quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Os apoiantes das touradas não "raciocionam" (ver vídeo)



Devo esclarecer que não posso discutir esta questão de um modo totalmente coerente porque não sou vegetariano. E só os vegetarianos podem ser totalmente coerentes sendo contra as touradas. O meu problema com as touradas é o mesmo que com as praxes académicas: acho que quem as pratica são uns grunhos, e considero que a grunhice deve ser fortemente combatida. E é interessante ver que da boca de apoiantes dos grunhos (não necessariamente grunhos eles mesmos) a primeira palavra que sai é "liberdade" (ver vídeo). A liberdade é, assim se confirma mais uma vez, o único argumento da grunhice.
Dito isto, duvido que a melhor maneira de lidar com a questão das touradas seja proibi-las: só irá reforçar a união à volta delas. Se não se proibirem, as touradas desaparecerão ou tornar-se-ão residuais em uma ou duas gerações.

17 comentários :

  1. nada disso (concordo com a posição vegetariana)agora esperar gerações para tratar de uma grunhice... francamente…seria o mesmo que deixar que o meu filho cate cacas do nariz e as meta na boca e eu a esperar que ele cresça para entender que isso é uma grunhice...uma palmadinha na mão atempo e horas e temos um belo não-grunho...

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  2. Filipe,
    eu concordo com o essencial da argumentação do MST (mas não com o estilo da pessoa): é uma questão de liberdade. Liberdade que, como escreves, inclui a liberdade de ser grunho. E de usar mal a liberdade. Uma tourada não prejudica ninguém. A menos que consideremos que os touros são seres «com direitos». E nesse caso tem-se que tirar outro tipo de consequências: ser vegetariano, como também escreves.

    (Onde eu não concordo é quando ele fala dos pintores e mais não sei o quê que pintaram touros. Pode romantizar-se de tudo. Até o homicídio.)

    Escrevo isto enquanto dá uma tourada na RTP1. Embora não ache que se deva educar à força quem vai às touradas, tendo a pensar que não deveriam passar na TV pública. Ou passarem com bolinha vermelha... ;)

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  3. Pá, ó Filipe, às vezes fico abismado com as tuas linhas de argumentação.

    Deves sofrer do mal comum aos bloggers: sentem a pressão de ter de ter opinião sobre tudo o que aparece, em cima do momento. Em vez de irem discutir as coisas com os amigos, postam! É tudo demasiado precipitado.

    Então um gajo para criticar a tourada tem de ser vegetariano?!?! Há alguma comparação entre matar uma galinha, esfolar um coelho ou levar uma vaca para ser morta num matadouro, por um lado, e um espetáculo público de histeria em volta do sofrimento e agonia de um animal, pelo outro? Epá, isso é de um grande relativismo, parece-me.

    Uma coisa é matar para comer, e eu entendo que a nossa alimentação é mais equilibrada se incluir (alguma) carne. Isto aceitando que quem o entenda seja vegetariano, claro. É-me indiferente, o que cada um come. Agora, aquela euforia sanguinária, já me parece demasiado bárbara.

    No entanto, acho que uma proibição cega das touradas seria contra-producente, como dizes. É deixar definhar. Isso porém não me faz concordar com os argumentos em relação a Barrancos, claro. Não há leis regionais, no meu entender.

    Abraço.

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  4. Eu gosto de ver bocadinhos de corridas de toiros no El País :o) Como cresci a vê-las, em Santarém, não me faz muita impressão ver os toiros a cuspirem os pulmões, cegos de medo e num sofrimento atroz.

    Sei bem que as corridas são um espetáculo medieval e selvagem, e acho que os comentadores tauromáquicos batem o pessoal dos jornais desportivos, em termos de estupidez, em todas as categorias.

    E concordo que proibir as corridas de toiros, como se proibiram outras formas de crueldade contra animais (por exemplo as lutas de cães), seria uma coisa civilizada, mas moralista e complicada de implementar.

    Um bocado como a proibição do aborto, ou das drogas pesadas. Há coisas que são horríveis, mas que é má ideia proibir.

