segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Provocadores policiais na manifestação de 15 de Outubro (e também na de 24 de Novembro)?

O vídeo aqui reproduzido foi feito a partir de imagens da manifestação do dia 15 de Outubro, junto à Assembleia da República. Encontrei-o no 5 Dias.
Factos: dois indivíduos, um de camisola vermelha e outro de preto, estão na primeira fila, a forçarem as barreiras da polícia e a gritarem; mais tarde, os mesmos dois indivíduos tentam convencer a descer o jovem que se empoleirara em cima de um leão. Interpretações possíveis, há duas. Primeira: eram manifestantes genuínos que incitaram à invasão da escadaria e depois tentaram evitar que se produzisse um acidente. Segunda: eram agentes provocadores policiais. Na primeira hipótese, estes dois passaram, em poucos minutos, de excitados irresponsáveis a muito responsáveis e preocupados cidadãos. Na segunda hipótese, tivemos dois polícias à civil a tentarem (e, em parte, a conseguirem) fomentar a violência e a ilegalidade.

Na manifestação de 24 de Novembro (imagens também recolhidas do 5 Dias), temos um indivíduo à civil na primeira linha dos confrontos (o de casaco castanho).
É o mesmo indivíduo que aparece depois a deter manifestantes (há outras fotografias, deste e de outros paisanos; estas são as que me parecem mais flagrantes).
Como o João Vasco já escreveu, a PSP admitiu oficialmente que tinha dois polícias «na primeira linha da manifestação» (sic). Torna-se tudo ainda mais grave quando a Plataforma 15 de Outubro testemunha, em comunicado de imprensa, que os polícias não fardados «incitaram à violência com palavras e acções».

Já são muito discutíveis as vantagens da presença de polícias à paisana em manifestações. Os indícios de que actuaram como provocadores em (pelo menos) duas manifestações são inquietantes (dizer que lá estavam para «garantir o direito à livre manifestação» é incongruente). Ignoro se a estúpida táctica de infiltrar estes tipos na manifestação foi ideia da PSP ou do governo.  Em qualquer dos casos, Miguel Macedo é o principal responsável, e terá que fazer mais do que elogiar a polícia: o que se passou deitou óleo para o fogo. Na próxima manifestação, será muito mais fácil fomentar a violência, inclusivamente contra a própria polícia. E os sectores mais extremistas tiveram as suas análises credibilizadas. Se o governo nada fizer, ficará a impressão de que o PSD quer mesmo radicalizar a contestação.

5 comentários :

  1. Para a próxima os cidadãos ordeiros já sabem o que devem fazer. Pedir em uníssono aos polícias fardados que removam aqueles elementos especialmente exaltados do seio da manifestação.

    Também considero que a polícia ou o ministro que a tutela devia esclarecer por que razão infiltrou agentes na manifestação (parece-me que existem variadíssimas razões que justificam a infiltração, mas gostava de ouvir a justificação da boca de quem decide estas coisas).

    Também gostava que o alegado comportamento ostensivo dos polícias infiltrados fosse explicado. Em particular, gostava de conseguir distinguir entre estas duas hipóteses:

    - os polícias infiltrados são péssimos actores e portanto encarnaram a personagem decalcando manifestantes extremistas, quase de forma caricatural;

    - fazer a tal maiêutica que referi num comentário anterior.

    Se tiver sido o primeiro caso, considero que deviam começar a dar formação mais inteligente aos polícias. Se tiver sido o segundo caso: é bom que todas as pessoas estejam informadas disso.

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  2. «Para a próxima os cidadãos ordeiros já sabem o que devem fazer. Pedir em uníssono aos polícias fardados que removam aqueles elementos especialmente exaltados do seio da manifestação.»

    No vídeo do alemão «"«procurado pela interpol»"» espancado é precisamente esse tipo de atitude que vejo: uma enorme acertividade contra a violência, e a imediata denúncia às autoridades (note-se que não se sabia que os agressores eram polícias).

    Foi isso que senti na manifestação: apesar de uma enorme hostilidade para com a polícia (a chamá-los de "fascistas" para baixo), uma enorme convicção de que todos os comportamentos violentos seriam indesejados.

    Até pode ter sido por causa deste ambiente que acção destes provocadores se destacou ao ponto desta operação ter sido desmascarada.


    Note-se que o ministro começou por negar até que existissem polícias infiltrados. As mentiras já são tantas...

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  3. Brigadas de identificação, punição e eliminação de agentes dos governos criminosos.

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  4. Mandei esta mensagem à ministra da justiça e ao primeiro ministro:

    Primeiro Ministro de Portugal, solicito-lhe que me dê novas sobre o incidente fora da lei e ilegal que ocorreu meses atrás com uns agentes da policia que atuaram como provocadores que como sabe é ilegal. Quem lhes deu as ordens foi sancionado de algum modo? É que não soube de mais desenvolvimentos e tratando-se de uma matéria tão decisiva para a nossa democracia não ficar como a da Russia... Rogo-lhe que me dê novas sobre.
    Obrigado

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