quinta-feira, 26 de abril de 2012

Contas furadas


Este texto de Paulo Morais exprime bem parte daquilo a que me refiro quando escrevo que «[Passos Coelho] não preside a um governo que ponha em prática as políticas e valores da «direita liberal». Lutarei politicamente contra tais políticas, mas não me revolta visceralmente que alguém que prometeu concretizá-las o faça: é o seu mandato democrático. Aquilo que verdadeiramente me indigna é a avassaladora onda de corrupção, desperdício»

Felizmente, não é só a mim. Eis um destaque do dito texto:

«Além do mais, Gaspar falhou as promessas de cortar nas enormes gorduras do Estado, de terminar com os negócios em que o Estado favorece os grupos económicos do regime e de combater a corrupção. Gaspar não renegociou as escandalosas parcerias público-privadas, para não incomodar as concessionárias. Não reestruturou a dívida pública, o que pouparia milhares de milhões, optando por continuar a favorecer os bancos. As finanças nem sequer ousaram reduzir os valores de alugueres e rendas de favor que o Estado paga pelas suas instalações, muito acima do valor de mercado.

Até agora, os únicos beneficiários destas políticas desastrosas são os grupos económicos do regime, que continuam, intocáveis, a lambuzar-se na gamela do Orçamento do Estado. Está pois na hora de mudar de políticas nas finanças e trocar de protagonista.»