quinta-feira, 10 de junho de 2010

Quando não há laicismo, sobe a islamofobia

As eleições de ontem na Holanda castigaram principalmente o partido do primeiro-ministro, o democrata-cristão Balkenende, que perde 20 deputados. Num contexto de crise económica, a esquerda não beneficia: os trabalhistas e os socialistas têm perdas (-3 e -10), enquanto os liberais de esquerda e os ecologistas sobem (+7 e +3). As maiores subidas são dos conservadores (+9) e dos extremistas de direita de Geert Wilders (+15).

Previsivelmente, o próximo governo será, como sempre acontece na Holanda, uma coligação instável de dois ou três partidos do centro.

As eleições permitem entender que a esquerda, na Holanda como em quase toda a Europa, não encontrou ainda novas respostas nem à crise mundial causada pela financeirização da economia, nem à crescente agressividade do islamismo integrista. Na ausência de respostas social-democratas e laicistas, crescem os que querem acabar com o salário mínimo, eliminar impostos, expulsar muçulmanos e criar novos Guantánamos.