quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Revista de blogues (13/10/2011)

«Quando os árabes se indignaram, bastou-lhes sair à rua. Uma ditadura está em todo o lado e, em consequência, qualquer ajuntamento em qualquer lugar põe em causa a ditadura. Não é preciso procurar o centro de um poder omnipresente.

Quando os americanos se indignaram, não foram para a frente da Casa Branca. De que serviria manifestarem-se em frente a um Barack Obama sem poder? Também não foram para o Capitólio, manifestar-se perante deputados e senadores, — no fundo, o verdadeiro poder não estava ali. Para os americanos, o verdadeiro poder tem um lugar: Wall Street, sede do capitalismo financeiro americano. (...)

A pergunta que eu tenho para vocês é: para onde devem ir os europeus?

(...)

A resposta a esta pergunta é provavelmente mais importante na Europa do que em qualquer outra região do mundo democrático, porque toca na ferida do atual momento do projeto europeu: a existência de uma União sem poder legitimado. Onde há poder (pensem no BCE, ou até na Comissão Europeia), não há em geral legitimação democrática. Onde há legitimação democrática (no Parlamento Europeu), há em geral pouco poder, ou um poder amputado.

(...)

Logo, os manifestantes deveriam ir protestar para Berlim e Paris — ou talvez apenas Berlim? Todos eles, incluindo portugueses e malteses? Lá chegaremos. É que, para já, cada um manifesta-se na sua cidade, mas isso não chega. (...)» (Rui Tavares)

2 comentários :

  1. Seria uma manif principal na City.

    Com manifs nacionais em Frankfurt, Lisboa, Paris, onde se situam as bolsas de cada país.

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  2. Certo, mas na Europa temos o problema de se ter criado um nível de governo não democrático, supra-nacional, que rege o euro...

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