sexta-feira, 23 de julho de 2010

Os povos têm direito à auto-determinação, claro; mas, o que é um povo?

O Tribunal Internacional de Justiça declarou que a independência do Kosovo não viola o «Direito internacional». Muito bem. «Os povos têm direito à auto-determinação» é uma frase com que todos concordamos, penso eu. Só há uma pequena questão com o sujeito da frase: o que é um «povo»?

A Jugoslávia, em 19 anos, deu origem a sete Estados independentes. Outros tantos povos. Não restam, agora, argumentos racionais para negar a independência ao oitavo: a Republika Srpska. Talvez assim se resolvesse o problema da resistência, hoje reafirmada, da Sérvia ao reconhecimento do Kosovo. Enfim, depois os croatas da Bósnia poderiam querer separar-se dos muçulmanos de Sarajevo (são povos diferentes), e ainda haveria o problema dos húngaros da Voivodina, sem esquecer os povos sem homogeneidade territorial, como os ciganos. E admito que ainda haja Ruténios, esse povo eternamente esquecido.

A lista dos países europeus que não reconhecem o Kosovo é elucidativa: o Chipre (tem um povo turco no lado norte da ilha), a Eslováquia (tem um povo húngaro no sul), a Roménia (mais húngaros), e a Bulgária a Grécia (suspeitas de anti-albanismo primário); finalmente, a Espanha, porque os catalães, esses, sabem que são um povo e estão a tirar consequências.