terça-feira, 11 de maio de 2010

Foi a 24 de Abril

Bandeira do PCP impede funeral (via Um Tal de Blog).

12 comentários :

  1. Por duro que possa parecer dizer isto, um diácono não é um funcionário do Estado, e as exéquias fúnebres em que ele participa cerimónias privadas. Como qualquer privado, tem o direito, penso eu, de recusar um serviço.

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  2. Tens razão, sem dúvida. Mas não deixa de ser uma manifestação de uma certa intolerância.

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  3. Não me parece uma manifestação de intolerância, uma vez que é uma tomada de posição contra um partido que defende, por exemplo, regimes onde a simples distribuição de bíblias dá direito a prisão como trabalhos forçados.
    Se concordo que o tenha feito? Não, o funeral de uma pessoa deve estar acima de tais questões. Mas não me parece que possa ser classificado de intolerância.

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  4. Ricardo, a pessoa em causa terá, com certeza, o direito a recusar-se a prestar o serviço. Poderia, no entanto, tê-lo feito saber antes da cerimónia.

    Filipe, não me parece que seja "certa intolerância", parece-me antes intolerância certa.

    JDC, não lhe parece intolerância, porque, supostamente, o PCP é um Partido... intolerante. Com certeza não precisarei de sublinhar o ridículo da coisa. E devia reler a notícia, trata-se do PCP, n é do PCC, do PCE, do KKE ou de outro qq.

    PS: O segundo P de PCP é de Portugal.

    PS2: Para atalhar caminho para o argumento seguinte, aqui fica o parágrafo da Resolução Política do XVIII Congresso do PCP:

    "os países que definem como orientação e objectivo a construção duma sociedade socialista - Cuba, China, Vietname, Laos e R.D.P. da Coreia. Com percursos diversos, experiências históricas próprias, evoluções distintas, problemas e contradições inerentes ao processo de transformação social num quadro de relações capitalistas dominantes, estes países estão sujeitos pelo imperialismo a uma intensa campanha de pressões económicas, ameaças militares e operações de desestabilização e intoxicação mediática que encerram graves perigos para a segurança internacional e que, a vingarem, significariam um grave retrocesso na luta libertadora. Independentemente das avaliações diferenciadas em relação ao caminho e às características destes processos - a exigir uma permanente e cuidada observação e análise - e das inquietações e discordâncias, por vezes de princípio, que suscitam à luz das concepções programáticas próprias do Partido"

    Ou pode ver aqui a resolução completa: http://www.pcp.pt/joomla/index.php?option=com_content&task=view&id=32864&Itemid=763#12

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  5. rms,

    Pela sua lógica podemos tolerar o discurso incitador à violência de alguns elementos do PNR. Como todos concordaremos, não podemos condescender com aquilo que achamos errado. Se o diácono em questão sente que o PCP atenta contra os seus ideais (um exemplo poderá ser o que referi) não pode nem deve ser obrigado a participar na glorificação (talvez uma palavra demasiado forte...) desse projecto.

    E já agora, "contradições inerentes ao processo de transformação social" é um branqueamento atroz do que se passa nalguns desses países. É fazer de nós todos parvos e ingénuos. Será que o PCP também estaria disposto a implementar, em Portugal, essas "contradições inerentes ao processo de transformação social" no seu caminho para o socialismo?

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  6. rms,
    o padre deveria ter avisado. De acordo. Até porque poderia haver um padre que não se importasse de conduzir o funeral naquelas circunstâncias.

    Quanto aos países que refere, acho que a sua libertação passaria justamente pelo final dos regimes que aí existem.

    Cumprimentos,

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  7. Caro JCD, vou repetir:

    "Independentemente das avaliações diferenciadas em relação ao caminho e às características destes processos - a exigir uma permanente e cuidada observação e análise - e das inquietações e discordâncias, por vezes de princípio, que suscitam à luz das concepções programáticas próprias do Partido".

    Isto é a avaliação que o PCP faz dos países acima referidos. O que o PCP quer para Portugal está noutro capítulo da resolução do XVIII Congresso.

    Ricardo: A noção de liberdade é subjectiva. Como a de democracia. Nomeadamente, das democracias impostas por agentes externos aos países.

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  8. rms,
    a noção de liberdade não é subjectiva. Liberdade é poder fazer o que me der na telha, criticar o governo e a religião, poder sair e entrar do país, poder manifestar-me e poder mudar de emprego.

    E a noção de democracia menos subjectiva é ainda.

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  9. A noção de democracia passa a subjectiva a partir do momento em que há duas teorias sobre ela? Para mim, democracias como a dos EUA, do Irão ou de Israel não são democracias. Assentam em princípios religiosos, quanto a mim, nada democráticos. E, no entanto, vão a votos.

    E sim, a noção de liberdade não só é subjectiva, como varia de era para era e sociedade para sociedade.

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  10. Ricardo Alves, gostava de acrescentar que para além das questões da liberdade é preciso não esquecer as questões de soberania. A história está repleta de casos em que governos eleitos ou revolucionários ousaram questionar os grandes interesses imperialistas. E todos sabemos como acabaram. Que eu saiba, a Anaconda teve direito a uma indemnização enorme e a Chiquita continua a florescer.

    Enquanto a alternativa democrática for a democracia subjugada aos eua e liderada por um fantoche não creio que seja grande progresso. Países como a Colômbia têm eleições, mas não passam de "playgrounds" para os eua construírem bases militares. Nunca se sabe, pode um dia faltar petróleo e a Venezuela é mesmo ali ao lado.

    E quando alguma coisa correr mal, o processo de mudança na América Latina é simples, basta seguir o exemplo recente das Honduras. Dá-se um golpe de estado, espera-se pela aprovação dos estados unidos (quem precisa da ONU?) e depois arranja-se umas eleições para inglês ver.

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  11. o sr Ricardo Alves é o grande exemplo, do típico maçom, anti-clerical, reúblicano, defensor da liberdade, mas da liberdade entre irmãos de uma qualquer loja, o resto é paisagem... é tal e qual os bispos católicos que tanto critica.

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  12. Se eu fosse padre também não aceitaria fazer um funeral em cuja urna houvesse uma bandeira comunista, nazista ou de qualquer ideologia referente a regime ditatorial e genocida.

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