segunda-feira, 26 de setembro de 2011

França: vitória da esquerda no Senado

A vitória «histórica» da esquerda no Senado francês não reflecte necessariamente uma viragem popular à esquerda, dado que são eleições indirectas (em que os votantes são o equivalente ao que se obteria em Portugal somando todos os deputados do Parlamento com os deputados municipais, vereadores e deputados regionais). A «vitória da esquerda» corresponde, principalmente, a um reforço dos socialistas e dos ecologistas obtido à custa da UMP de Sarkozy. E, tal como na Alemanha, a esquerda ecologista (que no caso francês vai de um neoliberal como Cohn-Bendit até a um demagogo anticapitalista como José Bové) parece cada vez mais central na política dos Estados europeus.

13 comentários :

  1. neoliberal Cohn-Bendit??? Ricardo, isso parece conversa PCs muito ortodoxos. Li quase todos os livros de política do Bendit dos últimos 15 anos e muito sinceramente não consigo perceber a tua ideia, nem como simples provocação.

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  2. «In an interview with Der Spiegel, he said the dismal results of the centre-left across Europe proved that social-democratic parties were now a spent force. Labour in Britain, the SPD in Germany, the PS in France were "lifeless structures that have no perspectives in society. They have no future...They need to suggest alternatives, take risks."

    This meant, he suggested, swallowing the market-orientation of Blairism while finding some way to preserve the best of the European systems of social protection.»

    http://www.independent.co.uk/news/people/profiles/danny-the-green-daniel-cohnbendit-1704161.html

    «Nor are all his views as left-wing as they once were. To the horror of the redder of his Green colleagues, especially in France, he now casts himself as a pro-market pragmatist, even calling for a bit of “order” in society. He approves of Europe’s new central bank. He wants a separate and lower minimum wage for France’s young. He accepts quotas for immigrants and wants to put the retirement age up to 70. He is not against privatising some public services. And he smiles when some old comrades as well as former sparring partners taunt him with becoming a “liberal libertarian”.»

    http://www.economist.com/node/183304

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  3. Essa é a opinião do John Lichfield, e companhia, não são análises imparciais. Convém saber que desde 1968-1969, comunistas e trotskistas fazem marcação cerrada ao Bendit. Eles não lhe perdoam ter sido o cabecilha da revolução de esquerda mais bem sucedida do sec. XX.
    Assisti a cenas ignóbeis de ameaças físicas ao bendit durante apresentações de livros e conferências quando estudei em Estrasburgo por parte marxistas vários, já em 1998 durante esses ataques diziam agora é que o Bendit virou direitista. Andam a dizer isso desde 69.

    Aliás tanto os Verdes como o BE são permanentemente alvo desse tipo de ataques da parte dos partidos mais ortodoxos do GUE (grupo do PE a que infelizmente o BE faz parte) e da parte interposta imprensa, andam sempre em cima do Miguel, para ver se ele pisa a linha de um suposto direitismo.

    Se quiseres conhecer bem as ideias do Bendit há o recente "Que faire?"
    http://www.editions-fayard.fr/livre/fayard-372807-Que-faire-Daniel-Cohn-Bendit-hachette.html
    e há outro, que é mais engraçado e mais exaustivo sobre a política dos Verdes franco-alemaes:
    http://livre.fnac.com/a287889/Daniel-Cohn-Bendit-Une-envie-de-politique

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  4. Até concordo com o que dizes dos PC´s, mas esta surpreendeu-me: «o cabecilha da revolução de esquerda mais bem sucedida do sec. XX». Tanto quanto sei, o «Maio de 68» falhou. E o ódio ao Bendit vem das próprias críticas dele ao estalinismo.

    Quanto à questão inicial: ele está na 3ª Via ou à direita disso.

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  5. Qué quimtressa isso qualquer que seja o regime o poder económico eurropeu e o seu estado sucia all

    tá finitto
    adeus parolos camanhã é dia de lavoro

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  6. Ricardo,

    há 3 anos em França houve uma grande reflexão em França sobre os 40 anos do Maio de 68, e foi posto a nu muito do que era a sociedade francesa antes e depois de 68. Praticamente todos concordavam que a sociedade se alterou consideravelmente, a condição da mulher, a laicidade, a sexualidade e o fim de uma sociedade vincadamente paternalista, que no caso francês era representada pela figura do De Gaulle.
    Como te deves recordar, há 4 anos o Sarkozy disse que era preciso liquidar as conquistas do Maio de 68, provando que a direita conservadora sente essas conquistas.
    Pode-se dizer que foi uma revolução dessincrona, não teve um momento de victória em que se hasteou uma bandeira sobre o inimigo, como em Cuba. Até aconteceu o contrário. Mas o que conta é que nos anos seguintes a sociedade se transformou radicalmente quase ao nível planetário, ao contrário do que aconteceu em Cuba. É isso que chateia os ortodoxos. A revolução deles, a cubana, foi um fiasco em que o povo não se revê.

    Sobre o Bendit aconselho-te vivamente a lê-lo na primeira pessoa. Acho que não faz sentido nenhum associá-lo à terceira via. Ele tem secções e capítulos inteiros dos seus livros a criticar fortemente Schroeder e Blair, convinha que lesses isso. Se quiseres empresto-te a minha mini-biblioteca Bendit.

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  7. Ó Ricardo,

    Faz favor de ler a entrevista a Joseph Weiler, na P2 do Público de hoje!

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  8. OK, Rui. Agradeço a oferta. Quando tiver tempo informar-me-ei sobre o pensamento político do Cohn-Bendit... ;)

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  9. Esta vitória é *mesmo* histórica. Reparem que *nunca* a Esquerda esteve em maioria no Senado francês. Aliás, uma das grandes críticas dessa Esquerda era de que seria quase impossível ter maioria nessa cämara, pela maneira como a eleiçäo é feita, que privilegia as zonas menos urbanas, tradicionalmente mais direitistas.

    As eleiçöes para o Sénat até säo interessantes, tal como aquelas para o Bundesrat. Diferentes, mas igualmente interessantes, embora indirectas. Agora as nomeaçöes para a Comissäo Europeia (o mais parecido que temos com um Senado Europeu) é que é do pior que há: nem directas, nem indirectas. uma panelhinha completa (e ignóbil).

    O que eu gostaria mesmo é que os comissários europeus fossem eleitos directamente pelos eleitores, ao mesmo tempo que votam para o Parlamento. Deve ser o único modo da GUE/NGL ter um comissário (seria cipriota).

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  10. Maquiavel,
    eu diria que aquilo que a UE tem de mais semelhante a um Senado é o Conselho Europeu. A Comissão é o governo. E o Conselho, ao contrário dos Senados das democracias, reúne à porta fechada...

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