segunda-feira, 21 de março de 2011

Belgrado, Tripoli

Maio 1999 - sob o pretexto de evitar os massacres que as forças sérvias estavam a cometer, as forças ocidentais bombardeiam alvos não-militares em Belgrado, a centenas de quilómetros dos ditos massacres.
Março 2011 - sob o pretexto de evitar os massacres que as forças líbias estão a cometer, as forças ocidentais bombardeiam alvos não-militares em Tripoli, a centenas de quilómetros dos ditos massacres.

Em ambos os casos apoiei inicialmente a intervenção ocidental para interromper os actos bárbaros levados a cabo pelos governos tiranos. Em ambos os casos fico sem perceber estes desvios militaristas criminosos, contrários ao direito internacional, que destroem qualquer credibilidade que a intervenção pudesse ter.

9 comentários :

  1. O Miguel Carvalho não sabe ler a própria notícia que "linka"?! Que parte de "command and control" é que não percebe? Desde quando é que um edifício onde se comanda e controlam tropas no terreno é um alvo não-militar?!... Absurdo.

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  2. 1. Pedro Viana releia lá: "Western officials say was one of Col Muammar Gaddafi's command centres".
    É a versão de um dos lados. Neste momento não acredito em nenhum deles.
    Se der uma olhada no resto da imprensa estrangeira verá que há várias versões. Os jornalistas já visitaram o local, mas a BBC não diz se esta visita comprovou o que quer que fosse.

    2. De qualquer modo, e admito que o meu texto possa ter ficado pouco claro, o essencial não é tanto o edifício em si, mas o estar totalmente afastado do teatro de guerra que existe. Este ataque não é em defesa dos rebeldes, mas um ataque directo ao regime. Até poderia concordar, mas os aliados não estão mandatados para tal pela ONU.

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  3. 1. Não acho que este ataque, só por si, destrua a credibilidade do ataque europeu à Líbia. Não houve baixas, e se é ou não um edifício administrativo, não sei, só sei que um dos lados mente.

    2. A resolução abre, de facto, a hipótese de atacar o governo central da Líbia. O que pode estar a ser feito.

    3. O paralelo com o Cosovo, no meu entender, não se aplica. Devido a vários factores:
    a) A luta dos cosovares era pela independência, e motivada por razões étnico-religiosas;
    b) A escala dos combates era muito menor, e bastante mais lenta no tempo;
    c) Milosevic estava bastante mais disposto a negociar do que Cadáfi;
    d) Mais importante ainda, no Cosovo não havia mandato internacional (da ONU).

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  4. Ricardo Alves:

    Ponto a): Precisamente por a luta dos cosovares ser pela independência, havia nela uma razão de fundo - a autodeterminação dos povos - genericamente aceite pela comunidade internacional. No caso líbio tal razão pura e simplesmente não existe! Não há qualquer direito internacional que permita justificar a interferência numa guerra civil num outro país.

    Ponto d): Os mandatos da ONU obtêm-se desde que alguém manifeste interesse neles, e pergunta-se, por que é que a França e o Reino Unido estão tão interessados em intereferir na guerra civil líbia e tão pouco interessados em intereferir, por exemplo, na guerra civil na Costa do Marfim? É que, eu não duvido que, se estivessem interessados nisso, a ONU também lhes daria mandato para tal!

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  5. Ricardo, claro que as situações são diferentes. Independentemente do edifício (até poderia ser uma base militar), a minha questão é outra.

    Tanto num caso como no outro, aproveitou-se algum consenso internacional à volta da intervenção (na Sérvia não havia consenso no ONU devido À Rússia), para levar a cabo ataques a alvos com objectivos meramente políticos.

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  6. Luís Lavoura,
    na Costa do Marfim não houve pedido de ajuda. Na Líbia houve. O que se faz quando um grupo que tenta derrubar um ditador sanguinário pede ajuda, num contexto internacional em que pode estar em curso a democratização de todo o sul do Mediterrâneo? Olha-se para o lado?

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  7. Miguel,
    «meramente políticos»? Derrubar Cadáfi é um objectivo humanitário...

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  8. Ricardo,
    sim, sim.. e eu até defendo que a comunidade internacional (ao abrigo do direito internacional) deva interferir mais vezes directamente na política interna dos países - como por exemplo, derrubar Khadafi.

    A questão é que o que foi levado à ONU não foi isso, nem foi isso que foi discutido. A minha crítica do post é essa: as intervenções têm sempre extravasado os objectivos inicialmente propostos. É isto que destrói a credibilidade.

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