quinta-feira, 20 de maio de 2010

A crise e o ouro

O leitor sabia que as reservas de ouro do Banco de Portugal são, em valor absoluto, as décimas quartas maiores do mundo? Que são maiores, em valor absoluto, que as reservas do Reino Unido ou da Espanha ou quase toda a UE? Que são quase iguais às do Banco Central Europeu?
Em proporção do PIB são, em termos relativos, ainda maiores.

Com o preço do ouro a bater recordes, e o Euro a bater mínimos históricos face às outras divisas, não estaria na altura de «pôr esse ouro a render»?

Pagando uma parte substancial da nossa dívida, isso resultaria numa diminuição considerável dos juros a pagar por duas vias diferentes: a amortização directa, e a confiança gerada por essa mesma amortização abrupta.

Confesso que não sei porque é que esta sugestão não faz parte do debate público neste momento no que diz respeito ao leque de soluções a adoptar na resposta à crise. O que é que aquele ouro está a fazer parado numa situação destas?
Mas noto que não é a primeira vez que noto que o debate público ignora o elefante no meio da sala. Apesar de todo o debate sobre as privatizações, continuamos sem ualquer estimativa relativa aos dividendos perdidos, e nem se sabe ao certo quanto de cada empresa pública é que se pretende vender.