terça-feira, 4 de outubro de 2011

Revista de blogues (4/10/2011)

  • «(...) Uma democracia só o é se estiver garantida a separação de poderes, se existir uma imprensa livre, se existir na sociedade um grau de autonomia mínimo que permita que ela não seja refém dos detentores circunstanciais do poder político, se à oposição forem dados instrumentos para o ser e se aos eleitores forem dadas as condições para decidir em liberdade.

    Olhando para a Madeira com atenção é difícil dizer que ali existe realmente uma democracia. (...) Os principais empresários locais e os dirigentes regionais das principais empresas nacionais, com destaque para os bancos, são pessoas com fortes relações com o circulo de influências do presidente regional e, para ali fazerem negócios, precisam de ter a sua simpatia. As empresas que não ajudem o regime são economicamente sabotadas. As que dêem uma ajuda são financiadas de forma indireta e muitas vezes ilegal. (...)
    Na base, a grande maioria dos madeirenses trabalha para o Estado. Com raras exceções, os principais empresários - empregadores do sector privado - são muito próximos do regime, quando não fazem mesmo parte dele. Quem dê nas vistas no combate ao partido-Estado ou se atreva a concorrer em listas da oposição é bom que tenha a sua situação profissional bem defendida ou o mais provável é vir a conhecer o desemprego. (...) É a segunda região portuguesa com mais analfabetos, só sendo ultrapassada pelo envelhecido Alentejo. Enquanto no Continente 9% da população é analfabeta - nos Açores é 9,4% -, na Madeira são 12,7%. Tem a maior percentagem de cidadãos que se ficou pelo primeiro ciclo. Em 2002, cerca de quarenta por cento da população não tinha a escolaridade obrigatória. (...) Numa região fortemente marcada pela religião, a Igreja Católica é cúmplice ativa do regime, numa relação promíscua que não encontra paralelo no resto do País. O Governo Regional paga-lhe as contas e dá-lhe as ordens. O clero faz campanha ativa e sem qualquer pudor pelas "setinhas viradas para céu". E um padre que se atreva a pôr em causa o governante encontra ali enormes dificuldades.

    Na Madeira compram-se votos às claras. As juntas de freguesia distribuem, nas campanhas eleitorais, madeiras, tijolos, tintas e telhas. Quem se sabe não ser da situação vai para casa de mãos a abanar. (...) » (Daniel Oliveira)

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