segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Será que os fantasmas também votam?

Num artigo de Janeiro, estimei que os cadernos eleitorais do território da República deveriam ter cerca de um milhão de «eleitores fantasma». Uns 10% do total, portanto. Vale a pena, como se verá, refazer o exercício apenas para o território madeirense.

Os censos de 2011 contaram na Madeira 267 938 pessoas. Subtraídos os menores de 18 anos (58 mil segundo a estimativa do INE) e mais uns três mil imigrantes, ficamos com 207 mil residentes na Madeira com direito de voto. E quantos estavam inscritos para votar ontem? Uns «meros» 256 mil. Ou seja: há 50 mil eleitores «a mais» registados para votar na Madeira. Que podem estar mortos, emigrados ou terem-se mudado para o «cont´nente». De qualquer modo: 19% do registo eleitoral madeirense é permeável a fraudes. É o dobro da proporção nacional de «fantasmas», e pode portanto concluir-se com toda a justiça que a Madeira está mesmo assombrada...

3 comentários :

  1. Eu conheço uma madeirense que me disse que praticamente nunca votou, porque reside em Lisboa mas mantem-se recenseada na Madeira.
    O caso é que, até há pouco tempo, explicou-me ela, uma pessoa residente na Madeira beneficiava de reduções substanciais no preço dos bilhetes da TAP em viagens ao Continente. Por esse motivo, todos os madeirenses se esforçavam por permanecê-lo, mesmo residindo regularmente no Continente, como ela. Ela disse que atualmente esse benefício já é insignificante, dado que há companhias low cost a voar para a Madeira, as quais cobram, de qualquer forma, preços muito reduzidos e inferiores aos da TAP; pelo que, segundo ela me disse, já não há verdadeira razão para as pessoas se manterem recenseadas na Madeira.
    Já agora, o mesmo argumento é válido para os Açores. Também conheço açorianos que, apesar de residirem regularmente no Continente, mantêm-se recenseados nos Açores. E para os Açores não há low cost...

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  2. Açores? Vamos lá ver...

    Os censos deram 246 102. Tiramos 62 mil para a população jovem, e mais três mil para os imigrantes. Ficam 181 mil. Os inscritos nos cadernos eleitorais são 222 mil. Resultado: 18.5% de «fantasmas». Quase o mesmo que na Madeira (19.1%), só ligeiramente inferior.

    Em ambos os casos, muito acima da média nacional.

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  3. Pois, muito acima da média nacional, tanto nos Açores como na Madeira, e precisamente pela mesma razão: porque os migrados para o Continente têm uma forte motivação - vôos mais baratos para a região de origem - para se manterem recenseados nas ilhas.

    Ou seja: mesmas causas, mesmas consequências.

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