terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

No século XXI, a liberdade e o individualismo são o ópio do povo

Um texto bem interessante e atual de Manuel Maria Carrilho. Destaques meus:

Sentimo-nos, individualmente, cada vez mais livres. Mas, ao mesmo tempo, vamos percebendo que, coletivamente, somos cada vez mais impotentes. A liberdade não se converte em ação, nem tem consequências no mundo. É este o drama da nossa democracia, e talvez a origem de todos os seus impasses. (...)
Na base da "harmonia" original entre as vertentes política e social da democracia estava a convicção que a liberdade garantida aos indivíduos se transformava naturalmente, ou mesmo automaticamente, em ação coletiva. E que, portanto, um indivíduo mais livre era uma promessa de uma sociedade mais justa.

Ora aqui a deceção não podia ser mais brutal. A liberdade tem efetivamente conduzido a uma cada vez maior emancipação dos indivíduos, mas esta esgota-se num frívolo individualismo dos direitos, cujo âmbito se procura constantemente alargar, em prejuízo do próprio sentido do coletivo ou do comum.