quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Geração SEF

O João fez licenciatura, mestrado e doutoramento. Teve uns anos de bolsas, deu aulas e explicações, “colaborou” numa multinacional de manhã a manhã, foi despedido na hora e hoje não sabe o que se segue.

A Ana saiu da universidade para uns trabalhos precários que acumulou com os filhos, trabalhou em casa, em seis empresas diferentes e para 11 entidades. Onde está, sabe que não vai durar.

O Miguel é de Engenharia. O primeiro salário não o satisfez e inscreveu-se num mestrado que ficou a meio porque surgiu outra oportunidade. Ainda fundou uma empresa (que “não deu”), mas dez anos e cinco empregadores depois emigrou para o Brasil. Agora vai para Angola.

O João, a Ana e o Miguel conheceram o trabalho por conta própria e de outrem, os recibos verdes e o emprego a seis meses ou a um ano, o subemprego e o desemprego. Viram as empresas de trabalho temporário e a “flexibilidade”. Arriscaram, ganharam e perderam. Pertencem às gerações SEF (sem emprego fixo). O Paulo também, mas entrou na Jota aos 18. Organizou reuniões e comícios, angariou redes de apoiantes e contactos, e antes dos 30 conheceu um ministro a quem foi simpático. Passou então de dirigente da concelhia a dirigente de distrital, de deputado municipal a nacional. Aos 35 achou por bem licenciar-se e escolheu algo fácil. Jogou pelo seguro, mas é o único protagonista desta coluna que tem uma carreira.