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sexta-feira, 8 de março de 2013

Dia da Mulher

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Irão e Wikileaks

burburinho sobre o Irão - e a ameaça que alegadamente representaria - ia tornando-se cada vez mais volumoso. Será que Israel iria atacar o Irão? Será que a retaliação a tal hipotético ataque levaria os EUA a participar num conflito nessa região?

Graças à wikileaks temos fortes indícios de que é tudo um jogo de espelhos. Que o Irão está muito longe de obter capacidade nuclear; que Israel não está a pensar atacar o Irão porque já o fez; e que este frenesim mediático sobre o Irão é uma «manobra de diversão» para desviar as atenções da crise financeira na União Europeia - o que me parece algo insólito. Os decisores que contam são mesmo influenciados por este tipo de tácticas? Os líderes políticos consideram que faz sentido correr este risco? 
A resposta a ambas as perguntas aparenta ser afirmativa...

A wikileaks voltou a prestar um serviço público valioso. Encorajo o leitor a contornar o «embargo financeiro» e a fazer uma doação para que esta instituição continue operacional.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Wikileaks (5): o Millenium BCP ofereceu-se aos EUA para espiar o Irão

O senhor Carlos Santos Ferreira foi à embaixada dos EUA dizer que, se o BCP estabelecesse uma relação de negócios com os EUA, que eles não se zangassem muito porque ele daria toda a informaçãozinha sobre os movimentos bancários iranianos. O mais estranho é que ele disse que o negócio iraniano não seria bom para o banco que liderava. Seria bom para ele, pessoalmente?
  • «In April 2009, officials of Millennium BCP, Portugal's leading private bank, visited Iran at the invitation of the Iranian Embassy in Lisbon and met with the Central Bank and other entities in the financial sector to discuss Iran's interest in establishing a business relationship with Millennium. On February 5, Millennium Executive Board Chairman Carlos Santos Ferreira discussed the proposal with Poleconoff and its possible benefit to the USG. While he claimed that the costs could outweigh the benefits to Millennium, Ferreira is willing to establish a relationship with Iran to help the USG track Iranian assets and financial activities. Millennium has consulted with the Bank of Portugal and senior government officials, and would like our views on its proposed relationship with Iran and Washington's interest in tracking Iranian accounts in Portugal. We request Washington guidance; our recommendation is that Millennium not pursue the relationship. However, given that Ferreira may do so regardless of USG recommendations, it might be prudent to maintain open channels of communication with Ferreira. Post will track developments and discourage deeper relations with Iran.» (El Pais)
E a embaixada acreditava que o governo português (através do Ministério dos Negócios Estrangeiros) sabia da oferta.
  • «(...) post recommends that we maintain open channels of communication with Ferreira in order to maintain some visibility on the Iranian accounts should Millennium go ahead and set them up. Post requests Washington guidance in responding to Ferreira's proposal, as well as views on Millennium's proposed relationship with Iran. While Ferreira did not explicitly say so, post believes that the Portuguese MFA is, at a minimum, aware of his approach to the Embassy.» (idem)
Enfim, parece que o sigilo bancário não é assim tão sagrado.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

A Lapidação das Moratórias

Desde a decisão de decretar uma moratória à lapidação já foram assassinados à pedrada uma mulher e cinco homens no Irão. Tariq Ramadan foi o grande ideólogo das moratórias (incapaz de se pronunciar claramente contra) à lapidação e à pena de morte. Já lá vão seis mortes e à sétima, dada a sua mediatização, era incontornável e foi obrigado a pronunciar-se. A prosa demorou mas saiu ontem. Misturada com a questão dos ciganos e com as inundações no Paquistão que era para temperar a condenação da lapidação de Sakineh. Ele sabe-a toda... Não vou tão longe quanto Malek Boutih do SOS racismo quando apelidou Ramadan de fascista, nem concordo totalmente com Caroline Fourest quando esta o compara a Le Pen. Mas o comunitarismo é claramente a base do discurso político de Ramadan e neste particular não difere muito dos fascistas nem de Le Pen. Apesar de tudo é um engodo mais simpático, mas como o prova o caso do Irão também tem consequências nefastas.

sábado, 28 de agosto de 2010

Lapidar

Há sempre um Renato Teixeira para nos abismar. Ao dizer-nos que protestar contra a chária e as lapidações (e sim, contra a República Islâmica do Irão) é «[embarcar] na campanha montada pelos interesses sionistas e norte-americanos», o Renato demonstra como está tão enterrado na areia do anti-americanismo que até já  uma comunista iraniana ele acusa de ser agente da CIA. Entre os comunistas iranianos no exílio, e os islamofascistas no poder em Teerão, escolhe os últimos. Lapidar.

