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terça-feira, 9 de maio de 2017

Tolerância de ponto: António Marto contra António Marto

No dia 12 de Abril, António Marto, bispo católico de Leiria-Fátima, declarou à insuspeita Agência Ecclesia o seguinte sobre a tolerância de ponto no dia 12 de Maio.
Estas declarações foram reproduzidas pela também insuspeita Rádio Renascença com o taxativo título «Bispo pede tolerância de ponto na visita do Papa» (a Ecclesia ficara-se pelo título «D. António Marto convida Governo a conceder tolerância de ponto a 12 de maio»). O Jornal de Notícias titulou «Bispo de Leiria-Fátima gostaria de tolerância de ponto a 12 de maio».

Hoje, António Marto declarou o seguinte à TSF.
Título da TSF: «Eu não pedi nenhuma tolerância de ponto».

O leitor já sabe: se for tomar um café com o bispo Marto e ele disser que seria uma cortesia, que ficará bem que o leitor lhe pague o café, já sabe que os seus 0,60€ serão mais tarde agradecidos com um sonoro «eu não pedi para me pagares o café, pá! Não era necessário!».

quarta-feira, 11 de março de 2015

No altar do deboche

  • «É verdade que esta geração de filhos únicos, netos únicos e sobrinhos únicos de parentes divorciados ou amancebados é herdeira de 007 e Indiana Jones, Star Trek e Star Wars, Super-Homem e Batman, falhos de matrimónio e fertilidade. É verdade que a emancipação da mulher a masculiniza, desprezando as características femininas, no esforço obsessivo de as provar capazes em jogos de homens. É verdade que, em nome da liberdade sexual radical, se abandonam dignidade e equilíbrio, sacrificando essa liberdade no altar do deboche.» (João César das Neves)

sábado, 13 de dezembro de 2014

A democracia não pode ser só para o Estado

Grassa alguma agitação em Canelas (Gaia): os católicos locais não concordam com a escolha de sacerdote da hierarquia ICAResca. As circunstâncias têm zonas cinzentas e intrigas, mas a vontade da comunidade católica local (a «paróquia») parece ser unânime: querem o padre que estava e não o que veio. A hierarquia, essa, nem sequer se digna explicar a sua decisão: quer assim e os destinatários que embrulhem. O assunto já meteu até promessas de lugares no funcionalismo público para o padre «demitido», e a intervenção de uma potência estrangeira.

Eu sei que há muito quem ache que não tenho nada com isso: nem sequer sou cristão. Eu acho que sim, que tenho. Existir uma «sociedade paralela» em Portugal (refiro-me à ICAR) que é inteiramente anti-democrática, ao ponto, como se prova neste caso, de impor um sacerdote a uma comunidade que o rejeita, não é propriamente uma boa influência para o país como um todo. A democracia não é só a Assembleia da República, as autarquias e o PR. Uma sociedade só é realmente democrática quando as instituições, todas ou quase, funcionam de forma democrática. Mesmo aquelas a que só pertence quem quer. O exemplo mais discutido a esse respeito é o dos partidos, mas cabe recordar que uma associação não pode, legalmente, ser não democrática.
A ideia de igrejas (ou outras comunidades religiosas) a funcionarem de forma democrática parece com certeza exótica ao leitor português. E todavia, mesmo na Europa muitas igrejas de tradição luterana elegem quem gere a sua comunidade. É o que acontece, com especificidades, na Dinamarca e na Islândia, onde leigos elegem e são eleitos; enquanto na Suécia todos os membros da Igreja Luterana podem votar para representantes «parlamentares» ao nível da paróquia, da diocese e nacional; até o líder formal é eleito (em 2014, os suecos elegeram uma mulher). A autoridade destes representantes eleitos, geralmente, não se estende a decidir quem é padre ou bispo (embora na Suécia os bispos sejam eleitos por padres e leigos); mas a legitimidade democrática está lá e impediria uma Canelas nórdica. Ainda mais democráticas do que estas igrejas luteranas são algumas igrejas protestantes «liberais» dos EUA que elegem padres e bispos por voto directo dos leigos (após entrevistas e debates, como é normal). Tudo isto serve para lembrar que uma igreja não deixa de ser cristã (regra geral) se não mantiver a nomeação de bispos e sacerdotes autoritária e do topo para a base que é típica da ICAR.
Em resumo: acho que a agitação de Canelas se resolveria se fossem a votos. E sei que não acontecerá, porque isso seria democrático e portanto anti-católico.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Dúvida de um ateu sobre a abertura da Igreja aos homossexuais, divorciados e afins

