quarta-feira, 26 de maio de 2010

Os pobres que paguem a crise

Soube-se hoje que o subsídio social de desemprego não será alargado por seis meses, que o tempo de trabalho que dá direito ao subsídio de desemprego aumenta de 365 para 450 dias e que não será reforçada a linha de crédito para criação de empresas por desempregados.

Se este governo é socialista, eu sou cristão católico.

13 comentários :

  1. É triste que este governo se revele por actos que apenas classifico quase punitivos, dignos de represálias sem sentido que noutros tempos também tiveram lugar. Além do mais, trata-se de medidas sem qualquer impacto digno de nota na despesa e menos ainda no fomento da iniciativa privada e do crescimento.

    ResponderEliminar
  2. Enquanto socialista não me agradam estas medidas que afastam o meu partido da dita esquerda. Mas qual a alternativa, urge o pragmatismo e a gestão dos males menores... Fácil +e criticar, especialmente quando não temos todos os dados ano nosso dispor. Por isso mesmo deixo por aqui as minhas criticas...

    ResponderEliminar
  3. A alternativa seria taxar mais fortemente a banca, criar um imposto sobre as grandes fortunas e criar um escalão de IRS com 50% de colecta. Mas essas, o PS não quer ouvir falar delas...

    ResponderEliminar
  4. Ricardo,
    quem lê o post é induzido em erro, devido à tua escolha de palavras.

    Não é exactamente verdade que o "subsídio de desemprego não será alargado...", o que acontece é que o alargamento extraodinário que existiu duramente alguns meses vai acabar.

    O mesmo se aplica à frase "o tempo de trabalho (...) aumenta de 365 para 450 dias". Correcto é afirmar que o período excepcional em que era apenas requerido 365 em vez de 450 vai terminar.

    O mesmo para a linha de crédito.

    Ou seja não está em causa uma única redução do apoio do Estado, está sim em causa o fim de medidas extraordinárias que desde o início foram decretadas como temporárias.

    E isto faz toda a diferença, e faz com que discorde da tua conclusão.


    P.S. podemos obviamente discutir se as medidas extraordinárias deveriam ser permanentes, mas não é isto que está no texto.

    ResponderEliminar
  5. Miguel,
    sim, essas medidas deveriam ser permanentes, e sim, é particularmente grave tomá-las num momento de crise económica e social.

    ResponderEliminar
  6. 1. Mas reconheces então que o post induz em erro... Não é correcto dizer que vai ser reduzido, não estamos perante uma decisão de diminuição do apoio do Estado.

    2. Não sei a situação do tempo mínimo para obter subsídio de desemprego, mas quanto ao período máximo dele (o teu primeiro ponto), Portugal (SEM as medidas extraordinárias) está no top dos maiores períodos máximos do mundo.

    ResponderEliminar
  7. Miguel,

    1) A notícia diz que «O prolongamento do subsídio social de desemprego por mais seis meses (...) vai acabar já a partir de meados deste ano». Portanto chegou a existir, e é uma diminuição do apoio do Estado.

    2) E é particularmente grave que estejamos nesse top.

    ResponderEliminar
  8. Ricardo,
    ou não fui claro, ou não me entendestes:

    1) O que acontece é que as condições vão voltar a ser as que sempre foram. O Governo há coisa de uns meses/um ano decretou que por um período fixo no tempo, estenderia os benefícios sociais, dado estarmos perante um período extraordinário de crise. As "melhorias" sempre foram para ser limitadas no tempo.
    Chegamos a esse limite. Só isso. Não há alterações para pior na lei.

    2) Portugal está no lado "BOM" do Top. Como escrevi temos das MAIORES tempos de duração do subsídio de desemprego. Em muitos países europeus, o subsídio de desemprego acaba quando alguém está há mais de um ano no desemprego. Em Portugal não.

    ResponderEliminar
  9. Entretanto, Teixeira Santos em visita a Wall Strett, vai tranquilizando os mercados com a promessa de mais privatizações... a mesma Wall Street a quem Obama vai impondo restricões. Enquanto isso, Merkel proíbe os "short sellings". Sarkozy propõe tributar grandes fortunas. Na Grécia, enfim, taxam-se piscinas a 800€ o mergulho. Em Portugal, a direita propõe a moralização do sistema através da "libertação pelo trabalho" de quem aufere em média subsídios mensais de 89 euros. O Governo, propõe o que já sabe. A União Nacional dos comentadores do costume aplaude. Contra o parasitismo do mercado imobiliário que não cria valor e vai absorvendo os salários, nem uma palavra. Sobre a asfixia económico-social que resultará dos planos de austeridade nem um suspiro.

    O último, que apague a luz.

    ResponderEliminar
  10. Miguel,

    1) A crise não apenas continua como se agravou, e justamente por essa razão faria sentido manter essas medidas de apoio social.

    2) A questão não é a *duração* do subsídio de desemprego. É *durante quanto tempo se trabalha* antes de ter direito ao subsídio de desemprego. Esse tempo foi aumentado de 365 dias para 450 dias de descontos, o que duvido que nos coloque em qualquer top apetecível.

    ResponderEliminar
  11. Ricardo,
    1) Eu nunca disse que não! :)
    Apenas notei que o teu texto tem implícita a ideia que o status quo vai ser piorado - e isso não é verdade.

    2) não era esse o tópico 2, como podes reparar no comentário de ontem às 3.36

    ResponderEliminar
  12. Miguel,

    1) O status quo vai piorar porque a situação social vai piorar.

    2) O meu ponto original (no post) era sobre o aumento do período necessário para receber subsídio de desemprego.

    ResponderEliminar

As mensagens puramente insultuosas, publicitárias, em calão ou que impeçam um debate construtivo poderão ser apagadas.