sábado, 6 de março de 2010

Agência e a crise imprevisível que muitos previram

O «Banco Astral» tem um capital próprio de 100 moedas. E tem 1000 moedas em depósitos. Todos os anos, entre os juros que recebe daquilo que pode emprestar e os juros que paga aos depositantes, consegue apenas o suficiente para pagar as suas despesas de funcionamento.
Com 0 moedas de lucro líquido, os accionistas do «Banco Astral» sentem que as suas 100 moedas de capital próprio estão a render pouco. Mas não são eles que controlam quem é despedido ou contratado, nem sequer o CEO*.
Mas, em 2000, o Painel faz a contratação pela qual todos ansiavam: Gustavo Alberto. O rendimento de Gustavo é inteiramente uma comissão. Se o «Banco Astral» tiver prejuízos, Gustavo não receberá nada. Se tiver lucros acima dos que existiam (zero), receberá 10% desse valor. Os accionistas aceitam de bom grado receber 90% dos lucros acrescidos que Gustavo lhes possa trazer, mas não têm voto na matéria*.

Sob a direcção de Gustavo, o «Banco Astral» compra um Picasso raríssimo. É tão raro e valioso, que Gustavo acredita valer bem as 10 moedas que serão dadas por ele.

Existem dois bancos que também mudaram de direcção recentemente. O «Banco Calculador» e o «Banco Fundamental». O primeiro banco compra uma gema de diamante gigante no valor de 10 moedas. O segundo compra um vasto terreno na lua por esse mesmo valor.

Em Dezembro de 2000 Gustavo decide que o terreno na Lua obtido pelo Banco Fundamental é uma óptima opção de investimento, mas este só está à venda por 20 moedas. «Ainda assim vale a pena», pensa Gustavo, e a oferta é feita. O Banco Fundamental oferece 20 moedas pela gema, e o Banco Calculador oferece 20 moedas pelo Picasso.

Antes que as transacções sejam feitas, é realizado o balanço da empresa. O Banco Astral comprou por 10 moedas um Picasso, cujo valor de Mercado é agora 20. Isto representa 10 moedas de lucro, e uma delas vai para os bolso de Gustavo.

Neste momento, a empresa tem 89 moedas de capital próprio ao qual se soma património no valor de 20 moedas. Além disso, o total de dinheiro depositado é de 1000 moedas.

No início de 2001, as transacções são feitas. O Banco Astral fica com os terrenos na Lua, o Banco fundamental fica com a gema, e o Banco calculador com o Picasso. No fim de 2001, o Banco gerido por Gustavo oferece 40 moedas pela Gema. O Banco Astral oferece 40 moedas pelo Picasso, e o Banco calculador 40 moedas pelo terreno na Lua.



Desta vez, o lucro foi de 20 moedas, e a comissão de Gustavo é de 2 moedas. O capital próprio do Banco Fundamental é de 87 moedas mais património avaliado em 40 moedas.

Em 2002, depois de feitas as transacções, o Banco Astral oferece 80 moedas pelo Picasso. O Fundamental 80 pelos terrenos na Lua, e o Calculador 80 pela gema.
No início de 2003, o Banco Astral tem 83 moedas e património avaliado em 80 moedas. Curiosamente corresponde ao mesmo Picasso que o banco detinha em 2000, mas ele agora está oito vezes mais valioso.
Como o património do Banco é avaliado em 163 moedas, Gustavo é visto como um gestor genial que em apenas 3 anos aumentou em 63% o patrimínio do banco. É por isso que é aceite a sua proposta de alocar algum do dinheiro dos depósitos para estas compras, abdicando de receber os juros dos empréstimos de baixo risco. Assim, Gustavo oferece 160 moedas pelo terreno na Lua. O ciclo mantém-se.

Em 2006 o Banco Astral tem novamente um Picasso, mas desta vez o quadro vale 640 moedas. Além disso, o banco tem um capital próprio de 18 moedas.

Em 2007 o banco faz um empréstimo de alto risco para poder oferecer 1280 moedas pela gema do Banco Fundamental. O Banco Astral oferece 1280 moedas ao Banco Calculador pelo Picasso. O Banco Calculador vende o Picasso, mas oferece apenas 10 moedas pelo terreno na Lua. Diz que o terreno não vale mais que isso.

O Banco Astral tem uma dívida líquida no valor de 1280 moedas, um capital próprio que corresponde a pouco mais do que o tereno na lua avaliado em 10 moedas. Como é que os depositantes reaverão o seu dinheiro? Como foi possível que tanto dinheiro desaparecesse?

Haverá quem alegue que esta história não faz sentido. A asneira de Gustavo e dos outros CEOs era mais que evidente.
Ao que Gustavo poderia responder: «Asneira, qual Asneira?». No fim das contas, Gustavo obteve 63 moedas: 63% do capital próprio do banco para o qual trabalhou. Ele ficou muito bem nesta história, e presumivelmente assim terão ficado os CEOs dos outros bancos. Com esta brincadeira, todos os gestores de topo enriqueceram, quem perdeu foram os accionistas e os depositantes.

Mas e os accionistas? Não era para eles evidente a asneira que Gustavo e os outros faziam? Até poderia ser. Mas quem pensa que pelo simples facto de deter um banco se pode escolher quem o dirige está enganado:

(*:)

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