sábado, 29 de janeiro de 2011

«Não se pode escolher a escola dos filhos»?!

Estou farto da chachada do «os pais não podem escolher a escola dos filhos». A verdade é que podem. Primeiro, pode-se escolher inscrever os filhos no ensino público da área de residência ou da área de trabalho. Segundo, podem-se seriar as escolhas de escolas da área que se escolheu. Terceiro, pagando também se pode escolher ir para uma escola privada sem contrato de associação (e com esta polémica estamos a chegar à conclusão de que se pode optar pelo ensino público e escolher uma escola privada livre de encargos para os pais, ou seja, com contrato de associação).

O que não se pode fazer é viver em Gaia, trabalhar no Porto, e chegar a Lisboa e dizer: «quero que os meus filhos entrem nesta escola que aqui está, que tenham os professores que eu quero, com a pedagogia de que gosto e com os professores que me apetece, e que o Estado me pague tudo isso». Para começar, pela razão muito prática de que seria perfeitamente impossível gerir um sistema de ensino em que os pais escolhessem tudo e mais alguma coisa. Além disso, porque a escola pública não existe para satisfazer os caprichos dos pais. E, já agora, porque não haveria dinheiro para tudo.

2 comentários :

  1. Gostaria de comentar a frase "... a escola pública não existe para satisfazer os caprichos dos pais." Estou plenamente de acordo. Seria ingerível se assim acontecesse (mesmo eu, que defendo a liberdade de escolha em função do projecto educativo e que num post anterior escrevi um comentário em que defendo o conceito do contrato de associação...).
    Mas talvez fosse interessante perceber as razões pelas quais os pais optam pelas escolas privadas, quando podem (mesmo que tal implique pagar). Já falei da questão do projecto educativo. Mas há outro aspecto importante: nas escolas privadas os pais sentem que têm uma participação e um envolvimento na vida escolar. Existe uma relação de proximidade entre pais, alunos e professores que faz com que a motivação de quem aprende e de quem ensina seja maior, o que está associado a níveis de exigência também maiores (claro que nem sempre será assim).
    Talvez o que falte à escola pública é este incentivo a que os pais se envolvam mais com o estabelecimento de ensino que os filhos frequentam. Muitas vezes, infelizmente, é por falta de interesse dos pais (e isso, para mim, é o maior flagelo do actual estado da educação). Noutros casos talvez seja por timidez. Noutros casos é porque talvez não haja mesmo espaço para que isso aconteça...
    Acho que o facto de os pais quererem que os filhos tenham a melhor escola *possível* (reforço o 'possível', pois há limites para tudo, como é óbvio - mesmo quando se paga!) e com a qual se sintam identificados não é nenhum capricho. É uma preocupação natural e salutar de quem tem filhos e se preocupa com a sua educação. Gostava, portanto, que esta discussão "público vs. privado" fosse uma oportunidade para repensar a escola pública e o que poderia ser feito (dentro das restrições financeiras) para que os pais queiram lá pôr os seus filhos ao invés de os colocar em escolas privadas.

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  2. De acordo que se repense a escola pública. Mas não estou certo de que o envolvimento dos pais seja muito diferente num e noutro caso.

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