terça-feira, 1 de março de 2011

Freeman Dyson no debate sobre o «aquecimento global»

  • «First, the computer models are very good at solving the equations of fluid dynamics but very bad at describing the real world. The real world is full of things like clouds and vegetation and soil and dust which the models describe very poorly. Second, we do not know whether the recent changes in climate are on balance doing more harm than good. The strongest warming is in cold places like Greenland. More people die from cold in winter than die from heat in summer. Third, there are many other causes of climate change besides human activities, as we know from studying the past. Fourth, the carbon dioxide in the atmosphere is strongly coupled with other carbon reservoirs in the biosphere, vegetation and top-soil, which are as large or larger. It is misleading to consider only the atmosphere and ocean, as the climate models do, and ignore the other reservoirs. Fifth, the biological effects of CO2 in the atmosphere are beneficial, both to food crops and to natural vegetation. The biological effects are better known and probably more important than the climatic effects. Sixth, summing up the other five reasons, the climate of the earth is an immensely complicated system and nobody is close to understanding it.» (Freeman Dyson no The Independent)
Dyson está a responder às seguintes alegações: a) que os modelos computacionais bastam para provar que a subida das temperaturas atmosféricas só pode ser explicada pelo aumento da concentração de CO2 na atmosfera; b) que não existe outra explicação possível; c) que temos mesmo que «fazer alguma coisa».

14 comentários :

  1. a) Ninguém alega que os modelos computacionais "bastam". Existem uma série uma série de diferentes provas além dessa.

    b) Outras explicações possíveis podem existir. E, por hipótese, pode ter existido mesmo C4 nas torres gémeas antes do embate dos aviões. Mas nós devemos guiar-nos pelas hipóteses mais plausíveis. Ora a consequência esperada do aumento da concentração de CO2 metano, etc, seria um aumento das temperaturas médias globais a um determinado ritmo. Esse aumento está a ocorrer ao ritmo esperado, ou ligeiramente acima.
    Ninguém propõe uma hipótese tão forte para este aquecimento global.

    c) O CO2 beneficia as plantinhas, é certo. E sabes o que as prejudica, em maior medida? Alterações climáticas abruptas.
    Só que não são apenas as plantinhas e os ursos polares que são prejudicados por alterações climáticas abruptas. Somos nós.
    No passado, alterações climáticas abruptas - que ocorreram em parte devido aos sistemas de retroacção positivo do clima da terra (temperatura->CO2->temperatura->CO2->...) - destruiram inúmeras espécies e formas de vida. Mas nessa ocasião não foram as formas de vida que activaram a retroacção positiva, foram alterações na órbita da terra, actividade vulcânica significativa, etc... O estúpido é sermos nós a puxarmos a terra do ponto estável em que está para as ribanceiras da retroacção, causando alterações tão significativas que irão ter efeitos presumivelmente devastadores.
    E não é verdade que compreendamos tão pouco estes mecanismos.

    As previsões, falsificáveis, para Portugal em resultado das alterações climáticas são maior precepitação no Inverno, de forma mais extrema, mas Verões bem mais quentes e secos. Estas previsões têm cerca de 20 anos, e desde então, recentemente, passámos pelo Verão mais quente e seco de que há registo. Temos cada vez mais meios de combate aos incêndios, mas cada vez parecem mais insuficientes. E mesmo a nossa agricultura está a sofrer com estas alterações, mesmo com o CO2 a mais que tu dizes que a devia beneficiar. Só que a agricultura funciona bem quando o clima é constante, para ter a infra-estrutura adaptada a esse clima. Não funciona bem quando o clima muda rapidamente.

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  2. Em resumo, as respostas de Dyson revelam vontade de meter a cabeça na areia, um pensamento propiciatório e uma negação das evidências.

    Mas não respondem à situação urgente em que nos encontramos.

    Como a loucura de Dyson é uma loucura colectiva - de não agir perante este problema - é possível que Dyson tenha oportunidade de saber como esteve tão errado no momento em que importava agir.

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  3. Ricardo, obrigadíssimo por este link: não é todos os dias que se vê este velho caquético (que numa ocasião, numa conferência na Gulbenkian, me disse que "o aquecimento global era bom porque os esquimós gostam") ser completamente esmagado e FUGIR a uma discussão - o Dyson fica sem argumentos e FOGE com o rabinho entre as pernas. Mas para isso é precio ler tudo e não somente a parte que tu, capciosamente, selecionas. Fica aqui o link para os leitores:

    http://www.independent.co.uk/environment/climate-change/letters-to-a-heretic-an-email-conversation-with-climate-change-sceptic-professor-freeman-dyson-2224912.html

    Vão ler! Leiam TUDO até ao fim!

    "The whole point of science is to encourage disagreement and keep an open mind.", diz o Dyson. Pois, mas para isso há o método científico: senão, qualquer charlatanice serve. Deve ser por não ter percebido isso que ele nunca ganhou o Nobel.

