terça-feira, 13 de dezembro de 2011

O Xerife de Nottingham


(foto BBC)

David Cameron recusou-se a aceitar a medida de aplicação de uma taxa de transacções financeiras na UE, aquela que foi talvez a medida mais interessante negociada na cimeira da passada semana. Cameron mostrou-se muito preocupado com o seu impacto na City, cujas actividades contribuem para cerca de 10% do PIB britânico e que representam cerca de 75% das operações financeiras de toda a Europa. Mas a City é também uma das principais responsáveis pelo caos que se instalou na economia mundial desde 2008, é de longe o sítio na Europa onde mais se roubou empresas, cidadãos e estados, e que mais contribuiu para fomentar o desemprego na UE. Apesar de a crise atingir fortemente o Reino Unido (cerca de 450% do PIB de dívida pública+privada), não é por isso que nos últimos anos correctores e quadros de empresas financeiras da City deixaram de apostar milhões em corridas de cavalos e em viaturas de luxo (duas modas da City).
O Xerife de Nottingham não é ingrato, não morde a mão dos cortesãos que o levaram ao poder.

9 comentários :

  1. ordbekræftelsen 10% do PIB e só o Royal Bank of Scotland e o Barclay's devem contar para 120% de endívida mento's em % do PIB

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  2. Na mosca! Um artigo de serviço público!

    Já estava farto dos aplausos ao pau mandado da "City" em blogues que se dizem de esquerda. Aplaudo mas é este artigo que desmistifica, e bem, a "valentia" do Cameron!

    Como também aplaudo a única medida de jeito que a hidra Merkozy pös na mesa: a regulamentaçäo financeira. Já agora, achindrei porque o BCE näo faz de "emprestador" de último recurso: com a quantidade de dólares em circulaçäo (e cada dia säo mais uns milhöes) mais vale pedir emprestado aos países cheios dessa moeda de reserva.
    Porquê?
    Porque no futuro o dólar vai cair ainda mais, logo o valor da dívida em euros cai também. Quem empresta fica contente (recebe) e quem paga também (paga menos). Os EUA também ficam contentes, porque sempre é menos massa monetária em circulaçäo internamente, logo alivia-lhes a pressäo inflacionária. O problema vai ser se os credores exigirem o pagamento já convertido em euros...

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  3. O Cameron pode ter péssimas razões, mas é o único que se opôs à «merkelização» da Europa.

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  4. Ricardo,

    o Cameron é um dos principais responsáveis pela Merkelização, com a única diferença que ele queria era instalar uma Cameronização. O partido dele e o do Blair (juntamente com Bush) tudo fizeram para escolher figurinhas mansas para presidente da Comissão e para a presidência do Conselho: Barroso e Ronpuy. O objectivo era tirar poder às instituições europeias e dar mais poder aos chefes de estado. Foi plenamente conseguido. A Merkel, o Sarkozy e ele próprio mandam mais que a Comissão e o Parlamento juntos.

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  5. Não é uma questão de figurinhas, é uma questão de instituições.

    Para mim o importante é a democracia. Se a UE não consegue tornar-se uma democracia, prefiro a democracia nacional. Temos que ter controlo sobre as nossas vidas, e o Cameron ao menos pode dizer que se recusou a obedecer a Merkozy.

    A UE não se faz com europeístas, faz-se com democratas. A menos que queiram fazer uma ditadura.

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  6. "O Cameron pode ter péssimas razões, mas é o único que se opôs à «merkelização» da Europa."

    Ricardo, já pensaste que também se pode dizer "o Cameron pode ter sido o único que se opôs à «merkelização» da Europa, mas foi por péssimas razões"? Dizer uma coisa ou outra (o sentido da implicação) é uma escolha política.

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  7. Sim, Filipe. Eu sei que o RU não é modelo para ninguém, mas o facto é que Cameron preservou o poder dos seus eleitores. Nós não podemos dizer o mesmo.

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  8. RA, a esmagadora maioria dos eleitores portugueses näo quer ter poder. Olha o resulatado das eleiçöes, olha as sondagens.

    A escolha neste momento era entre males menores. E eu prefiro o mal que pelo menos quer que as minhas poupanças näo desapareçam amanhä.

    Porque a democracia... como disse o RCS, meteram dois bananas à frente da UE porquê? Vi um documentário acerca da evoluçäo da UE 2007-2009 e é só rir... ao D. Joäo IV ainda disseram "bem, se näo queres, implantamos outra opçäo", mas à recusa (2 vezes) do Rompuy o Reinfeldt disse-lhe "queiras que näo queiras vamos anunciar-te amanhä como Presidente"!!!

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  9. Ricardo Alves disse...

    Sim, Filipe. Eu sei que o RU não é modelo para ninguém, mas o facto é que Cameron preservou o poder dos seus eleitores. (leia-se banqueiros e pessoal partidário que o punha a mexer do lugar de PM com apenas dois votos de repúdio como fizeram à Maggie May)

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