quarta-feira, 25 de abril de 2012

Nem «donos da democracia» nem monges

Os militares do MFA arriscaram fazer a revolução, muitos foram prejudicados por a fazerem, cumpriram com eleições um ano depois, renunciaram ao Conselho da Revolução, saíram da cena política e globalmente não procuraram fazer carreira política significativa (com a excepção de Eanes, de quem, sintomaticamente, não se fala).

São «donos da democracia»? Não. Nem falam como tal, nomeadamente através da Associação 25 de Abril. Não compreendo portanto o incómodo que geram intervenções como a de há poucos dias. É suposto serem menos cidadãos do que os outros? Irem para casa, colocarem as pantufas e ficarem à frente da televisão? São monges ou eunucos? Não. Têm o direito de fazer intervenção cívica e política. E de dizer o que pensam. Em igualdade com os outros cidadãos, e com a mesma liberdade.

Adenda: «Não somos donos do 25 de Abril. Desde o próprio Dia da Libertação que ele pertence ao povo português! Não abdicamos é de também o considerarmos nosso» (hoje, no Rossio).