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  5. Caros, a questão é mesmo a posta pelo Ricardo (não adianta perder tempo - é mesmo só isto): consideramos que os touros são ou não seres com direitos? Eu digo que são, e um dos seus direitos é serem comidos por nós. Um bocadinho ridículo, não? Mas é o que eu penso. A única forma não ridícula é não dizer a última parte, ou seja, ser vegetariano. Dito isto, em lugar algum eu digo que só os vegetarianos podem criticar a tourada, Mota. Eu faço-o - daí a questão da grunhice.

    Curiosamente eu sou mais ao contrário: aprecio o estilo do Miguel Sousa Tavares, mas não posso nada concordar com a argumentação dele. E repito: a liberdade é o que um grunho invoca quando não lhe resta mais nada.

    Mota: já passei a fase da "velha opinião formada sobre tudo" (isso era no BdE). Agora é mais "metamorfose ambulante". Conheces o Raul Seixas? Devias. Abraços.

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  6. Acho engraçado ver aqui o Filipe e o Ricardo tão amigos da liberdade, quando no cabeçalho do blogue até têm uma frase a dizer que a liberdade oprime (uma frase digna do 1984).
    Querem liberdade em relação aos gostos pessoais mas não liberdade em relação à forma como cada um orienta a sua vida. É curioso.

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  7. Ora entäo descubro que o Filipe Castro é meu patrício! :D

    A questäo é mesmo essa de que só os vegetarianos podem criticar as touradas. Porque vamos a ver, salvaram-se uns 80 toiros na Catalunha por ano; mais que isso é morto por dia em qualquer matadouro.

    E sabe-se bem em que condiçöes esses animais säo criados. E parece-me que só os vegetarianos realmente se insurgem contra isso. Os outros "amigos" dos animais é "mmm... um bifinho..."!

    Que näo se esqueça o paradoxo: um toiro de lide vive 4 anos a correr pelo pasto. Depois passa 1 ou 2 dias a sofrer. Näo é preferível isso que "viver" a sofrer durante 1 ano sem sequer se poder mexer e depois levar um "humano" choque eléctrico, ou marretada na tola?

    O outro paradoxo é que se näo existirem touradas, säo mais umas poucas de raças extintas. O Homem näo gosta de biodiversidade. Nem com as maçäs que há 100 anos haviam 200 variedades a ser plantadas, e hoje em dia umas 20. E por aí fora.

    Dito tudo isto, se toda a gente fosse tanto às touradas como eu (por acaso filho e neto de forcados), elas acabavam por falta de público. É que enquanto aquilo der dinheiro näo há "direitos dos humanimais" que valham. A näo ser por questäo política, como na Catalunha, onde proibiram por ser sinónimo de "hispanidade".

    EH touro lindoooooooo!

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  8. Onde é que o Luís Lavoura me viu defender a liberdade? Acabei de escrever: a liberdade é o último valor dos grunhos. A liberdade é a parametrização da nossa ignorância. Não existe ideologia mais anticientífica que o libertarianismo. Sim, e gosto muito da frase do cabeçalho do blogue.

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  9. Deixa-me cá perder 5 minutos do meu precioso tempo.

    Um tal diz

    "E sabe-se bem em que condiçöes esses animais säo criados. E parece-me que só os vegetarianos realmente se insurgem contra isso. Os outros "amigos" dos animais é "mmm... um bifinho..."!

    Que näo se esqueça o paradoxo: um toiro de lide vive 4 anos a correr pelo pasto. Depois passa 1 ou 2 dias a sofrer. Näo é preferível isso que "viver" a sofrer durante 1 ano sem sequer se poder mexer e depois levar um "humano" choque eléctrico, ou marretada na tola?"

    Acho que não sabe o que é um paradoxo, mas adiante. Se pensar um pouco verá que esse argumento que apresenta é muito fraquinho, uma vez que apresenta uma falsa dicotomia para tentar forçar que se escolha o mal menor de entre dois males.

    Por exemplo. Imaginemos que se está a decidir se você tem direito a não ser espancado por mim, e eu apresento-lhe a dicotomia: ou é espancado por mim ou então, não sendo, é torturado e espancado mais violentamente por outra pessoa.

    Será que assim já percebe? Veja se aprende a pensar um bocadinho melhor, que assim não dá.

