quinta-feira, 18 de março de 2010

O PEC do governo «socialista» visto por socialistas

  1. «O governo do PS, em que votei, vai introduzir um tecto de despesa nas prestações sociais não contributivas, o que quer dizer que quando ele estiver esgotado, quem receber, por exemplo, o subsídio social de desemprego ou o complemento solidário para idosos, apesar de ter direito à prestação já não a receberá. (...) No corte das prestações sociais, o RSI tem direito a uma evidenciação especial e que lá está apenas para que  o governo do PS diga – qual Portas – que os malandros dos beneficiários do RSI também vão pagar. De facto, a despesa com os mais pobres vai diminuir em 200 milhões entre 2011 e 2013, dos quais 30 milhões serão no RSI. (...) Repare-se que em 2011 o Estado vai buscar mais aos pobres do que ao adiamento das infraestruturas e que vai, afinal e para minha surpresa, buscar a estas prestações mais do que à famosa nova taxa de IRS de 45%.» (Paulo Pedroso)


  2. «Neste PEC o PS caiu numa armadilha terrível. Assumiu-se definitivamente como um partido que propõe acima de tudo as mesmas medidas que um partido de direita podia tomar e deixou cair sem cuidado as bandeiras de esquerda que ainda há dois meses eram parte do seu programa. O PS vai perder aos olhos do eleitorado muito rapidamente, com as medidas que acaba de tomar, a ideia de que afinal de contas sempre tem preocupações sociais. (…) Sobre as privatizações, o Portas diz que só deve haver certas privatizações quando houver um regulador forte para não criar situações de monopólio ainda mais graves. O Portas a dar lições de esquerda a Sócrates! O PS entrou numa deriva à direita da qual vai ser muito dificil regressar sem que haja grandes alterações na direcção.» (João Cravinho)
  3. «(...) Apetece-me deixar aqui um proposta de alteração do PEC. Dado que os bancos lucraram com a generosa política monetária do BCE e não têm injectado o que devem na economia real, e tendo em conta que foi o sector financeiro que nos meteu neste aperto, que tal anunciar um aumento da taxa efectiva de IRC. Quanto? Tanto quanto necessário para, primeiro, não impôr tectos cegos e injustos na despesa com o RSI e, segundo, para não cortar no investimento público.» (João Galamba)
  4. «Fica assim provado que o programa eleitoral do PS foi uma brincadeira e que o Governo incorporou as críticas mais ferozes ao RSI (ou seja, o que era a demagogia recente de Paulo Portas passou a ser a norma do executivo (...) ). (...) Num contexto em que o desemprego previsto para 2013 será superior a 9% e em que o desemprego subsidiado terá diminuído muito, o natural seria que houvesse mais despesa com o RSI (no fundo, a rede de mínimos que seria o que sobraria para milhares de famílias). O que o Governo propõe é pura e simplesmente retirar toda a protecção a milhares de famílias, designadamente a protecção não-contributiva. (...) E que tal cortar os 130 milhões de euros que se quer cortar com "os malandros do rendimento mínimo" em prémios e salários no sector empresarial do Estado ou, em alternativa, incluir já no OE para 2010 a tributação das mais valias bolsistas.» (Pedro Adão e Silva)
Estou impressionado.

Adenda (via Ladrões de Bicicletas):
  1. «Não há constrangimentos de Bruxelas que justifiquem a privatização da REN e dos CTT» (Manuel Alegre)
  2. «Não compreendo como é que se vai privatizar os CTT, uma companhia de bandeira como é a TAP, ou outras companhias assim» (Mário Soares)
  3. «Quero juntar a minha voz à daqueles que não compreendem que se contemple a privatização de empresas que trabalham em sectores de interesse estratégico ou de interesse geral (...) Estou a falar de empresas como a REN, os CTT, a GALP.» (Ana Gomes)
Quem anda Sócrates a ouvir hoje em dia?

    1 comentário :

    1. Em relação aos jornalistas, não consigo entender como é que um plano de privatizações tão relevante, com tanto impacto, não é tratado senão pela rama.

      Não consigo encontrar uma única reportagem que diga qual a totalidade dos dividendos recebidos pelos estado, quanto o dinheiro que se estima poupar em juros (na verdade reproduziram o que o Teixeira dos Santos disse, mas ficou por esclarecer o contexto, e não têm sido feitas perguntas sobre isto).

      O Daniel Oliveira diz que as privatizações vão representar perda de receita, e eu não tenho visto essa questão discutida.
      Seria completamente absurdo estar a privatizar nesta altura para perder receita!

      Onde estão essas contas? Porque é que ninguém fala disso? Sei que não é só isso que importa, mas quando se anda a cortar nesta e naquela despesa essencial a torto e a direito, era conveniente saber qual a factura de privatizações inconvenientes.

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