mas torturámos algumas pessoas. Fizemos coisas contrárias aos nossos valores. Quando usámos algumas técnicas de interrogatório reforçadas, técnicas que acredito e penso que qualquer pessoa honesta acredita que é tortura, atravessámos uma linha». (Barack Obama)

quinta-feira, 31 de Julho de 2014

Revista de imprensa (31/7/2014)

  • «A recomposição da esquerda portuguesa está na ordem do dia. Uma esquerda antiausteritária que se queira consequente não pode satisfazer-se com o papel de protesto. Por bem que cumpra esta função, se ao protesto não se seguir nenhuma mudança, se dele nada se esperar além da catarse da rua, então é justo concluir que o protesto serve sobretudo de válvula de escape ao descontentamento social, com benefício exclusivo, na ressaca do dia, para a própria política de austeridade, cuja continuidade se vê assim mais bem assegurada. (...)
  • Tornar consequentes estas vocações de protesto e de desmontagem argumentativa, exige à esquerda antiausteritária que encontre uma terceira vocação: mostrar-se alternativa credível de poder face à austeridade que nos governa. Sem esta vocação, a esquerda portuguesa, por empenhada e brilhante que seja, nulifica todos os seus esforços. E para a esquerda antiausteritária ser alternativa, é tão indispensável vontades políticas alcançarem uma convergência real como é imprescindível constituírem-se veículo de um programa político. Em poucas palavras: uma alternativa política para uma política alternativa. (...)» (André Barata)

quarta-feira, 30 de Julho de 2014

98% dos principais economistas mundiais concorda: os estímulos de Obama diminuíram o desemprego

Há várias versões da piada, mas a minha preferida reza que se perguntarmos algo a 10 economistas, teremos 11 versões diferentes. Ora, neste caso a piada não podia estar mais longe da realidade.
A Chicago Booth, a Business School da Universidade de Chicago (e logo quem), há anos que regularmente faz inquéritos aos principais economistas académicos das mais prestigiadas universidades, reunidos no painel IGM Forum. É uma página muito interessante de seguir, porque nos dá uma visão muito diferente da visão deturpada que nos chega pela imprensa/blogosfera.
O último inquérito perguntava o que o painel achava sobre o impacto no desemprego do programa de estímulos governamentais à economia que Obama pôs em prática em 2010. 98% (ou seja todos menos Alesina) concordam que este programa ajudou à redução do desemprego.
Mas o inquérito não se fica por aqui, e lembra que os gastos de hoje têm de ser pagos mais cedo ou mais tarde. Será que valeu a pena? Mais uma vez uma resposta quase unânime: apenas 5% acha que não valeu a pena.
Infelizmente isto nunca vai chegar à nossa direita, nem à opinião pública nacional e europeia, que vão continuar a pensar que "os economistas" estão divididos sobre os efeitos deste tipo de programas.