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  10. Realmente, a opinião do Ludwig parece-me bem acertada.

    Acho que os animais têm direitos, todos, incluindo os bois. Não se justificam exceções com tradição. Esses direitos só são postos em causa com causas maiores, como a alimentação. Isso não me dá estados de alma nenhuns.

    Conheço mais ou menos o Raúl Seixas, sim. Referes-te a alguma coisa em particular?

    Abraço.

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  11. Pois é, mas a dicotomia neste caso é "ou és torturado uns dias depois de viveres à grande durante algum tempo" e "näo existes". E depois comparares-te a um toiro só rebaixa o animal. Porque, ao contrário de si, o toiro sabe bem que *viver* é correr pelo campo.

    Näo é escolher entre dois males. É explicitar as opçöes. Eu até näo sou contra nem a favor, como está explícito. Para näo variar, deverias perder 5 minutos era a ler o que está escrito.

    Luís Mota, näo sabes a diferença entre bois e toiros? É tudo igual? Pois, 90% dos anti-touradas também misturam. E com isso perdem a razäo.

    Aliás, quem é da cidade e nunca perdeu uma tarde a ir à lezíria ver os toiros devia era estar calado. Ou entäo a a ser anti-criaçäo industrial de gado. Isso sim é tortura contínua, a morte do bicho é um alívio.

    Ah, pois, mas se metessem o gado todo livre näo haveria pasto que chegasse no mundo, nem comida para as pessoas. UI! Ninguém disse que o Mundo era simples...

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  12. Caro coiso,

    eu teria mais cuidado em tratar-me por tu assim levianamente, principalmente depois da conversa ter sido iniciada com um trato mais formal. Caro coiso, mantenhamos as distâncias.

    Noto contudo que a sua inteligência é um caso perdido.

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  13. Cuidado?! Com qué? Caro ttdsxo: descontrai-te. E lembra-te: se quiseres ser respeitado, nos teus termos, começa por dar a cara.

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  14. Luís Lavoura,
    a frase no cabeçalho do blogue foi lá colocada por um tipo que acha que a liberdade sem igualdade descamba facilmente em opressão.

    Veja aqui:

    http://esquerda-republicana.blogspot.com/2008/02/liberdade-e-igualdade.html

    Ou aqui:

    http://esquerda-republicana.blogspot.com/2008/03/liberdade-s-para-o-mais-forte.html

    Ou ainda aqui:

    http://esquerda-republicana.blogspot.com/2008/03/ral-proena-os-sofismas-liberais-do.html

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  15. "E nesse caso tem-se que tirar outro tipo de consequências: ser vegetariano, como também escreves."

    Não - basta não incluir o "direito à vida" nesses direitos. Nem seria nenhuma novidade considerar que um ser tem o direito a não ser torturado sem ter o direito a não ser morto - afinal, mesmo entre humanos os castigos corporais são muitas vezes considerados mais "bárbaros" e cruéis do que a pena de morte (penso que é a opinião do supremo Tribunal dos EUA); aliás, basta ver a obsessão dos aplicadores da pena capital em inventarem meios - da guilhotina à injecção letal - que supostamente não façam sofrer o condenado.

    De qualquer modo, mesmo que considerasse-mos que um touro (ou, de maneira geral, os animais da esécie "Bos taurus") tinha o direito à vida, tal não implicaria ser vegetariano - apenas implicaria não comer carne de bovino: não há nenhuma ligação lógica necessária entre atribuir direitos ao "Bos taurus" e atribui-los também à conquilha, p.ex. (afinal, biologicamente é muito menor a diferença homem/touro do que a diferença touro/conquilha)

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  16. "considerasse-mos"?

    Na primeira pessoa do plural é: considerássemos.

    "considerasse" é na primeira e terceira pessoas do singular do pretérito imperfeito do conjuntivo. O sufixo "-mos" é o plural da contracção dos pronomes 'me' e 'o'. Este sufixo não faz sentido nenhum naquele contexto.

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  17. Miguel Madeira,
    a esmagadora maioria das pessoas que hoje argumentam pela proibição das touradas fazem-no em nome dos «direitos dos animais». E não restringem esses «direitos» aos touros. Alargam-nos a todos os animais sencientes.

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