quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Dez anos depois

É já no domingo: completa-se dez anos sobre a introdução do euro.

Lembram-se? Guterres era primeiro-ministro, Sampaio Presidente e Sócrates ministro. Foi depois da Expo mas antes do Euro (o outro, o do futebol). Terminara a década dos subsídios europeus, vivia-se a euforia do crédito bancário. A UE era liderada por Schröder, Chirac, Blair e Prodi, e prometia um futuro de liberdade e prosperidade. Parecia valer a pena estudar e até um Passos Coelho se licenciou.

Em 2001, poucos criticavam a ausência de governo democrático da UE, a preeminência do Banco Central Europeu entre as suas instituições e a obsessão com a estabilidade monetária. Eram considerados uns irrecuperáveis “eurocépticos” e marginalizados no debate. Os que queriam taxar as transacções financeiras eram anticapitalistas. O Banco de Portugal já estava “preocupado” com o BPN e Jardim fazia rir. As sementes do desastre estavam lá.

Na última noite de 2011 muitos se interrogarão sobre o que correu mal. Porque o euro, enquanto projecto de tornar a Europa uma potência económica, falhou. Não houve crescimento económico generalizado e a Europa empalideceu perante a China, a Índia e o Brasil. A democracia de base nacional, orgulho legítimo deste continente, sai enfraquecida de uma narrativa em que os grandes estados dominaram os pequenos, a Alemanha a todos, e em que no fim os financeiros saíram da sombra.

(Publicado originalmente no i.)

1 comentário :

  1. o eurro como projecto de moeda mundial ...triunfou em absoluto

    o desaparecimento dele afundará a eurropa numa década muito mauzota

    similar à que a china terá daqui a 10 ou 20 anos...

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