quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Taxas enganadoras

Um relógio parado também está certo duas vezes por dia. No caso do Blasfémias, as duas vezes são alguns textos do Gabriel Silva, que ao contrário dos outros autores é realmente um liberal que se preocupa com o abuso de poder por parte do estado, e os do Paulo Morais, que ao contrário dos outros autores parece ter alguma empatia em vez de indiferença face aos mais desfavorecidos.
Serve isto para introduzir um bom texto da sua autoria sobre o recente aumento das taxas moderadoras, que cito parcialmente aconselhando a leitura integral:


«O aumento anunciado das taxas moderadoras nas urgências hospitalares é uma medida injusta, incoerente e inútil.
[...]
 Lembremos que o governo, ao impor sacrifícios aos portugueses, anunciou a intenção de proteger os mais carenciados, os mais vulneráveis, entre os quais obviamente se encontram as famílias que têm de recorrer em desespero aos hospitais.
Por último, o acréscimo de receita com esta medida representa apenas cerca de um por cento do orçamento da Saúde, ou seja, é irrelevante. Além de que o sistema para garantir a cobrança efectiva das taxas moderadoras consome uma parte considerável das receitas geradas.
Se não se encontra justificação plausível, porquê então esta medida? O aumento das taxas moderadoras surge apenas porque está previsto no acordo com a Troika. Mas curiosamente aí também se prevê a renegociação das parcerias público-privadas, medida abandonada e que geraria muito maior poupança. Assim, o governo parece preferir beneficiar empresários ricos, em detrimento dos pobres dos doentes.»