sexta-feira, 5 de março de 2010

Da UE enquanto forma de imperialismo germânico

Os euro-entusiastas dizem que a União Europeia, para os países pobres, não é uma forma de trocar soberania por dinheiro. E no entanto, parece que há pelo menos dois deputados alemães que encaram a UE como uma forma de a Alemanha ir comprando o sul da Europa.
  • «“Aqueles que se encontram em processo de insolvência têm de vender tudo o que têm para pagar aos seus credores”, argumentou Josef Schlarmann, membro do partido de Angela Merkel. “A Grécia tem edifícios, empresas e ilhas não habitadas, que podiam ser usadas para amortizar a dívida”, disse. “Se tivermos de ajudar a Grécia com milhões de euros, eles têm de nos dar algo em troca – por exemplo algumas das suas maravilhosas ilhas. O lema: vocês recebem carvão. Nós, Corfu» (i)
Que lema tão bonito. Proponho que seja adoptado como letra do hino da Grande Nação Europeia.

Adenda: a notícia do i, como acontece frequentemente por aquelas bandas, é uma trapalhada. Os deputados são Frank Schaeffler (que sugeriu apenas a venda de «ilhas desabitadas» e é do FDP) e Marco Wanderwitz, que é da CDU e sugeriu, efectivamente, uma «troca»: ilhas gregas por ajuda económica alemã. A frase que destaquei em cima parece ser do tablóide Bild. Obrigado, The Guardian.

    6 comentários :

    1. De todos os imperialismos, o que me assusta menos é o alemão. São um povo organizado; sabem valorizar a ética do trabalho; têm sindicatos poderosos, porque responsáveis... E o Marx era alemão, ao contrário do Hitler.

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    2. eh lá! se é para ver as coisas assim, o imperialismo austríaco era bem melhor que o alemão! um estado multi-cultural e com, pelo menos, dois parlamentos distintos (o próprio e o húngaro).
      e isto quase cem anos antes da descentralização da grã-bretanha.

      agora a sério, o deputado wanderwitz (cheira-me a gente de hanover), de facto, perdeu uma boa oportunidade para estar calado.
      mas ainda que, teoricamente, o estado grego vendesse propriedades suas isto não significa que ceda território a outro país. há meia centena de ilhas que são propriedade de privados e nem por isso deixaram de fazer parte da grécia.

      um facto que acho interessante é esta coisa dos alemães estarem convencidos que o sul vive às custas não ser nova (quando falo em alemães refiro-me a toda a sociedade, sem distinções*) mas, por alguma razão misteriosa e até agora, não tem tido grande exposição nos media fora da alemanha. porque será?
      __________
      *até já ouvi um comentário brilhante a propósito do imposto religioso: não há disso em portugal porque são eles quem sustenta a icar portuguesa...

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    3. Deutschland, Deutschland über alles,
      Über alles in der Welt,
      Wenn es stets zu Schutz und Trutze
      Brüderlich zusammenhält,
      Von der Maas bis an die Memel,
      Von der Etsch bis an den Belt
      Deutschland, Deutschland über alles,
      Über alles in der Welt.

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    4. Epá, os gregos deveriam era ter reagido com humor. "Para que é que os alemães querem vir para cá? Para a mussaka passar a ser com chucrute e knoedels?" Garanto que o mundo todo ia apoiar a Grécia.

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    5. Dorean,
      se calhar os sul-europeus não querem assumir o que a UE significa para os germanos: o sol a troco do Deustche marque...

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    6. filipe,
      continuando com o delírio, talvez os gregos possam exigir a coisa em forma de retroactivos pelo uso abusivo das suas palavras... a começar pelo nome da alemanha, com raiz em "theos"... ;)

      é que ainda prefiro um bom kartofelauflauf a qualquer das milhentas mussakas que se servem nos restaurantes dos boches. e feta, nem vê-lo.

      ricardo,
      e quem o assume não faz melhor serviço pois vende-o a qualquer custo.

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