Ao contrário do Renato, não me considero marxista-leninista. E não sei que tipo de regime o Partido Comunista dos Trabalhadores do Irão implantaria, no século 21, na ex-Pérsia, se para tal tivesse capacidade. Mas há vários anos que divulgo iniciativas  e textos saídos desta corrente da diáspora iraniana. Porque são solidamente laicistas, feministas e progressistas. E tenho mais confiança em comunistas que evoluíram e são laicistas do que nos islamofascistas no poder.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

É já amanhã

«Este texto será lido amanhã, durante o protesto contra a lapidação de pena de morte, apelando pela vida da iraniana Sakineh Ashtiani.

Sakineh Mohammadi Ashtiani, 43 anos, viúva, dois filhos, condenada à morte na República Islâmica do Irão. Condenada à morte pela República Islâmica do Irão. Condenada à morte por viver numa República Islâmica, com base nisso a que se dá o nome de “lei islâmica” e que na declinação iraniana decreta que as mulheres acusadas de relações sexuais “fora do casamento” devem ser lapidadas. Mortas à pedrada. Com pedras do tamanho certo para que a morte seja lenta e atroz, para que a mulher enterrada até ao rosto possa sobreviver a dezenas de golpes enquanto à sua volta a turba faz pontaria e se congratula com “a vontade de deus”.

Mais de uma centena de pessoas foram assim executadas no Irão nos últimos anos, quase todas mulheres, quase todas por “adultério”. Há pelo menos 15 neste momento a aguardar execução. A outras foi à última hora comutada a pena, de lapidação para enforcamento. Houve alegações nesse sentido por parte das autoridades iranianas: esta mulher iria afinal ser enforcada. A morte, menos atroz, menos bárbara. Mas a morte.

Quarta-feira, 25, o tribunal reuniu mas parece não ter chegado a uma conclusão. Entretanto, as agências de direitos humanos denunciam que nos últimos meses houve centenas de enforcamentos no Irão e que estão milhares de pessoas no corredor da morte. Pelo menos 135 são menores. Os crimes em causa vão do homicídio à homossexualidade, mas também presos políticos têm sido executados. Em Dezembro de 2009, o Irão opôs-se a uma resolução da Assembleia da ONU que propunha a suspensão das execuções.

Sim, morre muita gente todos os dias. Morre muita gente executada, muita gente torturada, e não só no Irão. Gente condenada por regimes iníquos a nem sequer ter nome num túmulo. Gente cujo rosto nunca veremos, nunca fará cartazes, nunca povoará manifestações à volta do mundo. Sim, é assim. Tantas as tragédias, tantas as vidas à mercê, tanto o terror, a injustiça, a barbárie, tantas as celas escuras onde se tortura e mata, tantos os gritos e as lágrimas e as súplicas de que nunca saberemos e de que talvez não queiramos saber, tanto tanto por fazer, por acudir e nós sem sabermos como.

Sim, precisamos talvez de uma ocasião assim, de uma causa assim, de um nome e um rosto para nos sentirmos justos e capazes, para sentir que não somos indiferentes. Precisamos de Sakineh como ela de nós.

Precisamos de te dizer isto, Sakineh: que, dependa de nós, e a nossa voz, o nosso não, a nossa fúria, a nossa vontade e exigência moverão as montanhas que nos separam e os poderes que te condenaram, moverão até os deuses, se deuses houver para mover.

Vamos fazer de Lisboa uma das 103 cidades que no sábado, 28 de Agosto, da Austrália à Finlândia, do Brasil ao Iraque, da Turquia à Índia, se unem em resposta ao apelo do International Committee Against Execution num protesto global contra a lapidação e a pena de morte, e apelando pela vida de Sakineh Mohammadi Ashtiani. É às 18 horas, no Largo Camões. Contamos todos.» (Via Joana Lopes; ver o contexto no El Pais e no International Committee Against Execution)

quarta-feira, 28 de julho de 2010

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Histórias da nova guerra semi-fria

Tenho a maior repulsa pelo regime clerical do Irão, mas confesso a minha dificuldade em discernir se quem mente mais é o Irão ou os EUA na incrível história do físico iraniano que foi raptado pela CIA/colaborou voluntariamente com a CIA (riscar conforme a preferência).

sábado, 12 de junho de 2010

Aliança judaico-sunita contra xiítas

...Ou como o mundo é realmente complicado: rumores de que a Arábia Saudita terá garantido que deixa passar os bombardeiros israelitas quando forem bombardear o Irão.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Petição contra a execução de Mohamed Valian

Mohamed Valian é um estudante iraniano que está condenado à morte por «actos contra Deus». Ou seja, por ser um contestatário ao regime teocrático do clero xíita.

