sexta-feira, 25 de março de 2011

Da ingenuidade

Tempos de crise levam normalmente a um extremar de posições, a xenofobia na Europa em tempos de desemprego é um exemplo disso.
Em Portugal o fenómeno tem tido contornos diferentes. Não há crescimento nem dos extremos dentro do sistema (BE e CDS), nem dos extra-sistema. Observamos sim um crescimento de discursos pacíficos anti-sistema, um tanto ou quanto ingénuos*, sem ideias concretas mas com muito voluntarismo e energia. A histórica manifestação dos 30 ou 200 mil de há duas semanas, organizada totalmente fora do sistema, foi disso um excelente exemplo. Noto cada vez mais pessoas com poucas noções do funcionamento dos sistemas políticos e económicos, a discutirem a coisa pública.
Este voluntarismo tem a enorme bênção de aumentar a participação cívica em Portugal. Temo contudo que possa ser aglutinado pelos extremos anti-sistema, esses sim com ideias e propósitos bem concretos.

*Gosto particularmente de um conjunto de textos sem fonte, que tem circulado muito e tem sido referido frequentemente, onde a Islândia - cujo governo é liderado por sociais-democratas - é descrita como estando a atravessar a versão 2.0 da Comuna de Paris.