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  4. 1º a hidrosfera e a atmosfera regulam o clima e a retenção de energia no sistema terra


    2º flutuações na actividade solar não explicam as alterações presentes
    que são imprevisíveis
    mas começam lentamente a alterar o regime hidrológico
    com tendência para aumento da precipitação global na última década

    não há alteração significativa na circulação oceânica
    mas também não há grandes dados sobre isso

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  5. a fixação de CO2 não é o único factor de produtividade vegetal

    a falta ou excesso de água no solo jogam um papel importante

    pode haver maior fixação mas em condições meteo adversas....

    o mesmo já não se pode dizer dos blooms algais que estão a ser seguidos por blooms de zooplâncton
    com consequente sequestro de carbono pós-mortem

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  6. isto quer dizer que os bicharocos vão pró fundo ...retirando centos de milhões de tones de carbono dissolvido na água e consequentemente promovendo ulterior remoção da atmosfera

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  7. Ricardo,

    o ponto 1 é falso;
    o ponto 2 depende do nosso nível de masoquismo (houve quem se adaptasse ao nazismo e à inquisição);
    o ponto 3 é uma verdade lapaliciana;
    o ponto 4 é falso dizer que os modelos não entram em linha de conta com os reservatórios;
    o ponto 5 é mais uma verdade lapaliciana;
    e o ponto 6 é falso;

    Quando tiver tempo fundamento a minha apreciação, mas as resposta estão todas aqui:

    http://www.ipcc.ch/publications_and_data/ar4/wg1/en/contents.html

    e resultam do método científico que mau ou bom é o melhor que temos para analisar o clima.

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  8. Um artigo na nature acabadinho de saír:

    http://www.nature.com/news/2011/110216/full/470316a.html

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  9. Uma rapidinha. No capítulo I do relatório do IPCC esta figura que mostra a evolução dos modelos diz-nos que já em 2004 (AR4) estes entravam em conta com vegetação interactiva:

    http://www.ipcc.ch/publications_and_data/ar4/wg1/en/figure-1-2.html

    Contrariando o que diz o Dyson no ponto 4...

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  10. Rui Curado Silva disse...
    Uma rapidinha. No capítulo I do relatório do IPCC

    estragou tudo o raciocínio ia bom até meter o IPCC ao barulho...


    a máquina de contribuições e comendas é tanto ciência
    como o nosso ministério

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  11. João Vasco,
    a agricultura nunca funcionou com um clima estável. Quem vivia da agricultura (ainda conheci pessoas dessa geração...) sabiam que uma vez ou duas por década lhes podia cair em cima um ano perfeitamente anormal e estragar toda a produção prevista.

    Por alguma razão as pessoas fugiram dos campos/agricultura para a cidade/indústrias assim que tiveram hipótese. O mito de um clima certinho e regular é construído por pessoas que vivem nas cidades e que não sabem o que passavam as pessoas que viviam da agricultura de subsistência.

    Podem realmente existir outras causas para o aquecimento (pouco significativo) do planeta, para além do aumento do CO2. O Dyson diz, com razão, que não se analisa o efeito de existirem outros reservatórios de CO2. E que os modelos são muito imperfeitos para sistemas que são muito complexos.

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  12. Filipe Moura,
    insultar a pessoa do Dyson não serve para nada nesta discussão. Deveríamos discutir os factos e não as pessoas.

    A entrevista tem as suas falhas. Por exemplo: o Dyson diz implicitamente que aceita que haja aquecimento, e logo a seguir o jornalista sai-se com esta: «you don't accept that global temperatures have been rising». Isto é «esmagar» ou ser desonesto?

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  13. «a agricultura nunca funcionou com um clima estável. Quem vivia da agricultura (ainda conheci pessoas dessa geração...) sabiam que uma vez ou duas por década lhes podia cair em cima um ano perfeitamente anormal e estragar toda a produção prevista. »

    Estás a confundir coisas diferentes.

    Uma é a ocorrência de condições extremas em torno de uma determinada média.

    Estas têm aumentado. E não apenas por causa da capacidade de reportar, ou do aumento populacional. O aumento dos efeitos destrutivos deste tipo de situações extremas (tufões, inundações, secas, etc.) tem sido muito superior ao aumento dos efeitos destrutivos dos terramotos, por exemplo.

    Mas não era disso que eu falava.

    Eu falava na variação CLIMÁTICA. Ou seja, não é um ano mais quente em torno de uma média amena. É a média a vários anos (5, por exemplo) ser uma temperatura cada vez mais elevada, de ano para ano, e esta média variar muito rapidamente.
    É isto que é novo para nós.

    Claro que à escala geológica isso não tem nada de novo. Por causa de alterações na órbita da terra, ou outro tipo de circunstâncias, a terra já enfrentou alterações climáticas bem mais rápidas que as que se prevêm.
    Mas as formas de vida bem sofreram com essas alterações. Neste caso, os prejudicados somos nós.
    A nossa indústria, a nossa agricultura, a nossa economia, e as nossas vidas(!).

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  14. Ricardo,
    posso estar a ser injusto, mas fiquei com a impressão que ficaste todo contente por veres mais uma vez o Dyson a criticar a explicação científica mais consensual para o aquecimento global. Ou seja, que estás mais interessado no nome do Dyson do que propriamente no que ele diz (senão terias lido tudo e visto a abada que ele leva). A preocupação com factos, mais do que com nomes, tem de ser nos dois sentidos.

    Finalmente, toda a gente reconhece o aquecimento global (pode-se discordar é da sua origem), pelo que creio que te fica mal etiquetá-lo como "mito urbano" e, sobretudo, referires-te a ele como o Vasco Pulido Valente se refere à Europa ou o Alberto Gonçalves à Palestina. Mas isso é contigo.

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