terça-feira, 9 de março de 2010

O exemplo do guarda-lamas

O guarda-lamas de bicicleta cuja embalagem vêem na figura foi comprado por mim no passado mês de Julho em Paris, numa loja de uma cadeia de hipermercados que há dois anos saiu de Portugal. Procurei e nunca encontrei um artigo semelhante em hipermercados portugueses. Disseram-me, mais tarde, que o poderia encontrar, em Portugal, numa conhecida loja de desporto francesa. Possivelmente fabricado em Portugal, como o artigo que eu comprei (cliquem na imagem e confirmem), da marca de uma cadeia que há dois anos saiu do país. Nas lojas portuguesas, nada semelhante.
Passa-se o mesmo, sem surpresa, com as bicicletas propriamente ditas. Conforme se pode ler aqui, a mesma grande empresa francesa vende bicicletas portuguesas. A sua principal concorrente (e líder do mercado) em Portugal, uma empresa portuguesa, vende (informei-me) bicicletas fabricadas na Tailândia. É esta a visão dos grandes retalhistas portugueses. Entretanto, apesar de o setor estar em crise, Portugal ainda vai sendo o maior produtor europeu de bicicletas. Graças à França, e enquanto a Europa (neste caso, a França) quiser. Portugal nunca pode contar com os portugueses.

10 comentários :

  1. Infelizmente, Portugal não parece acreditar nesta sua indústria. Estes dois últimos anos, foram dados benefícios fiscais e subsídios directos ao desenvolvimento da indústria do automóvel eléctrico, inexistente no país, com vista à sua implementação. A única coisa que chegou a estar próxima de avançar no fim foi uma fábrica de baterias que entretanto já anunciou não ser para acontecer. Entretanto, os produtores de bicicletas lusos (que, é importante dizê-lo, padecem do mesmo problema de falta de boa gestão), sem incentivos, definham. Note-se que a fábrica de Serezedo, que tornou Portugal no maior produtor de bicis da Europa, foi planeada para os arredores de Toulouse, e só a crise económica e os salários baixos de Portugal fizeram com que a Decathlon tenha investido cá.

    Entretanto, os grupos Portugueses do Belmiro , Sportzone (bicicletas Berg) e Modelo-Continente (bicicletas Team) em vez de apostarem na produção nacional compram bicicletas à Tailândia.

    Dado isto notícias tristes como estas não são de estranhar.

    Entretanto a Órbita, que fabrica as Vélib de Paris, acaba de lançar um modelo de bicicleta com motor auxiliar eléctrico. Infelizmente, ao contrário do que faz para os carros eléctricos, o governo votou (pelo segundo ano consecutivo) contra as propostas de benefícios fiscais.

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  2. "Portugal nunca pode contar com os portugueses"

    Com alguns fazendo gala do que compram lá fora podendo adquirir aqui, é difícil, sim senhor.

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  3. eu não percebo nada do que estão a falar. a última bicicleta que usei custou 99 libras (made in england, não tailândia ou portugal). mais ou menos 150 euros na altura (e em segunda mão ainda são mais baratas). não é exactamente uma fortuna que deixe alguém dependente de subsídios...

    generalizo, é certo, mas não me espanta que muitos portugueses que compram bicicletas prefiram as importadas. porventura, pertencerão a "outro segmento de mercado", um que compra carros em mensalidades de 150 euros.

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  4. epá, acho que acabei por fazer uma amálgama de ambos, o artigo do João Branco e o do Filipe.
    à partida, não vejo porque a indústria de bicicletas (e não o consumidor) não possa beneficiar de incentivos fiscais.

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  5. Dorean, o que o João propõe é um benefício fiscal para as bicicletas semelhante ao dos carros elétricos. Acho que tal faz sentido, mas não é isso que abordo no meu texto. O que o João propõe tanto se aplicaria às bicicletas portuguesas como às tailandesas.
    O que procuro mostrar é como os empresários portugueses, mais uma vez, não representam o melhor para a economia nacional. Vai um tipo, como eu, comprar à Sport Zone ou ao Continente, numa de "o que é nacional é bom", e afinal era melhor para a economia portuguesa comprar na Decathlon...

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  6. Comprar bicicletas portuguesas em França, ou bicicletas tailandesas em Portugal, é essa a questão... ;);)

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  7. Ricardo, eu diria antes comprar bicicletas portuguesas em Portugal, mas numa loja francesa.
    Seria interessante comparar os preços das bicicletas portuguesas nas lojas Decathlon em Portugal e em França.

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  8. Filipe,
    e que tal um três-em-um acrescentando preferência ao comércio local?
    http://www.pai.pt/search/bicicletas-em-braga.html

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  9. Filipe Moura, eu diria que isto é muito simples: se você quer comprar uma bicicleta boa gasta muito dinheiro e compra uma bicicleta produzida em Portugal. Se você quer comprar uma bicicleta rasca, gasta pouco dinheiro e compra uma bicicleta produzida na Tailândia. A indústria portuguesa é mais cara, mas melhor, do que a tailandesa. Simples.

    Quanto ao Continente, isso, como você sabe, é uma loja para o povo. Vende portanto coisas baratas e, naturalmente, rascas. Se você quer uma bicicleta boa não a vai comprar ao Continente, vai comprá-la a uma loja da especialidade, como a Decathlon. Aí encontra bicicletas boas e caras que não são, naturalmente, fabricadas na Tailândia. Se você quiser uma bicicleta ainda melhor vai à Cycles Peugeot, onde lhe vendem coisas mesmo muito boas, fabricadas em França.

    É assim o capitalismo - cada um compra aquilo que está disposto a pagar.

    Luís Lavoura

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  10. Luís, sendo assim sff substitua "Continente" por "Sport Zone" e volte a comentar. A Sport Zone é uma loja "para o povo"? Achava-a bem especializada (e no entanto não tem um pára-lamas de jeito).

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