Diz que decorreu um sínodo no Vaticano, onde se discutiu o aggiornamento da posição teológica da ICAR face a homossexuais, divorciados, etc.
Mas se a doutrina social da igreja e toda a teologia católica decorre directamente dos escritos sagrados infalíveis, como é que ela pode ser "aggiornada" em matérias tão "tangíveis"? (Outra coisa seria a imaculada conceição).

quinta-feira, 13 de março de 2014

José Policarpo, pelas suas próprias palavras

  •  «Não encontrei ninguém das oposições - todas elas - que apresentasse soluções. (...) Parece que ninguém sabe que Portugal está numa crise e dá a ideia que todos reagem como se o estado pudesse satisfazer as suas reivindicações» (conferência em Setúbal, 27 de Outubro de 2013).
  • «A legalização do aborto e do casamento entre pessoas do mesmo sexo são o “mais chocante” exemplo da recente evolução cultural em Portugal» (conferência em Fátima, 19 de Junho de 2013).
  • «A sociedade aguenta tudo.» (Entrevista de 19 de Fevereiro de 2013, já depois do «aguenta, aguenta» de Ulrich.)
  • «As manifestações e o povo a governar resultam na “corrosão da harmonia democrática” (...) os problemas não se resolvem “contestando, indo para grandes manifestações” (...) este sacrifício levará a resultados positivos, tanto para nós como para a Europa» (conferência de imprensa, 12 de Outubro de 2012; num momento de grandes manifestações contra a austeridade e a TSU).
  • «Esperava que o Presidente usasse o veto político. Sabemos a fragilidade do veto político na nossa actual Constituição, mas ele, pela sua identidade cultural, de católico, penso que precisava de marcar uma posição também pessoal (...) se o fizesse, ganhava as eleições» (declarações em 28 de Maio de 2010, após a promulgação do casamento entre pessoas do mesmo sexo).

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

A caridade é ideológica

Dizem-nos que quem «faz» caridade o faz de forma desinteressada, sem segundas intenções, sem objectivos ideológicos. Será verdade em muitos casos. Não o é, decididamente, no caso da Cáritas, que recusou dinheiro obtido através de um calendário «semi-erótico». Este preconceito nas doações que recebe esta organização católica deveria ser questionado pelos jornalistas que têm sempre coisas bonitas para dizer destas organizações. E também serve para recordar que nem sempre a «ajuda» prestada pela Cáritas e outras é religiosa e ideologicamente isenta.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

A aliança do velho clericalismo com o neoliberalismo


Já o disse e repito: nenhum governo depois do 25 de Abril foi tão fortemente apoiado pela ICAR como o actual. As razões são profundas: a ICAR compreendeu que esta crise e a destruição do Estado social são a oportunidade do século para alargar a sua influência institucional. Muito simplesmente, porque onde fechar uma escola pública abrirá um colégio católico (conferir o cheque ensino de Crato), onde fechar um hospital público abrirá um hospital da «sociedade civil» (conferir a entrega de hospitais às Misericórdias por P. Macedo), onde houver um pobre lá estará a caridade, agora sem alternativas (conferir o aumento do desemprego e a diminuição das prestações sociais, por Mota Soares).

Não é um acaso que as declarações de Policarpo e Clemente sejam programadas para acertar em momentos críticos: quando o povo saiu à rua contra a TSU, Policarpo apelou a que não se manifestassem, mas que pelo contrário se «sacrificassem»; quando o «aguenta-aguenta» de Ulrich causava escândalo, ele fez coro com o banqueiro; quando os professores abalaram Crato, Clemente apelou a que parassem com a greve, e na crise de Julho disse que «recusava» eleições e queria estabilidade. Agora, no momento de mais uma manifestação e perante as dificuldades do orçamento de 2014, Policarpo esclarece que mantém o apoio ao governo, à política de austeridade e ao empobrecimento das classes médias:
  • «Parece que ninguém sabe que Portugal está numa crise e dá a ideia que todos reagem como se o estado pudesse satisfazer as suas reivindicações (...) Não encontrei ninguém das oposições - todas elas - que apresentasse soluções».
Note-se: as reivindicações da ICAR, essas, têm sido satisfeitas. E há «oposições» que ainda lhe beijam o anel. Será que não entendem?

