quarta-feira, 17 de março de 2010

Fortes com os fracos

Há dois dias, um profissional da música não parou o carro ao sinal da polícia, e continuou de Alcântara a Benfica sem parar (ou sem se aperceber da ordem de parar). Era jovem, de origem africana e da pobre Chelas. Foi perseguido pela polícia e morreu com um tiro nas costas.

Há quatro meses, profissionais da «segurança» passaram vários semáforos vermelhos na Avenida da Liberdade, à velocidade de 120 km/h, provocando um acidente gravíssimo. Eram de meia idade, de origem europeia e, mais relevante, altos funcionários do Estado. A polícia não os mandou parar (nunca manda), e o Ministério Público «achou» que deviam ficar impunes.

Dirão que é demagógico traçar este paralelo. Talvez seja. Mas a verdade é que me sinto inseguro com uma polícia e uma Justiça que têm gatilho fácil para o puto de Chelas, e desculpas prontas para as excelências e seus excelsos motoristas. E se «mostrar serviço» passasse por ser forte com os fortes?

8 comentários :

  1. O paralelo em si não é demagógico. Demagógico é chamares "puto" a um gajo com 30 anos e, sobretudo, supores que entre Alcântara e Benfica alguém "não se apercebe" de que está a ser mandado parar. (Um bocadinho distraído, não?) Um cidadão, qualquer que seja, se não pára quando é interceptado pela polícia torna-se suspeito. Seja onde for. É claro que isso não dá à polícia o direito de o matar, mas uma vez mais o problema vem de cima. Dos exemplos que se dão.
    Em qualquer um dos dois casos (este e o do acidente na Av. Liberdade) exigia-se acima de tudo um esclarecimento do ministro da Administração Interna, que deveria desde logo apurar responsabilidades. Agora eu não entro nas críticas demagógicas à polícia.

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  2. Ricardo,
    Quanto ao primeiro caso estou em inteiro acordo consigo.
    No respeitante ao "puto de Chelas" é melhor averiguar o que realmente se passou.
    Aliás, a falta de autoridade da polícia - todo a gente lhe malha em cima quando há um "acidente" - contribui para alguma da insegurança em que vivemos.
    Será que "o puto" não fugiu?
    Todos nós sabemos de casos (injustiças) em que a polícia não actua propositadamente devido à sua falta de autoridade - retirada pelos média e "doutores juízes".

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  3. Isto para dizer que o melhor é esperar pelas respectivas averiguações.

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  4. Vim aqui para dizer alguma coisa, li o comentário do João Moutinho e vi que iria repetir aquilo que já foi dito, estou completamente de acordo com o João.

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  5. 1) Chelas não é, em geral, pobre. Tem gente pobre e outra que não o é. Conheço pessoas que lá vivem e que não são pobres.

    2) A polícia quando baleou o indivíduo não sabia nada sobre ele, presumivelmente. Mandaram-no parar de noite, não lhe podem ter visto a cara. Depois alvejaram-no de um carro para o outro. Logo, a polícia não sabia que o indivíduo era de Chelas, nem que era de origem africana (aliás, vendo fotografias dele e do irmão não se topa particularmente tal origem - são mais claros que escuros), nem que era jovem, nem que era músico.

    A única coisa que a polícia saberia dele era que seguia num carro antigozinho e de um modelo fraquinho, e não num Mercedes reluzente.

    De certa forma, isto até é mais perturbador, pois indica que qualquer de nós - mesmo que não seja de origem africana nem viva em Chelas nem seja músico - pode ser baleado de forma análoga.

    Luís Lavoura

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  6. O que eu sei, caros comentadores, é que não me sinto seguro num país em que os senhores que dirigem as polícias não param nos sinais vermelhos, e onde a mesma polícia abate quem não pára ao seu sinal e não é secretário-geral-não-sei-das-quantas.

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  7. Eu acho que o Joao Moutinho tem razao - uma policia fraca, pobre, mal treinada e desautorizada a toda a hora e perigosa. Mas acho que temos de ser vigilantes em relacao a incompetencias ou abusos.

    Em relacao aos membros do governo que vivem, efectivamente, acima da lei, escuso-me de comentar.

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  8. Estes bófias só não atingem os banksteiros...

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