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sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Ó engenheiro Belmiro, não dá para arranjar uma dentadura à velha?

Não existem diferenças substanciais no conteúdo da comunicação dos dois principais grupos de super e hipermercados portugueses. Quanto muito existe na forma.
O Pingo Doce faz promoções no 1º de Maio, numa altura em que se falava em acabar com feriados. Subsidia uma Fundação, com o nome do fundador, onde se patrocina a ideologia e a direita que nos governa. E o presidente (CEO ou lá como se diz), Alexandre Soares dos Santos, por alguma estranha razão visto como “neutro” ou “isento”, tem acesso frequente a jornais onde dá entrevistas carregadas de ideologia e agenda política, tendo também contribuído para a queda do anterior governo e a chamada da troika. Numa dessas entrevistas, mais recentes, defendeu que achava muito mal um homem na sua posição não ter pago quase nada por um pacemaker, que lhe foi colocado através do Serviço Nacional de Saúde.
O Continente é mais subliminar na forma de transmitir a sua mensagem, mas no fundo ela é a mesma. Belmiro de Azevedo não dá tantas entrevistas, mas esteve ao lado de Passos Coelho na campanha eleitoral. Alguns slogans do Continente parecem propaganda de Passos Coelho (“vamos fazer mais com menos”). E agora há a velhinha, a recordar-nos que no tempo dela não havia lojas como o Continente, que é muito amigo dos pobres e desgraçados. Recorda-nos isto… sem dentadura. Deve ser parte do “fazer mais com menos”: tal como um pacemaker, que deve ser pago, uma dentadura é um luxo, e deve ser reservado a quem a pode pagar ou a quem realmente precisa (quem não tiver mesmo dente nenhum, e comprovadamente não sobreviver só ingerindo líquidos). Quem tiver só três ou quatro dentes vive bem sem ela.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Ele arranjou um emprego bom, bom, bom, bom

E não é que o Boss AC já é patrocinado pelo Continente? A música até é gira e é uma forma de ganhar dinheiro honesta. Espero é que a partir de agora ele deixe de se armar em cantor de intervenção. Alguém que peça, a sério, que lhe “arranjem” um emprego – uma ofensa ao Sérgio Godinho – é tudo menos o que os desempregados precisam.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

O projeto político do Pingo Doce (3)

Este projeto, de que tenho vindo aqui a falar, teve mais um momento de propaganda no último Prós e Contras. A apresentadora teve o cuidado de referir que convidou fornecedores do Pingo Doce para estarem presentes, mas nenhum aceitou participar no debate. E é óbvio que recusaram: achar que os fornecedores, nas presentes condições, podem estar de igual para igual com as grandes superfícies, sendo que são estas que ditam as regras do jogo, é desconhecer a situação do setor. Mas se não podiam lá estar os fornecedores, tal não implicaria que não pudesse ir alguém que confrontasse o setor da distribuição com as suas práticas e não fizesse o seu jogo. O que aconteceu foi que, mais uma vez, tivemos um representante do Grupo Jerónimo Martins a fazer tempo de antena na televisão pública, sem haver quem fizesse o respetivo contraditório.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

O projeto político do Pingo Doce (2)

O único motivo de relevância social da senhora da figura é o ter rompido com o PCP. Se não fosse o PCP, quer antes, quer depois de ter saído, a senhora em questão não seria minimamente conhecida: seria uma perfeita anónima. Mas, apesar de ser uma figura polémica e que divide a sociedade portuguesa, basta esse motivo para (havendo tantas outras figuras públicas bem mais populares e consensuais) protagonizar uma campanha de vinhos do Pingo Doce.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

"Quando os loucos guiam os cegos"?

"Também vale arrancar olhos. Assim foi neste 1º de Maio. Cenas lúgubres em todo o país. Os gestores viram um livro de marketing a ser implementado. Os economistas viram um livro com curvas de oferta e procura. Os juristas viram um livro de direito da concorrência. Eu vi um livro de Saramago a escrever-se sozinho. 

Já foi escrito: a reacção dos clientes é racional, nada a apontar. Faltou escrever: quem organizou o circo romano sabia ao que ia. E orgulhou-se no dia seguinte. Ficámos a saber como está o país. A violência que não se vê nas manifestações de rua comprime-se no afã vidrado de uma fila de supermercado." (daqui)

