segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Ascensão e queda do Estado social

Ana Sá Lopes, no editorial de hoje do i, mete o dedo na ferida: «o estado social também foi inventado para estancar o avanço comunista». Pois. Todos sabemos que após 1945 metade da Europa ficou com governos comunistas. Poucos recordam que nem todos esses regimes foram impostos pelo Exército Vermelho sobre uma população completamente adversa. Pelo contrário, em vários países os comunistas eram realmente a força política mais popular, sendo o caso extremo a Checoslováquia, onde até ganharam eleições «limpas». Também já poucos recordam que em países como a França ou a Itália os partidos comunistas andavam pelos 30%. A partir de 1945, a construção do serviço público de saúde e assistência social, combinada com a estatização de largos sectores da economia, conteve o crescimento comunista. E tornou os socialistas nos gestores de um capitalismo de rosto humano.

A queda do «muro de Berlim» foi o princípio do fim do Estado social. Atados de pés e mãos pelo Tratado de Maastricht, os socialistas aceitaram passivamente a destruição de tudo o que tinham construído no meio século anterior. De cedência em cedência, chegámos onde estamos hoje: à tragédia grega. Sem travões internos ou externos, o capitalismo pós-Maastricht acelerou na direcção de uma parede. Não espanta que os partidos gregos «à esquerda do PASOK» somem já 40% nas sondagens. De certo modo, é como se voltássemos a 1945 (mas sem «bloco de Leste»). O que se vai inventar agora para satisfazer as massas? Uma nova social-democracia ou golpes de Estado? Resta pouco tempo.