quarta-feira, 17 de março de 2010

Fortes com os fracos

Há dois dias, um profissional da música não parou o carro ao sinal da polícia, e continuou de Alcântara a Benfica sem parar (ou sem se aperceber da ordem de parar). Era jovem, de origem africana e da pobre Chelas. Foi perseguido pela polícia e morreu com um tiro nas costas.

Há quatro meses, profissionais da «segurança» passaram vários semáforos vermelhos na Avenida da Liberdade, à velocidade de 120 km/h, provocando um acidente gravíssimo. Eram de meia idade, de origem europeia e, mais relevante, altos funcionários do Estado. A polícia não os mandou parar (nunca manda), e o Ministério Público «achou» que deviam ficar impunes.

Dirão que é demagógico traçar este paralelo. Talvez seja. Mas a verdade é que me sinto inseguro com uma polícia e uma Justiça que têm gatilho fácil para o puto de Chelas, e desculpas prontas para as excelências e seus excelsos motoristas. E se «mostrar serviço» passasse por ser forte com os fortes?