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quarta-feira, 18 de julho de 2012

A Irmandade Muçulmana perdeu as eleições na Líbia

Finalmente, uma boa notícia do Magrebe: na Líbia, o ramo local da Irmandade Muçulmana perdeu as eleições. Surpreendente, porque os partidos da Irmandade Muçulmana tinham ganho as eleições na Tunísia e no Egipto. (Todavia, permanecem dúvidas quanto à maioria que se formará no Parlamento.)

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Lições líbias

A 1 de Setembro de 2010, José Sócrates sentou-se ao lado de Muamar Kadhafi na tribuna de honra. Celebrava-se o 41º aniversário da ditadura líbia. Os negócios (petróleo para nós e construção civil para eles) corriam bem. Kadhafi tornara-se respeitável, todos os líderes europeus o abraçavam e a CIA confiava-lhe jihadistas para torturar.

A semana passada, pouco mais de um ano após esse aniversário, os media exibiram indecorosamente imagens do mesmo Kadhafi linchado por uma multidão em fúria.

Há lições a aprender.

A diplomacia portuguesa, então liderada por Luís Amado, reagiu incomodada ao início da revolta que, sentiu-se, atrapalharia negócios. Acontece que os povos não se guiam apenas por interesses comerciais. E uma política externa que faça destes o único valor é, portanto, curta de vistas.

Teme-se agora que Paulo Portas nada tenha aprendido com os erros do antecessor. Na sua muito mediatizada visita à Líbia pareceu apenas preocupado com as relações comerciais. Permanece em silêncio face à recusa do CNT de investigar a morte de Kadhafi e dezenas de execuções sumárias de kadhafistas, e depois do anúncio de que o novo regime se baseará na sharia. O MNE francês, menos obcecado com os interesses económicos, frisou que os valores da alternância democrática e da igualdade de direitos entre homens e mulheres foram relevantes no apoio europeu à revolta. Faz diferença.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Só a minha opinião

Nunca tive veleidades de condicionar ou sequer «coordenar» o que se publica neste blogue, mas acho, penso, estou em crer que publicar fotografias do cadáver de Gadafi será desnecessário. A morte de um ser humano nunca se celebra. Neste caso também não se chora, acho eu. Mas há sempre um mínimo de respeito. Que ele não teve pelas suas vítimas. E justamente: há que tratar o defunto com a decência que ele não teve. Deixemos a exibição do troféu ensanguentado para os jornais de referência, que hoje farão primeira página com fotografias de uma morte violenta.

terça-feira, 22 de março de 2011

Guerra na Líbia

Há três razões principais para concordar com a intervenção europeia na Líbia, mesmo mantendo a prudência e a desconfiança que qualquer guerra exige. Primeira, há mandado da ONU, o que não acontecia, por exemplo, no Cosovo ou no Iraque. Segunda, existe um pedido daqueles que se revoltaram contra o ditador, e que seriam massacrados antes do final do mês se nada fosse feito. Não se pode estar com as sublevações populares nos países árabes, criticar Cadáfi, e virar a cara quando os revoltosos são esmagados por mercenários e armamento superior. O que me leva à terceira razão: os acontecimentos no Magrebe e no Médio Oriente podem ser a maior vaga democratizante dos últimos vinte anos. Há que apoiar o potencial democrático das revoluções em curso, e não abandoná-las como as democracias europeias fizeram à Espanha republicana entre 1936 e 1939.

Dito isto, seria positivo que a liderança e o programa dos revoltosos líbios se tornasse mais claro, que a operação fosse controlada por europeus, e que não entrassem tropas terrestres estrangeiras na Líbia. Apoio aos insurrectos, sim. Invasão, não.

quinta-feira, 17 de março de 2011

O mundo está perigoso

Em Fukushima, despeja-se água sobre o reactor 3. Na Líbia, a revolta contra Cadáfi recua e pode ser esmagada nos próximos dias. O Bahrein foi invadido pela Arábia Saudita e pelos Emirados Árabes Unidos, contendo os protestos da maioria xiíta. O Egipto tem um referendo sobre emendas constitucionais no sábado, e a Tunísia deverá realizar eleições em Julho. Finalmente, o governo português pode estar nas suas últimas semanas.

No pior cenário, teremos uma catástrofe radioactiva com centro no Japão, o fuzilamento ou deportação de milhares de líbios que combateram o tirano, a prisão de todos os dirigentes da oposição bahreini, a divisão do poder no Egipto entre os militares que sucederam a Mubarak e a Irmandade Muçulmana, uma vitória islamista na Tunísia e a subida ao poder de Passos Coelho, disposto a instaurar um regime proto-fascista.

No melhor cenário, Fukushima será «apenas» o pior acidente nuclear desde Chernobyl, Cadáfi será forçado a negociar, a monarquia sunita do Bahrein também, o Egipto transforma-se num regime plural com eleições razoáveis e a Tunísia numa democracia laica, e Sócrates aguenta-se até ao Outono.

Para evitar tudo o que há de pior e conseguir um pouco do melhor, é necessária boa tecnologia e muita sorte no Japão, o isolamento internacional da Líbia com ameaças europeias de apoio militar aos insurrectos, sanções e pressão diplomática contra os Estados do Golfo (quer se chamem «Bahrein» ou «Arábia Saudita»), rapidíssima e muito boa organização da oposição democrática no Egipto, e arrojo e bom senso dos democratas tunisinos. Para aguentar Sócrates mais seis meses não sei o que seria necessário.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Pode um louco ser presidente?

