sábado, 25 de fevereiro de 2012

Ele não desistiu

  • «(...) fui o único candidato verdadeiramente independente que teve o resultado que teve (...) há uma coisa que lhe posso dizer: sempre que fui a votos dos portugueses ganhei. Com toda a humildade, ganhei. Tive uma votação expressiva nas eleições presidenciais, ganhei o círculo de Lisboa que o PSD não ganhava há 20 anos. Perdi num clube fechado que é a Assembleia da República. O povo português sempre acreditou em mim.» (Fernando Nobre)
Três pequenos reparos factuais a Fernando Nobre. Primeiro: não ganhou a eleição presidencial, quem a ganhou foi Cavaco Silva. Ele ficou em terceiro lugar. Sim, Cavaco ter-lhe-á dito que «nessa mesma noite havia dois vencedores». Seja. Era uma forma de lhe agradecer e ele não entendeu. Segundo reparo: quem ganhou as eleições legislativas em Lisboa foi o PSD. Só um egocêntrico diz «a lista sou eu». Terceiro reparo factual: não sei em que sentido o Nobre candidato presidencial em 2011 era mais «verdadeiramente» independente do que o Alegre de 2006 ou o Pinheiro de Azevedo de 1976. Nenhum destes era apoiado por partido algum. E Nobre teve menos votos do que qualquer um deles. Mas, nesta fase, já se entendeu que impedir Fernando Nobre de embandeirar em arco é impossível. A «humildade» não se afixa no peito, sente-se ou não.