sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Fiscalizador que prometeu não fiscalizar foi eleito por maioria de dois terços dos deputados

José António Branco foi ontem eleito, pela necessária maioria de dois terços, para o Conselho de Fiscalização dos serviços «de informações». Tinha prometido solenemente, perante os deputados, violar a Constituição e autorizar escutas telefónicas sem processo criminal. Os deputados, rendidos a esta visão fascizante, elegeram-no por 142 votos a favor, 46 brancos e dez nulos. Note-se que desde o Verão passado que a opinião pública sabe que o SIS e o SIED fazem escutas telefónicas ilegais a pedido de empresas ou por razões do foro pessoal dos próprios elementos do SIS e do SIED. Conhecem-se publicamente os casos de um empresário madeirense e de um jornalista que eram menos perigosos para a segurança do Estado do que este senhor agora eleito.

Como só se tolera que se faça aos outros aquilo que aceitaríamos que nos fizessem, presumo que o fascistóide que dá pelo nome de José António Branco não se importa que escutem as conversas que tem com a mulher, os filhos, os amigos e as amigas. E os 142 deputados que votaram a favor também não (e portanto não se venham queixar quando descobrirem que o Passos Coelho os mandou vigiar). O único aspecto deste triste episódio que dá alento são aqueles 56 votos que não foram a favor: são muitos mais do que a soma PCP-BE-PEV (24), tradicionalmente avessa à nova PIDE. Aos trinta e dois deputados anónimos que, nesta votação secreta, divergiram da deriva totalitária do bloco PSD-PS-CDS, deixo a minha homenagem. Um dia serão mais.