Yes he can.
  • «Bin Laden está a drogar os jovens líbios (...) mete-lhes pílulas no nescafé e no iógurte (...) as pessoas não têm razão de queixa (...) deitaram-me um mau olhado (...) filhos, obedeçam aos vossos pais e entreguem as armas (...) eu sou como a rainha de Inglaterra, não tenho poder (...) o bin Laden e a Al-Qaeda estão a manipular-vos (...) tenho pena que tenham morrido quatro pessoas, xau»
O delírio de um louco, em directo na Al-Jazira há minutos (ver transcrições parciais aqui, aqui, aqui e principalmente aqui).

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Revista de blogues (23/2/2011)

  • «Há algo que pode tornar o desfecho líbio decisivo para o futuro próximo do Médio Oriente: ao contrário da Tunísia e do Egipto, aqui a hierarquia militar dispôs-se a reprimir o povo ao lado do ditador.

    Assim, em breve teremos resolvida a dúvida "o que acontece se os generais e o poder se mantiverem unidos e mandarem os tanques contra os contestatários?".

Aprender com os erros

Não sei se fui claro. Há quem só conceba dois extremos na política externa: ou o total cinismo, com afáveis relações diplomáticas e económicas com todas as ditaduras (Líbia, Angola, Arábia Saudita, Coreia do Norte, Afeganistão dos talibã, etc); ou a ética humanitária, com cortes de relações, se necessário unilaterais, com os regimes mais execrandos, no limite os que ainda apliquem a pena de morte. Ora, entre os dois extremos há muito espaço de manobra. Se era dificilmente evitável que Portugal mantivesse, à semelhança de outras democracias europeias, laços económicos com a Líbia, país relativamente próximo e detentor de matérias primas apetecíveis, já não havia necessidade de celebrar o 41º (!) aniversário da ditadura, e de tirar fotografias amistosas na tenda do senhor Kadhafi. Há a real politik, e há o esticar-se muito mais do que o necessário. Mas, embora daí se devam tirar lições para o futuro, tudo isso está feito.

Pior, muito pior, é no meio da presente crise o senhor Sócrates manter-se calado sobre o massacre que está a acontecer na Líbia, enquanto os estadistas europeus emendam erros pretéritos e isolam internacionalmente o regime que controla Tripoli e arredores. Cameron admite que se cometeram erros, Merkel e Sarkozy apelam a sanções, e a política externa portuguesa aparece liderada pelo eterno Amado, que dispara contra a «ligeireza e os clichés» de quem fala em «Direitos Humanos e democracia», e nos transforma, de facto, no último bastião europeu do kadafismo. Neste momento, já nem se trata de privilegiar os interesses sobre os valores, já é pura estupidez: o mundo árabe está a mudar rapidamente, e só mesmo um certo indivíduo chamado Luís Amado é que ainda não o entendeu.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Eternamente Amado

Todos os analistas políticos concordam que, este ano, as celebrações da «revolução» líbia serão bastante diferentes do habitual. No 41º aniversário da ditadura, há cinco mesitos apenas, a estrela da noite foi um tal  de José Sócrates. Só três democracias estavam representadas ao nível de Presidente ou Primeiro Ministro: Malta (que é da vizinhança), a Sérvia (ok, uma «democracia») e Portugal. Não faltavam ditadores africanos (como Ben Ali da Tunísia), para o que foi uma não anunciada festa de despedida.

Eu sei, a política real, os negócios e tal. Mas Kadhafi/Cadáfi/Gadafi, ao contrário de Ben Ali ou Mubarak, não fingia estar a democratizar o regime, e todos sabíamos que era (e ainda é) um louco furioso, com uma longa história de apoio ao terrorismo e capaz de matar o próprio povo. Um pouco menos de cinismo e um pouco mais de inteligência teriam sido atitudes avisadas. A real politik tem os seus novos ricos precipitados.

Como se não bastasse, o desastre Amado fez hoje a sua enésima figura triste, quase lamentando que estejam em queda regimes com os quais havia «boa vizinhança», e queixando-se da «simples leitura ideológica em torno da democracia e dos direitos humanos». Ah, o realismo, tanto realismo. Quando os mortos chegarem aos milhares, o inefável Amado manterá o seu «realismo»? E Sócrates o seu silêncio? Para quando uma diplomacia portuguesa de que nos orgulhemos?

Há quem não fique bem nesta fotografia.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Os ditadores não caem todos da mesma maneira

Se um cleptocrata como Ben Ali fugiu rodeado de lingotes de ouro (foi esse o rumor), e um semi-fantoche das Forças Armadas como Mubarak passou a um regime de «residência vigiada» numa estância de férias, já  um fanático como Kadafi parece disposto a causar centenas de mortes para se manter no poder mais umas semanas. Os rumores que correm no twitter, neste momento, são assustadores.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

A guerra é santa e Muamar o seu profeta

Pode um louco ser presidente?

Sim, se o país for a Líbia e o louco for Kadhafi.

domingo, 6 de setembro de 2009

Cala-te! Vai para Bruxelas!

  • «a socialista Ana Gomes diz que "mete nojo que ministros europeus se tenham deslocado à Líbia para participar nas celebrações de 40 anos no poder do terrorista Kadhafi". Sendo que uma dessas presenças foi a do ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE) português, Luís Amado (...) Uma comemoração a que se associou também a Força Aérea portuguesa, que participou num desfile aéreo por ocasião das celebrações. O ministro dos Negócios Estrangeiros justificou a presença em Tripoli precisamente com razões económicas. "Nós importamos um bilião e 200 milhões de dólares de petróleo e não vendemos praticamente nada à Líbia. É preciso pensar em reforçar as relações com um país que nos fornece uma factura de petróleo tão significativa (...)"» (Diário de Notícias)