terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Ed Miliband, e o capitalismo responsável

Como os gatos, Ed Miliband mostrou hoje ter várias vidas. Os media e a ala direita do Partido Trabalhista já lhe tinham escrito o seu obituário político, mas hoje “Red Ed” mostrou que sabe fazer ondas políticas e, que ainda tem, pelo menos, mais cinco vidas para gastar. Num discurso à organização London Citizens. Os media dizem que Miliband anunciou uma “nova direcção para o partido”, mas a verdade é que este discurso não é novo. Desde que foi eleito lider do partido em Setembro de 2010, a sua mensagem tem sido sempre a mesma (se bem que dita no seu tom nasalado que tem o condão de adormecer audiências). Em discurso após discurso, Miliband tem falado na necessidade de aprender as lições da recessão de 2007-08, de abandonar a ortodoxia neo-liberal que cegou o "New Labour" de Blair e de promover um “capitalismo responsável”, quer dizer, uma economia de mercado que promove a inovação, que cria emprego bem-pago e que se preocupa com as desigualdades sociais. Este "capitalismo responsável" passa ainda pelo combate ao "capitalismo predador", pela regulamentação dos serviços financeiros, e por uma política neo-Keynesiana de redução do défice (através de medidas que estimulem o crescimento económico, como investimentos em infra-estruturas, cortes no IVA, etc).
Mas então porque e que os "opinion-makers" que ditam a metereologia política falam numa "nova direcção"? É simples. O discurso de Miliband está finalmente a tornar-se "mainstream". Tão "mainstream" que até David Cameron – um dos afilhados de Thatcher que por agora governa o país – se juntou à cruzada de combate aos excessos da City e do "crony capitalism".