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Revista de imprensa (27/8/2013)

  • «(...) há sempre quem seja capaz de surpreender pela desonestidade e ausência de noção do sentido de oportunidade. Nas páginas do Público de ontem, o padre Gonçalo Portocarrero de Almada, ou melhor, D. Gonçalo Nuno Ary Portocarrero de Almada, 4.º visconde de Macieira e sacerdote secular da prelatura do Opus Dei, dedica-se a um exercício, lamentável e chocante, de falta de ética e de honestidade intelectual mas, também, de cobardia. Que, à luz dos princípios da sagrada Igreja Católica, deveria ser classificado como pecado.
  • Vamos por partes. O dito presbítero decide, de pleno direito, escrever sobre esse assunto premente nos dias de hoje que é a interrupção voluntária da gravidez. Para tal, socorre-se da tese de licenciatura de Álvaro Cunhal "O Aborto, Causas e Soluções", defendida em 1940 em circunstâncias históricas que são conhecidas e me dispenso agora de recordar. A dado passo, o padre Gonçalo cita o referido trabalho - "o aborto é um mal. Nisto estão de acordo todos os escritores" -, para extrair desta afirmação de princípio a conclusão de que "sendo o aborto um mal, para Cunhal e, segundo ele, para "todos os escritores" que sobre este tema se pronunciaram, não faz portanto sentido defender um pretenso direito ao aborto, porque não há nenhum direito ao mal". Mais adiante, e talvez por ter nascido em Haia, ter estudado em Madrid e em Roma e nunca ter tido o azar de viver em Portugal durante a ditadura, o padre Portucarrero enaltece, de forma despudorada, o facto de no Estado Novo haver até "alguma liberdade de opinião e de expressão nos meios universitários", porque até se permitia a um aluno finalista de Direito, estando preso por ser comunista, a defesa de uma tese em que se faz a apologia do sistema soviético.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Petição contra a estátua ao cónego Melo

Parece-me importante assinar esta petição contra a estátua, em Braga, a um padre que fez parte de uma rede terrorista.

sábado, 13 de julho de 2013

Revista de blogues (13/7/2013)

  • «Deu-se há dias a primeira manifestação organizado pelo sindicato do governo. Não foi na rua, nem na Assembleia (nas galerias), nem às portas duma fábrica ou empresa, nem a cantar a Grândola, foi numa igreja durante uma missa. Não sei o que pensa o novo Patriarca, ou a Igreja, mas assistir à primeira manifestação pública do sindicato do governo durante uma missa coloca-lhe o dilema da lembrança de Cerejeira, presumo que lembrança muito mal vinda. Ele há cada uma, ir manifestar-se para uma Igreja durante uma missa, com dezenas de guarda-costas cá fora, é um penoso retrato do nosso sindicalismo governamental. No entanto, tem uma enorme vantagem sobre os grevistas da CGTP e da UGT, não perdem o salário de um dia de trabalho. (...)» (José Pacheco Pereira)

segunda-feira, 8 de julho de 2013

O casamento perfeito do neoliberalismo e do clericalismo

Após uma semana alucinante, no domingo reuniram-se todos para a missa: o pífio Pedro, o irrevogável Paulo, o mudo Aníbal e a Assunção. Porquê? O oficiante do ritual cripto-necrófago (o sr. Clemente) dissera no dia anterior, ainda antes de ser conhecida a rendição de Pedro e a revogação de Paulo, que recusava eleições, que queria «estabilidade»; e hoje acrescentou que «pelos responsáveis pelo governo da nossa pátria, oremos irmãos» (tudo devidamente transmitido pela RTP, claro).

