segunda-feira, 2 de abril de 2012

A esquerda enquanto mar de ruínas

À esquerda, quase um ano depois da queda final de Sócrates, sobram os viúvos do dito. Aqueles que ainda são capazes de criticá-lo, e os que ainda parecem esperar que ele volte numa manhã de nevoeiro. Uns não percebem a irrelevância actual de criticar o defunto, outros não sabem que ele morreu.

Perante o governo troiquista, a esquerda radical acantonou-se no reflexo típico de defesa-resistência. Seguro entrincheirou-se de outra forma, amarrado de pés e mãos pelo memorando da tróica. Uns estão contentes por protestar (mais malta na luta, e tal), e os outros vão demorar anos a perceber que têm de romper com o passado.

Entretanto, o maior ataque em democracia aos direitos sociais e laborais prossegue, perante uma oposição descoordenada, algo apática e ineficaz. Mas, se tudo continuar como está, novo empréstimo ou não, receio que tenhamos Passos e Portas até 2015. Pensem bem nisso. Os que têm a certeza de que ainda cá estarão... e os outros.