O projeto político do Pingo Doce

Não devemos culpar ou apontar o dedo, de maneira nenhuma, aos portugueses que passaram o seu 1º de Maio nas filas do Pingo Doce à espera de um desconto de 50% em todas as mercadorias. Nem sou eu que vou julgar quem fez compras de forma "irracional" - também aproveito os cupões do Minipreço e os descontos de 75% do Continente como posso, e facilmente compro azeite, arroz, café ou vinho em grandes quantidades se o preço for convidativo. Agora, eu não faço estas compras no Dia do Trabalhador. Uma vez mais: no estado atual de crise, não condeno quem se tenha aproveitado desta promoção, que bastante diferença pode fazer nas contas do fim do mês. Mas, e isto é o mais importante, as promoções que eu uso estão disponíveis em todos os outros dias (sendo que uma das lojas, o Minipreço, até estava fechada no Dia do Trabalhador). A promoção do Pingo Doce - é isto que eu condeno - tinha como principal objetivo o ataque a este dia. Os patrões das outras lojas são tão capitalistas como o do Pingo Doce, mas o do Pingo Doce é pior. Os outros acima de tudo querem é vender muito, e mais (e condições políticas favoráveis a isso, claro). O patrão do Pingo Doce tem um projeto político próprio. A "Fundação", a obra "filantrópica" e este ataque ao Dia do Trabalhador são só aspetos desse projeto. Ainda o veremos a lançar um candidato à Presidência da República. Leitura complementar: A revanche do Pingo Doce, por André Barata.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Mais uma demonstração da hipocrisia do Pingo Doce

Não vale a pena perder mais tempo com a reiterada hipocrisia do Pingo Doce, que já tinha ficado evidente aquando da deslocalização da sede fiscal para a Holanda. Desta vez decidiram fazer descontos de 50% para compras superiores a 100 euros, depois de tanto terem anunciado que promoções eram para os outros, e que eles nunca faziam promoções. O objetivo, puramente político, da cadeia de supermercados, era somente o de atacar o feriado do 1º de Maio, para tal promovendo cenas como as que são descritas aqui. Se as pessoas passam horas a fio em filas à espera de uma promoção, isso só se deve a ser feriado; se é assim que as pessoas passam este feriado, a perder tempo, então tal feriado não se justifica. O raciocínio parece ser simples, da perspetiva da opinião pública, dos fazedores de opinião, da classe média alta. Só que não será isto que quem foi hoje ao Pingo Doce e ficou satisfeito com as compras que fez tenderá a pensar no futuro. Nos EUA , episódios como este sucedem todos os anos a seguir ao Dia de Ação de Graças. O capitalismo é assim. E já é uma instituição: para muitas famílias, a sexta feira a seguir ao Dia de Ação de Graças é passada em lojas de saldos, que justificam esse dia feriado. Não foi certamente para ser passado em hipermercados que o Dia do Trabalhador foi concebido; agora, ações como a do Pingo Doce vêm reforçar o apoio ao feriado do 1º de Maio. Talvez lhe retirem é significado político. É isto e só isto que interessa aos patrões do Pingo Doce e ao governo; mais um "dia de trabalho" é desculpa em que poucos acreditam.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

A reabertura das grandes superfícies ao domingo

Ou os inquiridos são escolhidos de uma forma não aleatória, ou basta ouvirmos qualquer inquérito de opinião na rua para nos convencermos de que os portugueses são na sua esmagadora maioria favoráveis à abertura das grandes superfícies ao domingo no ano inteiro. Pessoalmente creio que, no século XXI, com o comércio online a funcionar 24 horas por dia, não fazem sentido este tipo de restrições. Se as houvesse, que fosse como em França onde, excetuando em mercados ao ar livre e lojas de conveniência, não se compra comida aos domingos em lado nenhum, lojas, super e hipermercados: quem não a comprou no sábado, que vá ao restaurante. Pelo menos não existe esta distinção artificial entre "pequenas" e "grandes" superfícies. Mas, repito, se outras atividades económicas operam ao domingo, não me faz confusão nenhuma que as lojas de comida também o façam (embora também não faça questão de que o façam, e vivi bem em França sem o fazerem). Parecem-me por isso serôdias as críticas de muitos que entendem por bem decidir como devem as pessoas passar os seus domingos. Mais serôdia ainda me parece a defesa do comércio "tradicional". Estas posições estão condenadas a desaparecer ou a tornarem-se cada vez mais minoritárias - é o progresso. Em vez de perderem tempo com elas, os críticos desta nova reabertura deveriam concentrar-se naquilo que é realmente importante: garantir que ninguém é explorado e que a carga horária semanal dos trabalhadores destas superfícies não é aumentada. Desde que tal se verifique eu sou favorável a estas aberturas (ou pelo menos não sou contra). Mas há que estar vigilante. O resto é do séc. XX.

domingo, 22 de agosto de 2010

Pão, sal e rótulos

Quem defende que o pão com excesso de sal pode continuar a ser vendido normalmente desde que convenientemente “rotulado”, ou só come pão de forma às fatias ou só compra pão em supermercados e há muitos anos não entra numa padaria. Claro que essa hipótese de o pão salgado ser rotulado é defensável em teoria (embora devesse ser sujeito a um imposto especial, semelhante ao tabaco). Mas não sei onde está com a cabeça quem pensa que numa padaria tradicional, que venda pão a granel, possa haver uma distinção entre pão salgado e pão com menos sal.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Os preços planificados do “Pingo Doce”