Não houve, desde o Estado Novo, um governo tão anti-social como este. E não houve, desde o Estado Novo, um governo tão apoiado pela igreja católica portuguesa. Os exemplos abundam: na crise da TSU e perante a primeira grande manifestação, o Policarpo apelou a que não houvesse manifestações (não apelou a que os reformados tivessem uma pensão justa); quando se preparava a manifestação de Março, acrescentou que a sociedade portuguesa «aguenta tudo» - e falava da austeridade; o mês passado, durante a greve de professores que fez recuar Nuno Crato, Clemente apelou a que os professores parassem com a greve (não apelou a que Crato ponderasse); este fim de semana, abençoou a surreal «solução» governamental que segundo as sondagens tem o apoio de um terço do eleitorado. Não sugeriu eleições, o que está de acordo com a sua formação: não chegou a bispo por eleição dos católicos de Lisboa, mas sim por nomeação de um ditador estrangeiro (a quem já jurou obediência). Todavia, sendo um cidadão português de 64 anos, Manuel Clemente viveu a maior parte da sua vida em democracia. Poderia ter aprendido qualquer coisa. Infelizmente, é muito católico e nesta crise pensa principalmente no que a sua igreja pode lucrar.

Já o disse e repito: o neoliberalismo e o clericalismo fazem um casamento perfeito. O neoliberalismo destrói o Estado social, a caridade católica «acolhe-os» com hóstias e um sorriso cínico; no fundo, quanto mais pobres e miseráveis houver, melhor para a ICAR. É a isto que Clemente chama uma sociedade «que procura o bem comum», e Passos um «Estado magro». Serve aos dois. Só espero que desta vez a esquerda  (toda) aprenda a lição e entenda de que lado está e estará sempre a ICAR.

domingo, 16 de junho de 2013

Bispo da ICAR apela a que professores não façam greve

Não me recordo de um governo que tenha sido tanto e tão directamente defendido pela ICAR. Depois de o Policarpo ter apelado a que os cidadãos não se manifestassem, temos o Clemente a apelar a que os professores não façam greve. Este governo deve pagar bem à ICAR...

Como se não bastasse ser Papa, é um chauvinista

sexta-feira, 15 de março de 2013

Vergonhoso

O parlamento da democracia portuguesa aprovou hoje um «voto de saudação» pelo início de mandato do monarca absoluto do único Estado europeu mais anti-democrático do que a Bielorrúsia. O voto foi proposto pelo PSD, PS e CDS, e contou com as abstenções do PCP, do BE, do PEV, e de seis deputados do PS (Pedro Delgado Alves, Elza Pais, Isabel Moreira, Mário Ruivo, Miguel Coelho e António Serrano).

Numa só palavra: vergonhoso.

segunda-feira, 11 de março de 2013

«Aqueles chiliques por causa da IVG e do casamento gay foram fingidos»

  • «A Igreja passa por uma fase particularmente feliz (...) ausência de perseguições abertas nas democracias» (César das Neves).

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Este já não vai ao conclave

O cardeal Keith O'Brien, principal figura da ICAR do Reino Unido, demitiu-se. Alegadamente, terá tido «comportamentos desapropriados» com membros do clero de sexo masculino. Um voto conservador a menos na eleição do próximo Papa.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

O caso do bispo Azevedo

Comecemos pela reacção institucional, da «Comissão Episcopal Portuguesa», que merece ser reproduzida na íntegra. É assinada por Manuel Morujão (jesuíta). Fica ao cuidado do leitor concluir se é um desmentido ou uma confirmação.
Passemos à reacção do bispo Januário Ferreira (tido por «progressista»).
E, já agora, o sucessor de Azevedo enquanto «bispo auxiliar de Lisboa», Nuno Brás (aparentemente «conservador»).
Ouçamos ainda a «Rede de Cuidadores».

[Diário Ateísta/Esquerda Republicana]

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

O mais fundamentalista dos bispos portugueses acusado de assédio sexual?

É essa a extraordinária notícia cujos detalhes a Visão promete para amanhã: Carlos Azevedo, o mais fundamentalista dos bispos portugueses e putativo candidato a «Cardeal-Patriarca de Lisboa» da ICAR, é suspeito de «assédio sexual», sendo um dos queixosos... um sacerdote. A queixa terá sido transmitida em 2010 ao núncio da Santa Sé. Em 11 de Novembro de 2011, curiosamente, o Vaticano chamou-o.

Recorde-se o currículo clerical deste senhor: crítico do divórcio, defende o financiamento da construção de igrejas e dá missas em honra de Josemaria Escrivá, na sede da dita Opus Dei. Negava a existência de abuso sexual de menores pelo clero, contra a evidência. Fez muitas interpelações à Associação Ateísta Portuguesa, inclusivamente uma famosa carta que disse ter enviado e que nunca foi recebida.

[Diário Ateísta/Esquerda Republicana]