sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Regresso ao século 19

Passos Coelho autorizou uma despesa de 1,9 milhões de euros nas secretas, um serviço do governo que não é  um serviço público. Esta notícia junta-se à da entrada nas Forças Armadas de 4 mil novos militares. E devem ambas ser mantidas na consciência de qualquer cidadão que lamente que haja cortes no pessoal e na despesa dos hospitais, e ainda na investigação científica.

Na concepção de Estado da actual maioria parlamentar, os serviços do governo (forças armadas, polícias, espionagem) são para reforçar, enquanto os serviços públicos (saúde, educação, assistência social, conhecimento) são para desmantelar. O Estado já foi aquilo que eles querem que volte a ser: Exército, Justiça, Polícia e Vigilância. Era assim nos tempos feudais (e inquisitoriais): o Estado controlava o povo, administrava a justiça, e em tudo o mais vigorava o «que se desenrasquem». Boa parte dos movimentos políticos de esquerda do século 19, e quase todos do século 20, conseguiram garantir do Estado os chamados «direitos sociais». Será uma coincidência que quando esses desaparecem se reforce o pilar historicamente anterior, o da vigilância e controlo?