sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Dois países, duas éticas

O presidente alemão demitiu-se hoje. Ontem, um tribunal pedira o levantamento da imunidade presidencial de Christian Wulff. É acusado de ter recebido um empréstimo de 500 mil euros a juro baixo, para comprar uma casa. De alguém com quem o governo do Lander que liderava tinha negócios. E de ter pressionado um jornal para não publicar o que se passara.

Esta é uma oportunidade imperdível para dizer bem da Alemanha. É que Cavaco é acusado de ter comprado e depois vendido acções à SLN, lucrando 360 mil euros. Ou seja, tinha negócios com ex(?)-amigos políticos, que andam agora de tribunal em tribunal. E sabemos que Cavaco não deu explicações nem se demitiu. E sabemos ainda que mandou o seu perpétuo assessor de imprensa à Avenida de Roma plantar uma notícia falsa, é certo que noutra ocasião.

Eu sei, há uma diferença fulcral. A nossa Constituição tem a seguinte disposição, muito pouco republicana: «Por crimes estranhos ao exercício das suas funções o Presidente da República responde depois de findo o mandato perante os tribunais comuns». Seria portanto impossível dar entrada a um pedido de levantamento da imunidade do PR no Parlamento (a menos que praticasse crimes no exercício das suas funções).

No fundo, a diferença nem é constitucional. É de ética. E nesse aspecto há que admirar a Alemanha.