Continuemos a falar do comércio a retalho, só que desta vez de legumes frescos.
Costumo brincar com os meus amigos economistas, dizendo-lhes que enquanto a física consegue prever com todo o rigor certas grandezas a economia não é capaz de prever sequer o preço do quilo da alface. Bem: não no “Pingo Doce” onde, desde Outubro de 2009 (pelo menos), o kg da alface tem sido sempre a 1,49 €. O mesmo com o espinafre e o tomate: sempre ao mesmo previsível preço.
O rapaz da foto entra-nos todos os dias em casa (para quem vê televisão), a anunciar que, na cadeia de lojas que ele promove, basicamente os preços são fixos, à boa maneira socialista (dizem que Salazar fazia o mesmo, pelo menos com o preço do pão, nem que tivesse que lhe diminuir o tamanho…). Enquanto nas outras lojas os preços flutuam com o mercado, com a lei da oferta e da procura e com as condições climatéricas (algo que, especialmente com um inverno rigoroso como o que temos tido, naturalmente afeta e muito o preço dos legumes frescos), no “Pingo Doce” os preços não aumentam (mas também não diminuem – não variam).
É curioso que os economistas, mais liberais ou mesmo mais keynesianos, gastaram nas duas últimas décadas tanto latim a explicarem-nos os problemas de uma economia planificada, e agora ninguém reclama por o “Pingo Doce” estar a planificar a economia (fixar preços é típico de uma economia planificada, e não de uma economia livre).
Dir-me-ão que o “Pingo Doce” é uma empresa privada, que pode vender os produtos aos preços que quiser numa economia livre, enquanto o estado fixar os preços é diferente. Mas será assim tão diferente? Terão os produtores liberdade de negociar livremente com o “Pingo Doce” o preço das suas colheitas? Não estou de modo nenhum a acusar o “Pingo Doce” de nada, mas sei que muitas vezes os grandes retalhistas exercem pressões enormes sobre os produtores, sendo que em muitas localidades detêm praticamente o monopólio. Os produtores têm que aceitar os preços que os grandes retalhistas oferecem; não têm escolha. Não sei se é esta a situação do “Pingo Doce” (repito – não estou a acusar ninguém), e pode ocorrer com outros retalhistas, hipermercados ou não. Sei é que esta situação hipotética não é a de uma economia livre.
Mas admitamos que nada disto se passa: o “Pingo Doce” é uma marca séria, e decidiu manter um compromisso com os clientes. Mesmo que a intenção do “Pingo Doce” não seja essa, a verdade é que todos aqueles anúncios são uma exaltação das virtudes da economia planificada como há muito não se via (e espanta-me, falo a sério, que nenhum economista comente este assunto). Ao ver aquele rapaz rechonchudo a repetir que “só o “Pingo Doce” respeita o seu dinheiro” por não variar os preços, questionamo-nos se não seria melhor que fosse assim com tudo. As lojas todas, todo o comércio. Não só o “Pingo Doce”. Desde que não houvesse esmagamento dos produtores. Se há pressões sobre os produtores, é intolerável; se não há, afinal a economia planificada funciona! Não é assim? Não consta que o “Pingo Doce” dê prejuízo!
Sim, e o rapaz é rechonchudo. Só num anúncio, o “Pingo Doce” reabilita a planificação da economia e os gordos para a publicidade. Quer-me parecer que o “Pingo Doce” está a tentar atrair clientes de esquerda.

terça-feira, 9 de março de 2010

O exemplo do guarda-lamas

O guarda-lamas de bicicleta cuja embalagem vêem na figura foi comprado por mim no passado mês de Julho em Paris, numa loja de uma cadeia de hipermercados que há dois anos saiu de Portugal. Procurei e nunca encontrei um artigo semelhante em hipermercados portugueses. Disseram-me, mais tarde, que o poderia encontrar, em Portugal, numa conhecida loja de desporto francesa. Possivelmente fabricado em Portugal, como o artigo que eu comprei (cliquem na imagem e confirmem), da marca de uma cadeia que há dois anos saiu do país. Nas lojas portuguesas, nada semelhante.
Passa-se o mesmo, sem surpresa, com as bicicletas propriamente ditas. Conforme se pode ler aqui, a mesma grande empresa francesa vende bicicletas portuguesas. A sua principal concorrente (e líder do mercado) em Portugal, uma empresa portuguesa, vende (informei-me) bicicletas fabricadas na Tailândia. É esta a visão dos grandes retalhistas portugueses. Entretanto, apesar de o setor estar em crise, Portugal ainda vai sendo o maior produtor europeu de bicicletas. Graças à França, e enquanto a Europa (neste caso, a França) quiser. Portugal nunca pode contar com os portugueses.