sábado, 29 de maio de 2010

A esquerda cervejista volta a atacar

Tendo a concordar em parte com Carlos Vidal (uma vez teria que ser): o título “A crise dos poderosos é a festa dos oprimidos” para a “concentração anticapitalista” marcada para amanhã, antes do protesto organizado pela CGTP, é muitíssimo infeliz. Para além de que, como escreve nos comentários o Nuno Ramos de Almeida, ir a uma manifestação para criticar quem a organiza é uma profunda descortesia e falta de consideração. Mas cortesia e consideração são coisas que os setores como os que promovem (ia dizer “organizam”, mas isso é muito pouco anarquista) esta “concentração anticapitalista” não conhecem. Afinal, não nos podemos esquecer de que foram precisamente elementos ligados a setores como aqueles (não estou a falar dos promotores desta concentração em particular, que eu nem sei quem são) que foram à celebração do 1º de Maio de 2009 organizada pela CGTP para atacar Vital Moreira. Para evitar confusões apesar de tudo injustas, se calhar até acaba por ser bom para a CGTP esta demarcação – para demonstrar que uns não têm nada a ver com os outros.
É claro que não posso concordar plenamente com Vidal – afinal, são frequentes os apoios a atos violentos por parte deste artista plástico, entre os quais o ataque a Vital Moreira, que Vidal saudou entusiasticamente. As contradições de Vidal são apontadas por Ricardo Noronha, mas nem creio que mereçam tanta atenção: como o próprio Ricardo Noronha aponta, toda a gente já percebeu que Vidal pertence à “ala psiquiátrica”.
Mais significativo parece-me o apoio entusiástico que alguns membros do “Vias de Facto” e de outros blogues (como apontou o Ricardo Alves) dão à tal concentração. Conforme suspeitava aqui, agora confirma-se: o blogue onde escreve Diana Andringa, a jornalista que deu aos caloiros do Técnico o conselho que nunca esqueci (“não bebam nem joguem cartas numa manifestação – dá um mau aspeto do caraças!”) é um arauto da “esquerda festiva” (e que, quando calha, parte umas montras, quando não faz pior). Como irão esses (oprimidíssimos) membros do "Vias de Facto" fazer a festa amanhã à tarde? Não querem que seja feriado? A Diana também vai? Também festeja? Estou morto por saber. E triste por a esquerda chegar a isto.

8 comentários :

  1. 1) A manifestação-à-margem-da-manifestação, tanto quanto entendo, não tem assinatura na convocatória. Apareceu assumida por alguns blogues, mas não, tanto quanto entendi, enquanto autores. Depreendo que é obra de anarquistas/jovens militantes descontentes do BE (mais) e do PCP (menos).

    2) Quanto às agressões a Vital Moreira, foi identificado na altura um militante do BE que até aparecia em fotografias da internet. E foi sugerido que outros seriam militantes de base do BE. Não vejo que sejam necessariamente as mesmas pessoas do manifesto citado em 1).

    3) O Vias de Facto tem três pessoas que gosto de ler: o João Tunes, a Joana Lopes e o Miguel Serras Pereira.

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  2. Filipe, em jeito de «joke»: a Diana não irá de certo à manifestação porque está em Cabo Verde...
    E eu vou mas não é minha intenção partir qualquer montra.

    Ricardo,
    Obrigada pela referência que faz ao que escrevo.

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  3. Caro Filipe,
    O blogue "Vias de Facto" não é uma agremiação política nem se rege pelo centralismo democrático. Cada um escreve o que bem entende, e lendo-se os posts dá para perceber que por ali navega gente muito diferente, com opções políticas diferentes, com estilos de escrita e intervenção diferentes. O que é sempre uma riqueza. Uma vez que os posts que refere não foram assinados pelo colectivo - como já aconteceu com alguns - daí se deve inferir que apenas vinculam quem os assina. E que não só está na legitimidade de o fazer como certamente não pretendeu com isso arrastar para a manif. os seus companheiros digitais. De igual forma, também eu me sinto à vontade para não ir e não me sentir vinculado a essa (sub-)manif. Vale?

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  4. Claro que confirmo o que o Miguel Cardina aqui diz. Não explicitei no meu primeiro comentário, mas até pelo post que hoje publiquei em meu nome no Vias, também fica bem claro que não me juntarei à tal (sub-)manifestação. Certo?

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  5. Cara Joana, caro Miguel,
    com certeza: um texto só vincula quem o assina e reconheço que o Vias de Facto não é uma só voz. Alterei alguns pontos deste texto para deixar isso mais claro. Peço desculpa se não o era.
    Cumprimentos.

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  6. Aqui vai o testemunho de outro dos elementos do Vias de Facto que não se submanifestou coisíssima alguma. Mas que só não se manifestou porque não pôde. Já parti umas montras e amolguei uns carros,admito, mas isso foi há já algum tempo. E nessa altura foi mesmo preciso.

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  7. Caro Filipe,

    Olhe que para polícia, vai ter que trabalhar um pouco mais. Se quiser a minha ajuda, aqui vai: cheira-me que a malta do episódio vital moreira e a malta desta concentração não é a mesma. mas também o rigor de expressões "setores como aqueles" e a admissão de que não sabe de quem está a falar desculpam-no.

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  8. Ao que tu chegaste, Filipe ...

    tu e o Carlos Vidal estão como se vê muito bem um para o outro.

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