Pode assinar-se uma petição contra a sua execução aqui.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Irão?

Já li muitas letras e muitos bytes sobre os recentes acontecimentos no Irão. Esta análise tem a virtude de vir da esquerda laica iraniana.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Pena de morte e religião

A análise da generalidade dos media ao relatório da Amnistia Internacional sobre a pena de morte em 2008 concentra-se em destacar os Estados que executaram um maior número de pessoas, e em sublinhar as anomalias «regionais» (continentais). Ou seja, os dez piores do mundo em 2008 seriam:
  1. China, 1718;
  2. Irão, 346;
  3. Arábia Saudita, 102;
  4. EUA, 37;
  5. Paquistão, 36;
  6. Iraque, 34;
  7. Vietname, 19;
  8. Afeganistão, 17;
  9. Coreia do Norte, 15;
  10. Japão, 15.
O que está certo, porque as 1718 execuções da China são sem dúvida mais relevantes do que as 37 dos EUA. Mas, se calcularmos o número de execuções por milhão de habitantes, podemos fazer uma análise bastante diferente do problema da pena de morte.
  1. Irão, 5.2;
  2. Arábia Saudita, 3.6;
  3. China, 1.28;
  4. Líbia, 1.27;
  5. Iraque, 1.17;
  6. Coreia do Norte, 0.66;
  7. Iémen, 0.55;
  8. Afeganistão, 0.51;
  9. Bielorrússia, 0.41;
  10. Vietname, 0.22.
Assim, nota-se que os dois Estados do mundo que mais pessoas executam por milhão de habitantes são também, curiosamente, os mais teocráticos: o Irão xíita e a Arábia Saudita wahabita. E a segunda tabela tem outra curiosidade: a de todos os Estados serem ou ditaduras pós-comunistas (incluindo a Bielorrússia), ou Estados islâmicos (na primeira tabela havia duas democracias). Sendo que estes últimos dominam a segunda tabela em número de Estados presentes e, sobretudo, nos lugares de topo.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

Revista de blogues (14/12/2006)

  1. «Augusto Pinochet lá faleceu (...) Calculo que a esta hora já tenham surgido alguns obituários menos sombrios, sempre salientando as maravilhas do dito "milagre económico chileno", que terá ocorrido sob a batuta dos Chicago Boys de Friedman. Uma nova versão dos comboios a horas dos fascistas (...) em 1973, quando Pinochet tomou o poder, a taxa de desemprego no Chile era de 4.3%. Em 1983, depois de 10 anos de liberalização selvagem, já atingia os 22%. Os salários reais baixaram 40% sob o governo militar. Em 1970, 20% da população do Chile vivia na pobreza. Em 1990, quando o ogre saiu do poder, este número duplicara (...) entre 1972 e 1987, o PNB per capita caiu 6,4%.» («Pinochet e o milagre com pés de barro», no Aspirina B.) Ver também, no Spectrum, uma curiosa homenagem a Pinochet.
  2. «Uma mulher que nunca, mas nunca teve uma relação sexual não protegida (...) Essa mulher terá tido, suponhamos, a menarca aos 15 anos e a menopausa aos 50. Façamo-la ter 2 filhos e iniciar a sua actividade sexual aos 17 anos, tendo 1 relação sexual por semana como média. (...) Dos 17 aos 50 anos são 33 anos. Retiremos uns 3 anos por ter tido 2 gravidezes, dá 30 anos de fertilidade, ou seja, 1560 semanas. (...) Consideremos uma taxa de eficácia dos métodos contraceptivos que usa de 99,5%. Se fizerem as contas chegarão à conclusão que há probabilidade que 1,5 relações resultem numa gravidez... que esta inconsciente (...) possa escolher não querer assumir este azar é algo que muita gente anda a defender.» («Um exercício fútil e idiota mas às vezes dá vontade de o ser...», no Womenage A Trois.)
  3. «Nuno Rogeiro aceitou participar na palhaçada iraniana sobre o Holocausto. (...) Escreveu mesmo um texto para a nobre ocasião. Não sendo negacionista, Rogeiro deu a sua caução a este acto de provocação. (...) A participação de Rogeiro neste zoológico – no mesmo momento em que a oposição iraniana se manifesta corajosamente contra Ahmadinejhad – é uma vergonha. Fosse alguém do quadrante político oposto a fazê-lo e, dissesse o que dissesse no encontro, estaria neste momento a ser feito em picadinho. E com toda a razão.» («Caução», no Arrastão.)