sábado, 27 de março de 2010

Revista de blogues (27/3/2010)

  1. «Os actos pedófilos cometidos por padres e demais religiosos são crimes individuais mas a ICAR, ao longo de décadas, não só não denunciou estes crimes como encobriu, protegeu e fez tudo para evitar que fossem investigados pelas autoridades policiais, inclusive coagiu as vítimas e demais envolvidos a votos de silêncio para não «manchar» a reputação da Igreja.
    Este encobrimento é um crime que muitos tentam desculpar dizendo que apenas recentemente se descobriu que a pedofilia era um crime abominável. Não só estas desculpas me parecem contraproducentes numa Igreja que carpe o relativismo moral das sociedades que não aceitam as verdades «eternas e absolutas» de que a ICAR é detentora como me parece que o comportamento dos últimos tempos nos indica que o problema é outro: a ICAR quer ser ela a impor as leis a todos e não aceita ser regida por leis seculares.
    (...) A Igreja precisa de responder pelos seus crimes para perceber, de uma vez por todas, que não está acima da lei.» (Palmira Silva)
  2. «O que está em debate também não é apenas o facto da hierarquia ter repetidamente e de forma sistemática fechado os olhos às denúncias que lhe chegavam. É ter, de forma premeditada, contribuído para o encobrimento de cada um dos casos. O que está em causa não é apenas a conivência através do silêncio, é a cumplicidade através da promoção da injustiça.O que está em causa é a Igreja ter posto à frente do reconhecimento do sofrimento de membros do seu “rebanho” o poder da Instituição. É portar-se como se estivesse “acima do Bem e do Mal”. E a pedofilia é apenas um dos muitos fenómenos em que isso se tornou evidente. (...) » (Daniel Oliveira)