sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Os monárquicos e a presidência da República

Não há como uma eleição para chefe de Estado para lançar a confusão entre quem detesta que tal acto  democrático sequer exista: os monárquicos. São deliciosamente furibundas as discussões, entre os uns que se querem juntar na abstenção aos mortos e aos ausentes no estrangeiro, e os outros que se querem adicionar no voto nulo a quem erra no sítio da cruzinha ou não tem maturidade cívica para respeitar o acto maior de votar em democracia.

Sempre pensei, na minha ingenuidade, que quem defende que a chefia do Estado deve ser reservada para uma  única linhagem de cromossomas Y devidamente assinalados não se assinalasse na secção de voto em dia de eleição presidencial. Afinal, admitem que desejam é bolsar a raiva à República na forma de dizeres de parede de casa de banho. Num país a terminar a sua alfabetização tardia (muito atrasada por certo regime anterior a 1910), os defensores da implantação da lotaria genética para a chefia do Estado arriscam-se a ser contados no menor grupo numérico do dia 23 de janeiro à noitinha.