sexta-feira, 25 de junho de 2010

Que estranho...

Ana Gomes afirmou ontem que o arquivamento dos processos dos voos da CIA foi um «frete político». E, mais concretamente, acusou o governo do PS de ter feito pressão sobre a Procuradoria Geral da República para esse fim. Nem mais.

Passaram-se quase 24 horas, e está tudo calado. O assunto é referido em dois jornais, não há reacções nem do governo nem da PGR, e a blogo-esfera «institucional», da «esquerda» ou da «direita», passa pelo assunto em silêncio.

Imagino que se se tratasse de uma licenciatura terminada por fax, de conversas telefónicas sobre um negócio falhado, ou da estética das casas do Primeiro Ministro Excelentíssimo, já iríamos em muitos megabytes de aceso debate. Como se trata da mera cobertura, ao nível do governo (e portanto da mesma pessoa...), ao trânsito de pessoas ilegalmente detidas que tinham sido/viriam a ser vítimas de crimes de tortura, não deve ter importância alguma.

Sou só eu a achar que há aqui um problema? Um problema de prioridades, de valores, de agenda mediática?

5 comentários :

  1. Está tudo calado porque o assunto não tem interesse nenhum!Só essa senhora é que fala porque ninguém lhe presta atenção por mais nada e parece não ter mais nada sobre o que falar!
    Não sabem que foi por questões de sgurança que os tais voos foram organizados? Não sejamos hipócritas! Queremos a nossa segurança mas não queremos pagar a factura. É isso?

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  2. «Não sabem que foi por questões de sgurança que os tais voos foram organizados?»

    Ah!!!!

    Ok. Se era por "questões de segurança", tudo bem.

    É isso aliás que distingue uma democracia saudável onde impera o primado da lei, de um regime autoritário, ou mesmo totalitário.

    Enquanto estes últimos torturam, os primeiros torturam por "questões de segurança".



    «Não sejamos hipócritas!»

    Hiprocisia é colaborar com a tortura pela calada, e tentar fingir que nada aconteceu. Hipocrisia é tentar assobiar para o lado perante isto tudo.



    «Queremos a nossa segurança mas não queremos pagar a factura. É isso?»

    É o contrário: queremos uma democracia saudável e LIVRE, e devemos pagar a factura se isso implicar menos segurança.

    Mas, curiosamente, acontece o contrário: a tortura e o tratamento bárbaro destas pessoas é contra-producente na obtenção de informações fiáveis, ou no combate às ameaças à nossa segurança.

    Curiosamente, no que diz respeito ao recurso à tortura e em que medida isso prejudica a eficácia de quem segue por essa via, confirma-se a frase que subscrevo:

    «Um povo que abdica da liberdade em nome da segurança, não merece qualquer delas e acabar por perder ambas.»

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  3. Senhor Paulo Vilaça,

    «Está tudo calado porque o assunto não tem interesse nenhum!»

    Pois é claro! O que é grave é o Sócrates ter assinado projectos esteticamente desagradáveis de casas! Se ele foi conivente com crimes de tortura, que interesse tem isso? Grave é a licenciatura ao domingo!

    «Só essa senhora é que fala porque ninguém lhe presta atenção por mais nada e parece não ter mais nada sobre o que falar!»

    Se estivesse calada, já seria ministra. Só abona a favor dela que não se cale.

    «Não sabem que foi por questões de segurança que os tais voos foram organizados?»

    AH! «Segurança». Então, se o SIS decidir que é necessário torturar o senhor Paulo Vilaça por questões de «segurança», não se importa?

    «Não sejamos hipócritas!»

    Totalmente de acordo!

    «Queremos a nossa segurança mas não queremos pagar a factura. É isso?»

    O que põe em causa a nossa segurança é deixarmos impunes os criminosos torturadores. Ou prefere um Estado género Arábia Saudita?

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