segunda-feira, 30 de abril de 2012

O ser humano e a natureza

No que diz respeito à importância relativa do homem face aos outros seres vivos, observo duas posições que considero  profundamente erradas.
Uma, algo ingénua e bem intencionada, mas certamente superficial, é considerar que o homem vale tanto como os restantes seres vivos. Que deve merecer a mesma consideração moral. 
Talvez o absurdo desta perspectiva se torne mais claro fazendo uma ligeira alteração ao esquema:

A sério? O mesmo que uma melga ou uma bactéria? Nesse caso, nem é possível avaliar se qualquer acção do ser Humano sobre o meio ambiente é positiva ou negativa. Quem sabe se o aquecimento global ou um holocausto nuclear não fariam a terra aumentar a sua bio-massa devido à quantidade de novas bactérias e outros seres vivos afins? A morte e sofrimento de galinhas e touros torna-se perfeitamente irrelevante, visto que correspondem a uma pequena quantidade de bio-massa quando comparadas à quantidade de bactérias, fungos e vírus com os quais ninguém se preocupa.

Por outro lado, a posição oposta (esta?), de que apenas o ser humano merece consideração quando se consideram os impactos das acções sobre terceiros, parece-me também equivocada:
Novamente, quero ilustrar o erro desta perspectiva:
Para se afirmar que o ser humano merece consideração moral, mas nenhum outro ser vivo deve ser alvo dessa preocupação, é preciso justificar a diferença com base numa diferença radical que o ser humano tenha face aos outros seres vivos. Para quem acredita no sobrenatural, e que o Homem tem alma mas os outros animais não, essa posição ainda poderia ter razão de ser. Mas na natureza as coisas não são tão simples: as diferenças entre os vários animais correspondem a um contínuo. 
O Homo Erectus é diferente do Homo Sapiens, mas essa diferença não justifica que se tenha toda a consideração ética pelo segundo e nenhuma pelo primeiro. E se o Homo Erectus mereceria alguma consideração ética, os símios em geral também não são irrelevantes. E o mesmo pode ser dito em relação aos mamíferos. E em relação aos animais. E por aí fora...

Note-se, no entanto, que não vamos acabar por cair no erro da primeira perspectiva. O touro não é ser completamente diferente do ser humano, mas é evidentemente muito diferente. Tanto quanto sabemos, tendo em conta o seu cérebro, não tem o mesmo grau de consciência, não tem uma história de vida tão completa. E isto importa, pois é a ausência de consciência que justifica a ausência de consideração ética por uma pedra ou outro ser inanimado.

Assim sendo, eis, num esquema básico, aquilo que me parece fazer sentido:
(Não é para levar os tamanhos das barras à letra, são só para dar uma ideia relativa)